Pensar Santiago Norte é, afinal, pensar Cabo Verde de forma mais justa, equilibrada e sustentável. É reconhecer que não haverá desenvolvimento nacional pleno, enquanto uma das regiões mais ricas em história, cultura e potencial económico continuar a ser deixada para trás.
Não há liberdade, quando a mobilidade, pilar de qualquer Estado arquipelágico, foi transformada num luxo inacessível. O transporte inter-ilhas é caro, irregular e imprevisível. Para muitos cabo-verdianos, visitar um familiar noutra ilha ou conhecer o próprio país é um privilégio inalcançável ao longo de toda uma vida. Não há liberdade, enquanto o povo aperta o cinto, o desgoverno esbanja. Milhões de dólares são gastos em show off internacional, feiras no Dubai, Ocean Race, fragatas, estátuas de 150.000 contos, escadarias de milhões na Lajinha e na Baía. Obras de vaidade,...
O Governo cabo-verdiano aprovou acordos de financiamento com organizações internacionais, no valor global de cerca de 12,7 milhões de euros, para reforçar o projeto de energias renováveis e eficiência energética do país, anunciou hoje o vice-primeiro-ministro.
A interpelação ao Governo sobre a política nacional de pescas teve o desfecho que já se previa. PAICV e UCID acusaram o executivo de Ulisses Correia e Silva de falta de políticas estruturantes; o MpD devolveu a crítica e acusou as oposições de falta de ideias. O debate parece ter terminado da pior maneira: sem respostas concretas às inquietações do setor, às necessidades reais de quem sobrevive da pesca e do pescado.
Na primeira sessão plenária de janeiro da Assembleia Nacional a União Cabo-verdiana Independente e Democrática confronta o Governo de Ulisses Correia e Silva sobre os acordos de pescas e, nos transportes, sobre as “incertezas” nas ligações aéreas e “irregularidades” nas ligações marítimas. O mote das intervenções da UCID foi dado pela deputada Dora Pires.
Reagindo à exigência de uma caução de 15 mil dólares para a obtenção de vistos de turismo e de negócios, o Governo de Ulisses Correia e Silva emitiu um comunicado onde lava as mãos e culpa os cabo-verdianos. O Governo de Cabo Verde parece ter-se assumido como porta-voz do Governo dos Estados Unidos, explicando a medida e apontando responsabilidades ao seu próprio povo, que deveria defender.
Em vésperas de eleições, o primeiro-ministro voltou a fazer novas promessas, desta feita em Ribeira Grande de Santiago. Ulisses Correia e Silva disse que o investimento se destina a estradas para melhorar a circulação, a mobilidade e a ligação do concelho à cidade da Praia. As obras estarão concluídas durante o primeiro trimestre deste ano, mesmo em cima da ida às urnas.