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Clima organizacional e avaliação dos gestores
Ponto de Vista

Clima organizacional e avaliação dos gestores

Por razões profissionais e interesse pessoal, tenho consultado muita literatura sobre o comportamento organizacional, o que me tem permitido, a par da minha experiência profissional e de relatos de experiências de outras pessoas, reflectir sobre o ambiente que se vive em muitas das nossas organizações, particularmente as públicas.

Desde logo, tenho constatado que se fala muito em produtividade e nada ou quase nada sobre o clima organizacional, entendido aqui como a percepção colectiva ou maioritária dos colaboradores em relação às políticas e práticas de gestão implementadas e seus efeitos sobre a saúde, a satisfação e a motivação destes. Não se vê a produtividade como construção e, consequentemente, resultado de um processo que se desenvolve num determinado ambiente e para o qual concorrem vários factores, particularmente os de ordem psicossocial.

Neste sentido, tive a curiosidade de consultar os dados estatísticos sobre a saúde publicadas pelo Ministério da Saúde e não encontrei (não quero dizer que não existem) dados sobre a saúde mental e seus factores associados. Seria, pois, interessante conhecermos a fundo essas estatísticas (ou produzi-las) e sua relação com o clima organizacional que se vive em várias das nossas instituições públicas.

Refiro-me, em concreto, às organizações em que sistematicamente o processo de decisão é marcado pela ausência da participação dos colaboradores (que não são tidos nem achados porque o senhor presidente, o senhor ministro ou os senhores presidentes dos conselhos de administração, das comissões executivas ou directores gerais assim disseram ou determinaram, qual magister ou sábio grego). Isto é, as decisões são tomadas e implementadas de forma unilateral e de cima para baixo, com total descaso pelos efeitos que isso tem ou possa ter no clima organizacional, gerando um ambiente de desmotivação, insatisfação e stress entre os colaboradores. Independentemente de serem certas ou ajustadas, essas decisões são para se cumprir e ponto final! Não compreendem os decisores que, mesmo para as decisões adequadas, é preciso construir um ambiente favorável e de envolvimento para que se efectivem com sucesso e sejam perenes.

O ambiente organizacional descrito é tanto mais negativo sobretudo quando se associa, de forma mecânica e quase que unifactorial, o controlo à produtividade. Sob a capa de produtividade ou do seu aumento, estende-se e sofistica-se os mecanismos de controlo dos colaboradores, sem haver nenhum mecanismo ou instrumento fiável que mostre os resultados positivos desta equação. Nesses casos, para o gestor tudo é tão evidente e todos aqueles que ousarem criticar ou contrariar são apelidados de “pequeno grupinho”.

Estou cada vez mais convencido de que é mister se fazer a avaliação dos nossos gestores públicos e da sua performance, mas sobretudo pelo clima que se vive nas instituições que dirigem. Porquê? Porque os resultados (produtividade) não surgem por mero acaso e muito menos em organizações onde a avaliação do clima organizacional é negativa, com efeitos também negativos sobre a saúde, a satisfação, a motivação e o comprometimento dos colaboradores para com a instituição.

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