A Cruz Vermelha de Cabo Verde realiza nos dias 20 e 21 de Março a sua Assembleia Geral Electiva Ordinária, momento em que os delegados irão escolher os novos órgãos sociais para o próximo mandato. Arlindo Carvalho é candidato único à própria sucessão, num escrutínio que acontece após três anos marcados por desafios sem precedentes a nível nacional e internacional.
"Entre outras coisas, a operação militar especial revelou os planos do bloco ocidental, liderado pelos anglo-saxónicos, de impor uma “ordem mundial baseada em regras” à comunidade internacional, cujo único objectivo é garantir e manter a hegemonia ocidental. Este plano foi frustrado pelos legítimos interesses de segurança da Rússia e dos aliados do nosso país. É hoje claro para muitos, mesmo no Ocidente, que a sua aventura geopolítica é falha e irrealista."
Com despudor, o Governo nem se esforça um pouco que seja em camuflar as suas verdadeiras intenções: a utilização da estrutura e de recursos do Estado para a corrida em direção a 17 de maio, mesmo antes de ser dado o tiro de partida. São, seguramente, sinais evidentes de desespero, o que faz um Governo anunciar, agora, ir cumprir o que numa década nunca fez, tratando os cabo-verdianos como se fossem idiotas e padecessem da amnésia.
Dois temas marcaram os últimos dias no plano político, mas também judicial, porque desde alguns tempos a esta parte estas coisas andam misturadas e, não raras vezes, de braço dado. É um sinal dos tempos, introduzido no debate público praticamente em todo o mundo pela extrema-direita, a par do discurso moralista e de costumes que procura ocultar a sua verdadeira natureza de instigação ao ódio. Os ataques ao presidente da República e ao líder do principal partido da oposição são componentes dessa estratégia, contudo, votada ao fracasso. E aí estão os sinais de desespero a...
A pergunta é simples e incómoda: queremos continuar a gerir a dependência ou queremos construir autonomia? A abstenção crescente não é ignorância: É sintoma. É o sinal de um povo cansado de promessas, por isso, este momento exige mais do que voto: exige posicionamento, exige consciência, exige responsabilidade e exige ruptura com a normalização do medo. Temos que dizer BASTA de sermos governados pelo medo, pelo orgulho, pela raiva e pela manipulacão como afirmaria o Sócrates. A base da liberdade efetiva, nunca foi e nem será a de SOBREVIVÊNCIA, mas sim, a do bem-estar...
É importante sublinhar que este problema não é apenas uma questão de pessoas, mas de sistema. Quando o processo de nomeação não é transparente, objetivo e baseado em critérios claros, abre-se espaço para arbitrariedades. E onde há arbitrariedade, há injustiça. Num contexto militar, a injustiça é particularmente perigosa, pois mina a confiança na hierarquia e enfraquece o espírito de corpo, elementos essenciais para qualquer força armada.
Que país é esse que andamos a construir quando transformamos a cidadania num ato de prostituição política? Que ganho é esse quando o preço é a consciência, quando o salário compra a submissão, quando as carreiras se constroem sobre os escombros da dignidade? Que democracia é esta onde a liberdade de pensamento é um luxo que apenas os desempregados podem dar-se ao prazer de ter? Que futuro aguarda uma nação que ensina às suas crianças que o sucesso se conquista não com talento ou trabalho, mas com bajulação e obediência cega? Cabo Verde merecia ser a terra da liberdade que...