O MpD se apresentará às próximas eleições legislativas de 17 de maio, ao nível interno, com um Governo inoperante, gordo, cansado, sem ideias e com desempenho altamente deprimente e negativo, na sequência de duas pesadas derrotas eleitorais recentes: presidenciais de 2021 e autárquicas de 2024, com uma lista de candidatos a deputados que mais parece uma lista de candidatos a imunidade parlamentar do que de representantes do povo e, num contexto internacional, com uma pressão inflacionária brutal propiciadora do agravamento do descontentamento popular contra o Governo que já é...
O deputado deu o seu “não” a Ulisses Correia e Silva, quando questionado se queria integrar a lista de candidatos. Paulo Veiga, que é visto como divergente do ainda primeiro-ministro, publicou nesta segunda-feira, 30, na sua página oficial na rede social Facebook, um texto intitulado “O caminho continua, com as pessoas e por Cabo Verde”, onde abre o jogo sobre a sua perspetiva política para o futuro, muito na linha da “Carta Aberta” publicada ontem por Alberto Mello na mesma rede social.
Desde 2022, estudos do afrobarometer já apontavam a sinalização de uma avaliação crítica do Governo – MpD caso as eleições fossem realizadas naquela data se projectava a derrota do MpD para o PAICV; o candidato às eleições presidenciais apoiado pelo MpD em 2021 – Carlos Veiga foi derrotado pelo candidato apoiado pelo PAICV – José Maria Neves; no levantamento de 2024, a avaliação negativa do desempenho do Governo de Ulisses Correia e Silva acentuou e empiricamente resultou no maior desastre eleitoral de sempre do MpD em dezembro daquele ano com a derrota em 15 das 22...
Ao invés de discutir política, de tentar convencer o eleitorado de que o MpD merece renovar a confiança dos cabo-verdianos, contrariando os fenómenos de rejeição do Governo e das suas políticas, toda a máquina de propaganda está centrada na figura do líder do maior partido da oposição. Ora, como no passado, persistir nesse caminho terá precisamente o mesmo fim. Já se percebeu que está tudo errado na táctica do MpD e estou a ver, na noite de 17 de maio, Ulisses Correia e Silva falando para os seus botões, murmurando ressentido: “a culpa não é minha, é do Francisco!”
O antigo primeiro-ministro, que foi alvo de sabotagem nas últimas eleições presidenciais pelo atual líder do MpD, deu um sinal de não guardar ressentimentos e estendeu ontem a mão a Ulisses Correia e Silva, considerando que o partido mantém capacidade e responsabilidade para continuar a liderar o país. Um discurso entre o regresso ao passado e os elogios de circunstância ao atual primeiro-ministro.
As eleições autárquicas de 2024 revelaram alterações relevantes nas preferências eleitorais em vários municípios, sinalizando tendências que poderão influenciar os próximos ciclos eleitorais. À medida que Cabo Verde se aproxima das eleições legislativas de 2026, intensifica-se o debate político e a avaliação do desempenho das forças governativas e da oposição. Mais do que uma disputa entre partidos, este processo representa um momento crucial de exercício democrático, em que os cidadãos analisam propostas, trajectórias e perspectivas para o futuro do país.
O PAICV acusou hoje o Governo de estar a “manipular” o Cadastro Social Único para fins eleitorais, mas o executivo nega a acusação.