A candidatura do Beta não é apenas pessoal. Ela pode ser uma peça numa engenharia política mais ampla: a tentativa de a UCID ganhar escala, romper a lógica bipolar e tornar-se mais influente no Parlamento. Se resultar, a UCID pode sair destas eleições mais forte, mais territorializada e mais central no jogo político. Se falhar, poderá ser acusada de ter trocado coerência por conveniência. E Beta, por seu lado, jogará muito mais do que um mandato: jogará a preservação da sua relevância num tabuleiro onde desaparecer do centro é, muitas vezes, começar a perder o futuro".
O Partido Africano da Independência de Cabo Verde anunciou ontem uma renovação de cerca de 70% nas suas listas de candidatos às eleições legislativas de 17 de maio, integrando independentes e cinco mulheres como cabeças de lista. “Conseguimos nas nossas listas harmonizar a juventude com a experiência, reunir pessoas com um percurso sólido e conhecimento acumulado, ao lado de novas vozes, novas ideias e uma nova energia, renovada”, disse o secretário-geral do partido, Vladmir Silves Ferreira.
Acredito que na casa do povo devem estar cidadãos comprometidos unicamente com funções próprias de legislar e fiscalizar o governo. Enquanto estes não forem independentes, a nossa democracia será apenas uma fachada onde o povo é usado para levar ao poder aqueles que, no dia seguinte às eleições, lhe viram as costas em nome da sua sobrevivência político-partidária, da sobrevivência do seu partido ou do “seu governo”.
As palavras são do presidente do Grupo Parlamentar do partido que sustenta o Governo, Celso Ribeiro, que considera não haver qualquer crise. Pelo contrário, a segurança social “está em crescimento e consolidação”. O líder parlamentar considerou mesmo que, nos últimos anos, o país registou “progressos claros, consistentes e mensuráveis”. Ou seja, está tudo bem.
O principal partido da oposição alertou ontem, no parlamento, para os riscos que ameaçam a sustentabilidade do sistema de pensões da segurança social em Cabo Verde. Em nome do grupo parlamentar, o deputado António Fernandes defendeu a necessidade de um diagnóstico aprofundado da realidade demográfica e socioeconómica do país. E alertou para os impactos da queda da fertilidade e da emigração na sustentabilidade do regime da segurança social.
Em democracia, alternância não é um castigo. É um mecanismo de higiene política. Depois de muitos anos de um mesmo ciclo governativo, o país precisa de perguntar a si próprio se ainda existe energia reformadora ou se estamos apenas a assistir à repetição das mesmas fórmulas, dos mesmos nomes e das mesmas promessas.
O líder da bancada parlamentar do PAICV, Clóvis Silva, disse hoje que o partido vai interpelar o Governo sobre a política de investimentos públicos e infra-estruturas dos últimos dez anos, alegando baixa execução e promessas não concretizadas.