É urgente acabar com as conferências sobre economia azul, definir e materializar investimentos estruturantes que libertem o país da dependência e criem soberania. O mar e a terra são as maiores riquezas nacionais, mas só se tornarão fontes de prosperidade se houver coragem política, visão estratégica e ambição financeira. Sem isso, continuaremos a importar aquilo que temos em abundância, presos ao papel e à retórica, celebrando como conquista aquilo que, na verdade, revela a nossa falta de ambição.
A quatro meses das eleições legislativas, o primeiro-ministro disse hoje que a intervenção em curso no teleférico de Lomba Tantum não é uma simples reparação, mas sim uma reconstrução mais profunda, com vista a garantir a sua sustentabilidade e durabilidade a longo prazo, garantindo que poderá entrar em funcionamento ainda este mês.
Este não é apenas mais um artigo listando boas ideias que morrerão em gavetas ministeriais. Este é um manifesto de urgência nacional. Cada dia que passa sem implementar estas estratégias é dia de oportunidades perdidas, de jovens embarcando em pateras, de famílias destruídas pela migração forçada, de potencial desperdiçado. O Plano Diretor do Turismo pode continuar acumulando pó, mas o povo cabo-verdiano não pode esperar mais. Precisamos de ação imediata, de vontade política real, de investimento estratégico e de visão que coloque pessoas no centro do desenvolvimento...
Um estudo de “Analise das barreiras de acesso aos programas de protecção social” revelou que menos de 10% dos profissionais das pescas e aquacultura têm cobertura de segurança social, apesar do interesse crescente em aderir ao sistema.
A interpelação ao Governo sobre a política nacional de pescas teve o desfecho que já se previa. PAICV e UCID acusaram o executivo de Ulisses Correia e Silva de falta de políticas estruturantes; o MpD devolveu a crítica e acusou as oposições de falta de ideias. O debate parece ter terminado da pior maneira: sem respostas concretas às inquietações do setor, às necessidades reais de quem sobrevive da pesca e do pescado.
Na primeira sessão plenária de janeiro da Assembleia Nacional a União Cabo-verdiana Independente e Democrática confronta o Governo de Ulisses Correia e Silva sobre os acordos de pescas e, nos transportes, sobre as “incertezas” nas ligações aéreas e “irregularidades” nas ligações marítimas. O mote das intervenções da UCID foi dado pela deputada Dora Pires.
A deputada do PAICV Eveline Ramos lamentou que, até ao momento, o executivo liderado por Ulisses Correia e Silva não tenha disponibilizado um “único centavo” para apoiar as vítimas das chuvas. E João Santos Luís, parlamentar e líder da UCID, apelou a uma distribuição “proporcional” dos recursos, para que os municípios de Santiago Norte possam repor a “normalidade de funcionamento”. Já a deputada do MpD Carmen Martins disse que o Governo está a “fazer levantamentos”.