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Por: Maria Marelene Rodrigues Furtado

 Marlene Rodrigues

A nossa reflexão recai sobre o modo como caminha a nossa vida nessa época que chamaria de modernidade virtual e individualista, ou ainda como Bauman (2005) prefere dizer modernidade líquida/tardia.

Desde os anos 70 surgiram as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (NTIC) no contexto da revolução informacional e vieram a tomar forma sobretudo nos anos 90. Hoje já não se consegue imaginar a nossa sociedade sem essas tecnologias de informação e de comunicação. A maior parte da convivência deixou de ser física passando a ser virtual e verifica-se que o uso rotineiro dessas novas tecnologias agudiza o fenômeno chamado de individualismo, sobretudo no seio da família.

Bauman (2005) começa por caracterizar a sociedade em que nos encontramos como sendo aquela em que tudo é temporário, fluído, diferentemente do sólido que mantém a sua forma. Numa sociedade marcada pela fluidez ou liquidez os valores são tão relativos, e a relação entre pessoas é menos tensa.

A vida líquida, segundo Bauman (2005), formata uma modernidade virtual e individualista. A vida líquida acarreta a destruição criativa, uma vez que assegura a destruição de outros modos de vida e, de forma indireta, dos seres humanos que os praticam.

Portanto, o termo que melhor nos ajuda a entender a nossa época é o da modernidade virtual e individualista. Modernidade virtual isto porque os indivíduos dessa época estão a passar o maior tempo das suas vidas a interagir pela internet, substituindo a interaçao fisica pela virtual. E o termo individualista na medida em que as pessoas se encontram mais afastadas uma das outras dando a atenção somente às novas tecnologias de informação e comunicação deixando que essas roubam o tempo da convivência fisica.

Por exemplo, é uma evidencia que a maior parte dos relacionamentos hoje ocorem de forma virtual. As pessoas, as famílias e os grupos ocupam boa parte do seu tempo e do seu lazer com as novas tecnologias de informação e comunicação, particularmente, a internet. Essa tendência tem a particularidade de acentuar a superficialização das relações entre as pessoas e o individualismo.

Por outro lado, a internet já se tornou ominpresente nas vidas particulares na nossa época, ocassionando, inclusive, situaçoes de perda de controle. Por exemplo, estar desconetado das redes sociais virtuais gera preocupações, lamentos, fadigas e sensaçao de perda, o que propociona um estado de ansiedade constante.

Isso acarreta novos padrões de relacionamentos familiares, com transformações no uso do tempo e do espaço no contexto da vida familiar, e consequências improváveis no que se refere a coesão e união entre os membros da familia. Hoje a internet tornou-se melhor amiga e companheira dos individuos. Passamos o dia todo a disfarçar da conversa com as pessoa dentro de casa, querendo dar mais atenção à internet e outras novas tecnologias em geral.

Como fica a adrenalina da convivência com a família sobretudo quando todos se encontram presentes? Qual é a importância e o lugar da família nos dias correntes? De que forma o uso da internet e das outras novas tecnologias de informação e comunicação é uma vantagem pessoal e social? Essas são algumas questões que no decorrer dessa reflexão iremos retrucar.

A família como sendo principal agente e instituição da construção da personalidade da criança, a base para o processo de socialização da mesma, a principal agente conselheira, principal suporte emocional ainda detém o seu lugar no espaço social. Em família os costumes, os hábitos, a cultura, o amor e a confiança torna-se mais sólido e menos volátil. Deferentemente do que acontece no mundo virtual.

O uso cautelosa das ntic seria uma vantagem, não só para o individuo mas para o proprio bem estar social.

Deteta-se que os individuos da nossa epoca são tão individualistas aponto de passarem maiores tempos dos seus lazeres com   as ntic.

Bauman (2001) no livro Modernidade Líquida vê que a sociedade moderna se caracteriza por fluidez onde a individualidade é o produto final de uma transformação societária disfarçada da descoberta pessoal. Castells (2006) por sua vez, no livro A Sociedade em Rede vê que a principal característica da sociedade em rede é a transformação da área da comunicação incluindo os medias.

No que concerne aos eventos, já não faz parte da nossa realidade ir a um evento e não deixar visível na internet. Os segredos de vida são depositados com toda confiança na internet. Na Internet todos são nossos amigos mas na vida real nem por isso, nos comentários da sociabilidade virtual todos e todas são lindas e lindos mas na sociabilidade real isto não é verdade porque o que prevalece é a própria realidade. O indivíduo perde a sensação do eu com simples moldura da foto e se considera a moldura um eu real e se transforma em perfil e esquece do eu real. Consequência: desconhecimento. Desconhecimento por parte dos outros, na medida em que o eu virtual não coincide com o eu real, e assim sendo, a pessoa com quem falava na sociedade virtual desconhece aquela quando as mesmas se cruzam no mundo real. A foto é publicado com a intenção de ganhar mais gostos e não a intensão de ser reconhecida por alguém, e sendo assim cai-se na moldura. É o reino do simulacro, conforme Jean Braudilard (1981).

Em 1988, Sennett no livro O Declíneo do Homem Público argumentava que a crença predominante era de que a aproximação entre pessoas era um bem moral, mas deteta-se que essa crença/esse bem moral está a perder o vigor nessa época atual uma vez que, cada vez mais as pessoas se encontram mais afastadas uma das outras devido ao próprio uso massivo das NTIC. O que prevalece hoje é o fenómeno «individualismo» e este em uma posição antagónica com o dito «aproximação».

Finalizando, é verdade que as novas tecnologias de comunicação e de informação (como a Internet) vêm aumentando as nossas redes de amizade e facilitam a comunicação entre as pessoas em espaços geográficos diferentes, mas ao mesmo tempo elas diminuem a coesão social nos espaços de interação fisicos. Não é de se esquecer que a nossa época atual ela pode ser definida como modernidade virtual e individualista, tendo como principal caraterística o individualismo e a superficialização das relações. Se antes o indivíduo sofria violência no mundo físico e apenas nesse, hoje já sofre tanto no mundo virtual (ciberbullying) quanto no real. Enfim, é de se reconhecer os benefícios das novas tecnologias sim, mas também devemos estar ciente dos prejuízos que elas causam.

Maria Marelene Rodrigues Furtado

4°ano licenciatura em Ciencias sociais vertente ciencia política

Bibliografia de Apoio:

BAUMAN, Z. (2001). Modernidade Líquida. Polity Press: Jorge Zahar.

BAUMAN, Z. (2005). Liquid Life. Cambridge, Eng: Polity Press.

CASTELLS, M. (2006). A sociedade em Rede: do conhecimento à ação Política. Lisboa, Imprensa Nacional: Casa da Moeda.

SENNETT, Richard. Declíneo do homem público: as tiranias da intimidade. São Paulo: companhia das letras, 1988 (quarta parte: A sociedade intimista, pp. 317-414)

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