Comentando o comunicado do Governo sobre a suposta ausência de cobertura da Televisão de Cabo Verde durante uma visita do primeiro-ministro a Santiago Norte, o presidente da AJOC considera tratar-se de mais um ato de intromissão: “Quem deveria dar explicações é a diretora da TCV, que está ilegalmente suspensa. O Governo que vá pedir explicações ao Conselho de Administração, que é o único responsável por esta situação de vacatura”. Geremias Furtado fala, ainda, sobre as “lamentáveis declarações” do diretor da RCV, a “passividade” do Conselho Independente da RTC...
A jornalista Margarida Moreira está a ser vítima de pressões ilegítimas do Conselho de Administração (CA) da Rádio Televisão de Cabo Verde, que pretende obriga-la a aceitar o cargo de diretora da TCV. A denúncia é do presidente da AJOC, Geremias Furtado, que acusa o CA de “violação grosseira da Lei da Comunicação Social e da Lei da Televisão”.
A FIJ - a maior organização internacional de jornalistas - exige levantamento imediato da suspensão da diretora da TCV e o fim da interferência política nos meios de comunicação social. Anthony Bellanger, o secretário-geral da organização, considera que as manobras políticas destinadas a desacreditar o trabalho de jornalistas são um ataque direto à liberdade de imprensa e totalmente inaceitáveis em uma sociedade democrática.
Profissionais da Rádio Televisão Cabo-verdiana, em articulação com a AJOC, promovem amanhã uma vigília à porta da TCV, a partir das 15:00. Pela liberdade de imprensa, em denúncia dos atropelos do Conselho de Administração, contra a abusiva e ilegal intromissão nos conteúdos editoriais, e em solidariedade com a jornalista Dina Ferreira, são os objetivos da vigília.
O comunicado (sem data, mas tornado público na última sexta-feira) emitido pelo Conselho de Administração (CA) da Rádio Televisão Cabo-verdiana (RTC) e assinado pela PCA Karine Miranda, ao contrário de apaziguar os ânimos dentro da empresa, veio criar ainda mais contestação interna. O comunicado passa por cima de uma deliberação da ARC, que dá razão à diretora da TCV, Dina Ferreira, e condena a conduta do CA. E também não tem em conta o parecer do Conselho de Redação da televisão pública.
A Associação Sindical dos Jornalistas de Cabo Verde manifestou, em comunicado divulgado esta manhã, indignação pela decisão do Conselho de Administração da RTC em aplicar à diretora da Televisão de Cabo Verde a sanção disciplinar de suspensão por 45 dias, com perda de remuneração. Segundo a AJOC, trata-se de um ato de represália e de intimidação grave, incompatível com os princípios de uma imprensa livre e independente.
Cabo Verde, tantas vezes apontado como exemplo de democracia e liberdade de imprensa em África, vive hoje um clima de tensão que ameaça corroer os seus alicerces. Nos últimos meses, jornalistas, advogados e políticos da oposição têm sido alvo de processos judiciais, acusações controversas e até ameaças de buscas em suas residências. Entre os nomes envolvidos destacam-se Hermínio Silves, Rosana Almeida, Amadeu Oliveira e Janira Hopffer Almada.