O ex-bastonário da Ordem dos Advogados, Arnaldo Silva, decidiu quebrar o silêncio, cinco dias após a sua detenção, para afirmar que a acusação de que está sendo alvo foi feita com base em "factos vagos, genéricos e abstractos", porque, defendeu, por detrás de tudo haverá "uma cabala" par a atingir o actual Primeiro-Ministro, antigo presidente da Câmara Municipal da Praia.
A líder do PAICV anunciou esta quarta-feira, 11 de setembro, que vai levar ao parlamento uma proposta de lei de responsabilidade territorial, visando uma “gestão rigorosa e transparente” de solos, mas escusou-se a pronunciar-se sobre a detenção de Arnaldo Silva.
Actual primeiro-ministro foi quem assinou, enquanto presidente da Câmara Municipal da Praia, o memorando de entendimento com o advogado da família Sousa, que estipulava a repartição a meias dos lucros pelas vendas das terras de Fernando Sousa. E Janine Lélis, actual ministra da Justiça, participou como sócia de Arnaldo Silva em celebrações de contratos de compra e venda dos terrenos que levaram à detenção do ex-bastonário na semana passada.
O País assistiu em 2014/15 ao desfilar de um cortejo de denúncias públicas, em catadupas, de escândalos e mais escândalos financeiros que envolviam figuras públicas de proa do panorama político cabo-verdiano, tendo como palco não só o Parlamento, mas também a sociedade civil, através de redes sociais, jornais, rádios e televisão da época. A celeuma à volta desses escândalos atingia, de forma inequívoca, membros do governo, deputados, autarcas e figuras políticas ligadas ao sistema PAICV.
O jornal ABC Canárias alertou os empresários desse arquipélago com negócios em Cabo Verde no sector imobiliário, a abandonar rapidamente este país a fim de evitarem a perda dos seus investimentos. Em causa, a detenção de Arnaldo Silva e um despacho do Governo a anunciar a recuperação de terrenos das ZDTIs que "estavam a ser utilizados para fins meramente especulativos".
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O advogado de Arnaldo Silva no caso em que este foi detido por indícios de práticas ilícitas na compra e venda de terrenos da Praia, José Manuel Pinto Monteiro (foto), disse o Ministério Público (MP) “está a fazer política”.