A Assembleia da República aprovou ontem a audição do ministro dos Negócios Estrangeiros sobre o voo, classificado como de Estado, que transportou a mulher do ex-presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, e no qual foram apreendidos cinco milhões de euros. A proposta foi apresentada pelo Partido Socialista e aprovada na Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades.
Tito Gomes Fernandes foi detido com cinco milhões de dólares em sua posse, na madrugada de domingo e libertado porque o Código Penal Português estipula que crimes, cuja pena seja inferior a cinco anos, não exigem a apresentação do suspeito a um juiz de instrução. O crime principal é o de contrabando de dinheiro, tendo-lhe sido decretada a medida de coação de Termo de Identidade e Residência, mas mantém-se sob investigação.
A Polícia Judiciária portuguesa apreendeu o dinheiro à chegada de um jato privado ao aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa. Segundo a SIC Notícias, a mulher do ex-presidente também seguia a bordo, mas não foi detida.
No dia em que se iniciou a iniciativa cívica “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas”, Lígia Dias Fonseca lançou um manifesto pela “urgência e justiça” de ver mais mulheres nos espaços de tomada de decisão. A advogada defende que é tempo de os partidos políticos designarem “mais mulheres para cargos elegíveis nas próximas eleições legislativas de 2026 e, sobretudo, apresentando candidatas para a presidência da Assembleia Nacional”.
O presidente da República reitera que o pagamento das remunerações à primeira-dama foi efetuado em articulação com o executivo, as despesas foram autorizadas em sede do Orçamento do Estado e os descontos autorizados pelo ministro das Finanças. José Maria Neves considera que a forma como a questão veio à praça pública foi para desgastar a imagem do presidente da República.
Comentando a resolução do Governo que institui oficialmente a comemoração do 35.º aniversário do Dia da Liberdade e da Democracia, bem como da criação de uma Comissão Organizadora para o efeito, José Maria Neves disse que não foi informado. De todo o modo, regozijou-se com a iniciativa, mas considerou que comemorar a efeméride “exigiria a mobilização de todos os órgãos de soberania, de todos os municípios e de todos os cabo-verdianos nas ilhas e na diáspora”.
A audiência com José Maria Neves aconteceu na tarde de segunda-feira, decorrente da entrega de donativos da fundação, no âmbito da campanha lançada pela primeira-dama, Débora Carvalho, em resposta às cheias de 11 agosto.