Rússia-África: Novos horizontes para velhos amigos

Um importante evento político terá lugar em breve no Cairo: os chefes e altos representantes dos ministérios dos Negócios Estrangeiros da Federação da Rússia e dos Estados africanos reunir-se-ão na acolhedora capital egípcia para avaliar o estado das relações russo-africanas e definir as suas perspectivas de desenvolvimento.

Entre o discurso do sucesso e a vida que não melhora

Se a pobreza extrema foi reduzida, por que razão tantos continuam a escolher entre comer e pagar a luz? Se a inclusão social é prioridade máxima, por que razão a precariedade se tornou regra e não exceção? Se o Estado protege, por que razão milhares vivem permanentemente dependentes de subsídios que não libertam, apenas administram a miséria? Chamam de vitória o alargamento do Rendimento Social de Inclusão a cerca de 43 mil famílias. Mas é preciso dizer, com frontalidade: política social que não emancipa é política de contenção, que aprisiona e humilha. Um país não...

Barulho de Excelência

O país anda aos solavancos, a bater nas lombas da estrada, a travar com dificuldade. Avança, mas com o travão pesado, quase a parar. Resiste, e isso não é pouco. Resiste porque há uma memória funda, porque há gente anónima que acorda cedo, trabalha, pensa, educa, cuida, vota, discorda em silêncio e ainda acredita que a coisa pública não é um circo permanente. Vivemos um tempo estranho, em que grandes homens se esquecem de que o são, e outros, que sempre estiveram ativos, já não parecem necessários.

Um académico que transporta dentro de si um agricultor e se revela poeta maior

Jairzinho Lopes Pereira, prestigiado académico cabo-verdiano, saiu da terra, mas a terra nunca saiu dele. De tal modo que os seus pergaminhos académicos nunca apagaram o agricultor que transporta no peito e que, várias vezes por ano, o fazem percorrer a longa jornada de Lovaina (Bélgica), onde é investigador e professor na Universidade Católica, para se reencontrar com São Salvador do Mundo, terra que o viu nascer e com a qual tem uma indelével relação de paixão e identidade. O académico acaba de dar à estampa um surpreendente livro de poesia e prosa poética.

Não perder o poder, “custe o que custar”

O bordão “tomar a Praia custe o que custar”, associado a Ulisses Correia e Silva – e, ao que sei, nunca desmentido pelo próprio –, podendo não ser uma citação directa (é, também, uma possibilidade), entrou no argumentário político nacional, percorrendo toda a campanha das eleições autárquicas do passado ano. Esperemos, agora, que não seja substituído por um outro: “não perder o poder, custe o que custar”.

Abertura do ano político do MPD em Assomada

Em política, mais do que narrativas, contam os factos e a confiança institucional. Cabo Verde precisa de líderes que fortaleçam o Estado de Direito e promovam estabilidade, desenvolvimento e coesão social. Nesse contexto, apesar do desgaste natural de uma década no poder, Ulisses Correia e Silva continua a afirmar-se, para muitos cabo-verdianos, como a opção mais consistente e credível para garantir continuidade democrática e estabilidade política nas eleições de 2026.

Dois pesos, duas medidas

Não há democracia saudável onde o escrutínio escolhe alvos conforme a geografia, a conveniência política ou o ruído mediático do momento. A exigência não pode ser sazonal, nem alternar conforme o calendário festivo, a pressão das redes sociais ou o cansaço da opinião pública. Ou é para todos, ou deixa de ser credível. O problema não está na investigação em si, nem na cultura, nem nas festas populares. O problema está na ausência de um critério uniforme de responsabilidade pública. Está no facto de uma câmara ser colocada sob lupa permanente enquanto outra navega...