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Por: José Lopes

A propósito das afirmações do edil de São Salvador do Mundo, garantindo que “mais de 100% das realizações previstas para o primeiro ano de mandato  já foram conseguidas”

As afirmarções publicadas no diário digital Santiago Magazine, no dia 20 de Outubro, em que o Sr. Presidente da Câmara garantira que em São Salvador do Mundo, já se ultrapassou as realizações previstas para 1º ano do seu mandato, constituem uma clara insensatez política, e um tremendo desrespeito para com a população deste querido Município. Pois, só pode tratar-se de falta de sensatez política, e/ou brincadeira de mau gosto quando o responsável político de um dos Municípios mais pobres de Cabo Verde (49,7% da população vive na pobreza) afirma orgulhosamente que já cumpriu todos os objectivos traçados para um ano de mandato. Bem, se aquelas afirmações são refletem alguma verdade, é porque as realizações previstas (não a lista de intenções plasmadas no plano de actividades, porque dessa lista muita pouca coisa ainda foi realizada) são extremamente insuficientes e não condizentes com os desafios que São Salvador do Mundo enfrenta.

Pegando em algumas das suas afirmações: em relação ao “desencravamento de várias localidades”, deve-se dizer que, pelo que se sabe, a Câmara apenas procedeu o calcetamento de um quilômetro do troço da estrada que vai de Abobreiro até à Escola de Covão Grande, obra essa, que apesar de algumas deficiências apontadas, mereceu e merece o devido reconhecimento de todos os munícipes. Do mesmo modo, também aplaudimos a continuidade do calcetamento da estrada de Picos Acima (via Djuncu), obra essa fruto do contrato programa que o governo assinou com vários outros municípios. Que venham mais!

Quanto à afirmação de que a Câmara já procedeu a “melhoria das habitações de mais de uma centena de famílias”, todos nós ficariamos contentes se isso fosse de facto verdade. Contudo,  temos um mar de razões para não acreditarmos nela. E de facto ela não é verdade! Primeiro porque, no plano de actividades para 2017 apresentada pela autarquia, alocou-se apenas um montante de dois mil contos para a rúbrica Construções/Reabilitações de habitação social (embora na proposta do orçamento fosse diferente). Com apenas dois mil contos já se conseguiu fazer a construção e reabilitação de habitações de mais de uma centena de familias? Gostariamos que o sr. Presidente nos explicasse como conseguiu este grande feito. Uma outra razão para não confiarmos nesse feito, é porque sempre que lhe é colocada questões que tem que ver com a problemática da habitação social no Município, a resposta do Sr. Presidente (quando responde), tem sido a mesma: “ela já está identificada e nós vamos resolvê-la no âmbito do programa de habitação do governo que merecerá o apoio da China”. Resposta essa meio sarcástica, porque ela demonstra uma não resposta, ou seja, a ausência de um plano do município para debelar aquela situação. Enquanto uma autoridade local, a Câmara deve mostrar-se empenhada na construção de soluções para os problemas a nível do seu território, sem dispensar contudo a colaboração do governo e de outras entidades. No entanto, o comportameto coitadista, que se traduz pela mercê da vontade ou de inicitiva de outrem para poder dar resposta aos problemas do Município deve merecer o nosso repúdio. Os munícipes não aprovam essa atitude.    

No que diz respeito à “gestão criteriosa” dos bens do município, como garante o sr. presidente, concordamos sim, que ela deve ser uma gestão com base em critérios legais, e que gera mais valia para o bem do Município. Já agora aproveitamos o ensejo para fazermos algumas perguntas de esclarecimento sobre essa “gestão criteriosa”. Em primeiro lugar, alguns munícipes questionam sobre a residência oficial do Presidente, um edifício construído com dinheiro público, portanto um bem público, e que o Sr. Presiente recusa ocupá-lo, em vez disso preferindo receber um subsídio de renda mensal. Subsídio esse que podia ser empregue/investido em sectores que geram mais valia para o concelho. Esta é também uma “gestão criteriosa” de um bem público? E o que dizer da alienação de patrimónios, concretamente da viatura que vinha sendo afeta à Assembleia Municipal, sem qualquer concurso como manda a lei das Finanças Locais?

Ainda a bem dessa “gestão criteriosa” dos bens do município, importa dizer que a equipe camarária tem negado sempre faculatar os documentos de gestão e execussão do orçamento que lhe tem sido solicitados pela Assembleia Municipal (a pedido dos deputados), afim de que este orgão possa exercer a sua competência de fiscalização administrativa e financeira da execução orçamental como manda a lei.  

Portanto, sr. Presidente, não cremos que a sua convicção de um “balanço extremamente positivo” deste primeiro ano do seu mandato seja também a convicção dos munícipes. Os munícipes não têm esta percepção. Totalmente o contrário. Será que os jovens de Leitãozinho, a quem prometeu uma placa desportiva para 2017, tem essa percepção? E a população de Pico Freire, a quem foi prometida a conclusão da via de acesso a essa localidade, e que apesar de o governo ter aprovado uma verba de 12 mil contos para o efeito (Boletim Oficial nº 31, I Serie de 30 de Maio de 2017), a obra nunca chegou a ser realizada? Será que as pessoas desta localidade têm uma apreciação muito positiva do seu mandato? E os pais e encarregados de educação, os jovens de Picos Acima e outras localidades, cujos votos foram conquistados com base em promessas de subsídido de transporte escolar, subsídio para o pagamento de propinas, apoios para a criação de auto-emprego, reabilitação de suas moradias, e que ainda não viram essas promessas concretizadas, será que apreciam muito positivamente o seu mandato? Não cremos que seja sim, Sr. Presidente.

Terminando, cremos que seria muito mais conveniente uma assunção clara e corajosa dos problemas por que passa o município, em vez de estar a escamoteá-los e a embarcar-se num tentavia vã de ludibriar os municípes. O que queremos conhecer nesse momento sr. presidente, é o seu plano municipal para socorrer a população afetada por um mau ano agrícola, o seu programa de incentivo à criação de pequenas empresas, promovendo o auto-emprego jovem e sobretudo no seio das mães chefes de familia; o seu programa de habitação social, que não existe; queremos conhecer e ver implementada a política municipal de juventude e de promoção desportiva, um autêntico calcanhar de aquiles do seu mandato.

Picos merece muito mais do que o sr. Presidente afirma ter realizado. Picos não precisa de só de promessas, nem de ilusões, e nem tão pouco que se finja que os seus problemas estão resolvidos, porque não estão. Picos precisa sim, de soluções concretas para o bem da sua população e do seu desenvolvimente.

Portanto sr. presidente, não finja, e não iluda as pessoas que já atingiu mais de 100% das realizações previstas, porque isso não corresponde a verdade. Não apresente ilusões, apresente soluções. Afinal, o exercío da política é uma actividade nobre, quando ela é exercida com a nobreza que merece. Dizia alguêm que “o mau político carrega consigo uma aparência de humildade fingida, e na prática abusiva de uma linguagem serena, assume a liderança de mais um [falso] sonhador.”

José Lopes

Deputado na Assembleia Municipal de São Salvador do Mundo

Comentários  

+1 # Ze Miguel 02-11-2017 12:59
Gostei do artigo , colega de[censurado]do.
So estou satisfeito com a equipa porque moro na praia e vou apenas 4 vezes por mês a picos e ganho 70 contos como Secretário da Assembleia Municipal.viva sem djobi pa ladu
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+1 # Jalalo Ramos 02-11-2017 12:54
O senhor Ângelo Vaz, advogado sem categoria e que nomeia os primos para juntos roubar o município. Esses senhores devem ir parar na cadeia de São Matinho.Pergunta o secretário da Câmara, primo direto do Presidente de Câmara pelos dinheiros roubados para construir o primeiro andar na casa da mãe em cacheu. Essa denúnci já deveria esta na sua mãos da polícia judiciária e do Ministério público.Ladroes dentro da igreja e falsificadores de documentos
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+1 # Joana silva 02-11-2017 11:17
Ola camara da jose Lopes.
Esse presidente de cambra é muito mentiroso e sem condições para governar a sua pessoa quanto mas governar um município.
Tem 37 anos e mora na casa do seu pai, nunca teve uma panela.um Presidente que não sabe quanto custa um kilo de arroz ou 1 bloco para construir. Ele recebe muito dinheiro para subsídio de renda, mas mora na casa de Eugênio estevao em vez de morar a residência da Câmara.Estamos todos tramados com esse mentiroso de quinta categoria
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+1 # Jose 02-11-2017 09:22
Muito Bem visto
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+2 # Graciano Moreno 01-11-2017 16:56
Fantástico,"Zema" Lopes.
Foste deslumbrante meu caro.
Confesso-te que já estava à espera desta tua justa reação, em prol de Picos e das suas gentes, pois São Salvador do Mundo não merecia ter um Presidente de Câmara deste tipo, um Presidente que não tendo obras para apresentar, no fim de um ano do seu mandato, resolve falar à comunicação social, sobre o vazio, num estilo completamente incauto, falseando praticamente tudo, ao invés de conter-se.
Não pretendo tecer mais considerações sobre as inverdades do Sr. Presidente Ângelo Vaz, até para não estar a maçar ao público leitor, e aos munícipes de SSM, porquanto estou em crer que o meu camarada José Lopes foi suficientemente abrangente.
Contudo, não podia terminar este meu breve comentário, sem me referir a esta de "gestão criteriosa" dos recursos do Município, que o Sr. Presidente Ângelo Vaz destacou nesta sua entrevista, para dizer que este é, indubitavelmente, o ponto mais fraco, diria negro até, deste seu mandato, sobretudo, por duas ordens de razão:
Primeiro esta questão da residência oficial do Presidente de Câmara, que efetivamente, está a tornar-se vergonhosa, e que temos vindos a denunciá-lo, desde há já algum tempo:
Em segundo lugar, um outro exemplo negativo e mais paradigmático, ainda, quando se fala de "gestão criteriosa" de recursos do Município, é que, proximamente, confiando na justiça, o Sr. Ângelo Vaz vai ser obrigado, pelo Tribunal, a pagar centenas de contos, com recursos do Município, a dois funcionários que ele despediu ilegalmente, e colocou-os em casa, durante 8 meses e meio, sem produzir nada para o Município, pois, trata-se de uma sentença, proferida em sede de Providência Cautelar, pelo Supremo Tribunal de Justiça, em 30 de Janeiro passado, que já transitou em julgado, e que ele tem de cumprir, independentemente do desfecho da Ação Principal, que neste momento, corre trâmites, no Supremo Tribunal de Justiça.
E daí, a seguinte pergunta,
Será esta a "gestão criteriosa" dos recursos do Município que ele disse estar a fazer?Lamentavelmente!!!
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+1 # Jose 02-11-2017 09:22
Verdade Graciano
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+3 # Elsa Furtado 01-11-2017 13:59
Caro amigo José Lopes parabens pela frontalidade! Se o q diz seja verdade, isso significa q a outra parre extropelou! Devemos ter a hombridade suficiente para encarar os factos de frente.
Muito me admira o nível de pobreza dos Picos! Isso significa q as potencialidades estão por explorar. Força la e q os interesses da população estejam smp de cima
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0 # Jose 02-11-2017 09:20
Ola Elsa, de facto a pobreza nos Picos é gritante. E deve ser mesmo encarado com forntalidade. Esperemos que a Câmara reage e que contrapõe aos às infomações que apresentei com dados.
Obrigado
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+3 # Torres 31-10-2017 10:22
Ilustre José Lopes.
O seu artigo, merece um grande preito da minha parte.
Espero que os Salvadorenhos saibam de forma desapaixonada, tirar as ilações. Para o efeito, deixo aqui a minha dica, sobre esse prisma.
I) Analisar a realidade atual no município.
ii) Analisar o artigo de José Lopes.
iii) Analisar a declaração da edilidade.
Hão de chegar a conclusão que artigo de José Lopes é uma verdade cristalina
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+2 # ATENTO 31-10-2017 08:58
Bem dito Camarada José Lopes... Este gajo anda a delirar... ele pensa que os São Salvadorenhos estão a dormir como ele e a sua equipa estão a fazer.
Agora eu pergunto onde (qual localidade), foram construídas e reabilitadas estas casas?
Quais das promessas para 2017 foram cumpridas em relação aos jovens no que tange o emprego e desporto?
Quais são as políticas para a educação, sem a cópia da implementação do anterior Presidente?
Este equipa ainda nada de novo trouxe no que tange a implementação de politicas sociais que vão de acordo com as expectativas dos munícipes. Simplesmente estão no copy past, da anterior equipa... Sima krioula ta fla es sta na bambo.

É de esperar porque este governo é um governo de muita falácia e de pouca prática... falam falam que perdem no tempo, pensando que estão na prática.
Eu quero ver o plano de emergência para o nosso concelho, visto que todos os municípios estão a preparar e apresentar os seus. Queremos que seja em tempo recorde porque é para salvar os gados e não as ossadas... Queremos soluções imediatas, sem rodeios e promessas, porque de promessas estamos fartos.
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