Francisco Carvalho defende “governação participativa”
Política

Francisco Carvalho defende “governação participativa”

Durante um encontro com agentes culturais realizado ontem no Mindelo, o líder do PAICV destacou a importância de construir políticas públicas a partir das necessidades reais dos fazedores de cultura, defendendo uma “governação participativa” e salientando a necessidade de uma intervenção política mais determinada e alinhada com as expectativas dos profissionais da cultura, assumindo o compromisso de integrar as propostas no programa do seu Governo.

O líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) Francisco Carvalho, reuniu-se esta sexta-feira, 17, no espaço Caravela, com agentes culturais de São Vicente, com o objetivo de auscultar preocupações do setor e recolher contributos para o programa de governação na área da cultura.

Durante o encontro, o candidato à sucessão de Ulisses Correia e Silva destacou a importância de construir políticas públicas a partir das necessidades reais dos fazedores de cultura, defendendo uma “governação participativa”. Segundo afirmou, o processo em curso visa “materializar os sonhos das pessoas”, incorporando as ideias e propostas apresentadas pelos profissionais do setor.

Francisco Carvalho reconheceu dificuldades estruturais enfrentadas pelos agentes culturais, com destaque para o financiamento insuficiente, sublinhando que essa realidade é comum a várias experiências no país. Nesse sentido, avançou com propostas concretas, como a duplicação das verbas destinadas aos grupos de Carnaval, considerando tratar-se de um “sinal forte” de compromisso com o sector.

Cultura deve beneficiar diretamente do turismo

Entre outras medidas, o líder do PAICV apontou a necessidade de criar condições para que a cultura beneficie diretamente do turismo, nomeadamente através da valorização dos artistas plásticos no contexto da chegada de cruzeiros. Defendeu, igualmente, a construção de um centro de conferências com capacidade para mil pessoas, como forma de potenciar a realização de grandes eventos em São Vicente.

Um dos pontos centrais da sua intervenção foi a necessidade de profissionalização do Carnaval do Mindelo, que classificou como um produto estratégico. O candidato defendeu que os grupos carnavalescos devem contar com profissionais remunerados ao longo de todo o ano, abandonando o modelo assente exclusivamente no voluntariado.

Francisco Carvalho comprometeu-se, também, a trabalhar para tornar efetiva a lei do mecenato, reconhecendo que, apesar do seu potencial, esta não tem produzido os resultados esperados, garantindo que será feito um trabalho de fundo para assegurar o seu funcionamento, incentivando o investimento privado na cultura.

Cultura enquanto pilar económico e não apenas decorativo

Por sua vez, os agentes culturais apresentaram um conjunto de reivindicações consideradas prioritárias para o desenvolvimento do sector. Entre elas, destacaram a necessidade de maior valorização da cultura enquanto pilar económico e não apenas decorativo, bem como a redução da burocracia no acesso ao financiamento.

Os participantes defenderam, ainda, a isenção do IVA de 15 porcento (%) aplicado ao Carnaval, a criação de formações profissionais específicas para a área cultural e a implementação efetiva do estatuto do artista. Foi, igualmente, referida a necessidade de criação de um novo estaleiro e o reforço das verbas destinadas aos grupos carnavalescos.

Outro ponto enfatizado pelos agentes culturais foi a importância de uma liderança política que compreenda o papel da cultura na economia nacional, capaz de responder de forma estruturada aos desafios do setor.

No final do encontro, Francisco Carvalho considerou que as contribuições recolhidas reforçam a necessidade de uma intervenção política mais determinada e alinhada com as expectativas dos profissionais da cultura, assumindo o compromisso de integrar as propostas no programa do seu Governo.

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