
O presidente norte-americano anunciou a retomada de negociações com o Irão para a próxima terça-feira, mas deixou no ar uma ameaça: “é a última chance”. No entanto, ninguém mais leva a sério as bravatas do inquilino da Casa Branca que, por várias vezes, ameaçou destruir a nação persa para, logo a seguir, recuar. Donald Trump está sitiado e sabe que perdeu a guerra, mas, precisa de se agarrar a uma boia de sobrevivência, fazendo parecer que domina a situação.
O presidente dos Estados Unidos da América (EUA) disse neste sábado, 18, que se os iranianos não concordarem com o acordo de paz, o território “inteiro será destruído”. Donald Trump relatou à emissora conservadora Fox News que as negociações com o Irão serão retomadas no Paquistão, país mediador, nesta terça-feira, 21.
De acordo com a informação avançada por Trump, no próprio dia da entrevista ao canal de televisão terão embarcado para a segunda ronda de negociações em Islamabad (a capital do Paquistão) o genro do presidente norte-americano, Jared Kushner, e o enviado da Casa Branca para assuntos do Médio Oriente, Steve Witkoff. Já o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, não irá por questões de “segurança”.
A “última chance” …
O inquilino da Casa Branca declarou, ainda, que “é última chance” de Teerão concordar com o acordo de paz, ameaçando que, em caso de discordância, “o país inteiro será destruído”. Acrescentou, também, que não cometerá “o mesmo erro” que, segundo ele, cometeu o ex-presidente dos EUA Barack Obama, cujo governo assinou um acordo nuclear abrangente com o Irão, em 2015, que sempre foi cumprido por Teerão, mas revogado por Trump.
Na entrevista, o presidente norte-americano disse, ainda, que os principais alvos iranianos atualmente são pontes e centrais de energia, enquanto exige a reabertura integral do Estreito de Ormuz e a entrega de seu urânio altamente enriquecido.
No dia anterior, o Irão anunciou ter retomado o bloqueio da via marítima, após violações de Washington ao manter o bloqueio naval na área, impedindo que navios saiam ou entrem nos portos iranianos.
“Estamos oferecendo um acordo muito justo e razoável, e espero que eles o aceitem porque, se não aceitarem, os Estados Unidos vão derrubar todas as centrais de energia e todas as pontes do Irão. Chega de fazer papel de bonzinhos!”, escreveu Trump na plataforma Truth Social após a entrevista à Fox News. Segundo ele, as pontes e as fábricas iranianas “vão cair rápido, vão cair facilmente e, se não aceitarem o acordo, será uma honra fazer o que precisa ser feito, o que deveria ter sido feito ao Irão, por outros presidentes, nos últimos 47 anos”.
No entanto, ninguém mais leva a sério as bravatas do inquilino da Casa Branca que, por várias vezes, ameaçou destruir a nação persa para, logo a seguir, recuar. Donald Trump está sitiado e sabe que perdeu a guerra, mas, precisa de se agarrar a uma boia de sobrevivência, fazendo parecer que domina a situação.
Fim das negociações sem fim à vista
Neste domingo, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian reiterou em comunicado que o presidente norte-americano não tem legitimidade para privar Teerão de seus direitos nucleares. Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da nação persa, Abbas Araghchi, e seu homólogo paquistanês, Mohammad Ishaq Dar, discutiram por telefone “sobre os mais recentes desenvolvimentos regionais e internacionais e as relações bilaterais”, conforme um comunicado divulgado pela agência Tasnim.
Neste sábado, um dos principais negociadores, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, informou que as conversações retomadas entre Teerão e Washington haviam registado “avanços”, mas que o fim das negociações continua distante, com “numerosas divergências e alguns pontos fundamentais ainda pendentes”.
C/ Opera Mundi
Foto: The White House
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