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Rogério Rodrigues, de nome artístico Roca, brindou na semana passada os bailarinos na Praia e no Mindelo com um workshop de hip hop. Mas o bailarino cabo-verdiano, reside no Porto, Portugal, não se vê como professor. “Sou mais um colega, que dá mais também recebe”.

Roca se define como um irrequieto. Um “desassossego”, como lhe chamavam na infância. A dança, bem como a música foram desde muito cedo o escape para tanta inquietação. No Palmarejo, onde morava, ele e os irmãos estavam sempre a organizar “eventos” que envolviam ambas.

“Mas como me revelei um mau DJ e não sei cantar, acabei por escolher definitivamente a dança”, conta Roca. A convite de Kumba, ex-TC Dancers, oriundo do bairro de Tira Chapéu, Roca integrou um novel grupo, Umoja, era ainda um adolescente, granjeando fama em toda a capital ao som do ritmo e dos movimentos do hip hop.

O fim dos estudos secundários ditou a sua separação do grupo. Esperavam-no em Portugal os estudos em Turismo. Na cidade do Porto, para onde se mudou e ainda hoje é o seu local de residência, por muito tempo – o tempo que durou o curso, quatro anos – colocou a dança de parte. “Na época não acreditei que podia fazer as duas coisas ao mesmo tempo, mas hoje sei que podia ter conseguido”, confessa Roca.

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Agora tenta correr atrás do tempo perdido. “Trabalho na área do turismo, mas danço para alimentar a minha alma e partilhar a minha cultura com os meus amigos, diz o bailarino, que atribui muito do mérito do seu regresso à dança aos amigos do Dope Mates. “Fizeram-me acreditar que era possível”, declara.

Não importa qual o estilo, Roca diz estar sempre pronto para dançar. Mas é o hip hop que lhe provoca “arrepios”, admite o bailarino que tem andado um pouco por toda a Europa, e também em Portugal, à cata de novos conhecimentos e novas experiências de dança. “Porque sou como uma esponja, absorvo tudo”, afirma.

E é em busca de novos conhecimentos e novas experiências que Roca veio a Cabo Verde. Entrou em férias e aterrou na cidade do Mindelo, onde tinha à sua espera 30 bailarinos. “Surpreendi-me com tão grande participação, não estava à espera de tanta adesão, mas o mais importante é que aprendi muito com eles”, diz Roca.

Na Praia, embora fosse menor o grupo, encontrou o mesmo entusiasmo, apesar de todos concordarem que ser bailarino profissional em Cabo Verde é quase uma quimera. “Mas não é difícil só em Cabo Verde. Em Portugal e em outras partes do mundo também é”, admite o bailarino, que ora dança nas ruas ora dá umas aulas muito especiais no Porto d´Artes.

“Não pago renda pelo aluguel do espaço, mas também não sou pago pelas aulas que dou”, conta Roca, confiante entretanto em dias melhores. “Estou a construir o meu caminho com disciplina e muita vontade. Acredito que um dia vou chegar onde almejo”. Até lá seguirá dando e recebendo. Cracóvia, na Polónia, e Amsterdão, na Holanda, onde vai estar na pele de aluno com alguns dos melhores dancers de hip hop do mundo, são os próximos locais de paragem.

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