ONU alerta: Situação em Gaza e na Cisjordânia está se deteriorando
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ONU alerta: Situação em Gaza e na Cisjordânia está se deteriorando

Debate no Conselho de Segurança sobre Médio Oriente ressalta condições humanitárias “calamitosas” nos territórios palestinianos. representante das Nações Unidas afirma que o cessar-fogo é cada vez mais frágil em Gaza.

O vice-secretário-geral da ONU para Assuntos Políticos declarou ao Conselho de Segurança, nesta terça-feira, 28, que as tensões que abalaram o Médio Oriente nas últimas semanas “desviaram a atenção da situação nos territórios palestinianos”.

Khaled Khiari, que acompanha as regiões do Médio Oriente, Europa, Américas, Ásia e Pacífico, disse que longe dos holofotes, a situação em Gaza e na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, “vem se deteriorando de forma constante”.

Cessar-fogo cada vez mais frágil

O vice-secretário-geral da ONU destacou que a população de Gaza enfrenta ataques israelitas contínuos e mortais, além de condições humanitárias “calamitosas”. 

Já na Cisjordânia, a violência, a deslocação forçada da população e a aceleração da atividade de assentamentos (colunatos) ameaçam comunidades inteiras e minam, ainda mais, as perspectivas de um processo político capaz de resolver o conflito.

O alto representante da ONU explicou que, em Gaza, “o cessar-fogo mostra-se cada vez mais frágil”, à medida que prosseguem os ataques israelitas e as atividades armadas do Hamas e de outros grupos. 

Negociações sobre desarmamento do Hamas

Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, desde o início do cessar-fogo, aproximadamente 800 palestinianos, incluindo mais de 200 crianças e sete trabalhadores humanitários, foram mortos em ataques israelitas.

As Forças de Defesa de Israel (IDF, a sigla em inglês) declararam que seus ataques tiveram como alvo militantes e instalações do Hamas.

Khiari disse que, apesar de múltiplos esforços diplomáticos, as negociações sobre o desarmamento do Hamas e de outros grupos armados não resultaram, até o momento, em qualquer acordo, suscitando preocupações quanto a um possível retorno à violência generalizada.

De acordo com dados mais recentes, cerca de um milhão e oitocentas mil pessoas, quase toda a população de Gaza, estão deslocadas e vivendo em acampamentos, dependendo de ajuda sob fogo cruzado, infraestruturas devastadas e riscos crescentes para a saúde.

Roedores e pragas

Khiari declarou, ainda, que os planos devem ser acelerados com urgência, não apenas para a ajuda humanitária, mas também para a recuperação e reconstrução.

Por sua vez, a diretora do Escritório Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Mediterrâneo Oriental, Hanan Balkhy, afirmou estar “profundamente preocupada” com o que os profissionais de saúde e humanitários estão relatando nos locais de deslocação em Gaza. 

Uma avaliação rápida realizada em mais de mil e seiscentos locais constatou que 80% apresentam presença frequente e visível de roedores e pragas, afetando 1,45 milhão de pessoas. 

Mais de 80 porcento (%) relataram infeções cutâneas, incluindo sarna, piolhos e percevejos, com mais de 70 mil casos registados este ano.

“Ambiente de vida em colapso”

A representante da OMS afirmou que “esta é, infelizmente, a consequência previsível de um ambiente de vida em colapso”. 

As famílias vivem em tendas superlotadas e abrigos improvisados, cercadas por lixo e escombros, com acesso limitado a água potável e serviços de saneamento. 

Por último, Hanan Balkhy fez um apelo pela entrada de suprimentos laboratoriais em Gaza, pela remoção dos escombros e pela restauração dos sistemas de água e saneamento.

C/ONU News
Foto: ONU News

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