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Por: José Gabriel Mariano

Reza assim um dos parágrafos do roteiro da visita presidencial de Jorge Carlos Fonseca, Presidente de Cabo Verde, ao meu país -, onde trabalho, onde resido e onde nasci, mas pouco tempo relativo ainda vivi -, publicado na página oficial da Presidência da República de Portugal. O realce em letras maiúsculas é meu.

“NA SEXTA-FEIRA, após uma visita à Fundação Champalimaud, O PRESIDENTE JORGE FONSECA fará uma visita ao bairro da COVA DA MOURA, a que se juntará o Presidente a República, para um almoço. O Chefe de Estado de Cabo Verde será depois recebido na Assembleia a República. NO FINAL DA VISITA À EXPOSIÇÃO “MORTE À MORTE! 150 ANOS DA ABOLIÇÃO DA PENA DE MORTE EM PORTUGAL - 1867-2017” patente na Assembleia, o Presidente Jorge Carlos Fonseca parte para o Porto, onde terá um encontro com empresários”.

Interessante apreciar esta visita e o recado ou recados que, quanto a mim, são enviados a JCF.

Mas antes, recordemos o que disse Marcelo Rebelo de Sousa, naquilo que nos interessa, ao receber o Presidente de Cabo Verde, in DN de 22/11/017.

  1. Elogiou hoje o contributo da comunidade cabo-verdiana para a sociedade portuguesa e defendeu que Portugal e Cabo Verde devem, bilateralmente, "dar mais passos no sentido da circulação das pessoas".
  2. O chefe de Estado português considerou que as relações as nações e os povos de Portugal e de Cabo Verde são excelentes e que é difícil superar o atual grau de proximidade.
  3. "Essa excelência deve muito à presença dos nossos irmãos cabo-verdianos em Portugal, é uma comunidade antiga, entrosada na sociedade portuguesa, que tem contribuído todos os dias para o avanço da sociedade portuguesa e a quem muitíssimo devemos. E aqui fica registada a gratidão do Presidente da República de Portugal".
  4. Referindo-se ao intercâmbio entre estudantes dos dois países, Marcelo Rebelo de Sousa declarou: "Somos sensíveis a tudo quanto possa ser feito para articular melhor as várias instituições para responder a preocupações de estudantes cabo-verdianos em Portugal relativamente aos seus vistos e relativamente à sua permanência entre nós, que para nós é tão importante".
  5. "Também bilateralmente é importante dar mais passos no sentido da circulação das pessoas, da mobilidade entre as pessoas".
  6. Depois de referir os 10 anos de parceria do Arquipélago com a U.E., no plano multilateral, o Presidente da República reiterou o apoio de Portugal ao "aprofundamento" da parceria entre Cabo Verde e a União Europeia e congratulou-se com "os passos dados ou a dar por Cabo Verde no quadro da mobilidade com a União Europeia", defendendo que "isso é positivo para a União Europeia, é positivo para Cabo Verde, é positivo para Portugal".
  7. No quadro da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), Marcelo Rebelo de Sousa salientou que Cabo Verde vai acolher a próxima cimeira e atribuiu-lhe "uma especial responsabilidade e um papel muito importante, porventura determinante" para reforçar a visibilidade desta comunidade.
  8. "E também para levar por diante um projeto que nos é querido: a mobilidade dentro da CPLP", acrescentou.
  9. Em termos bilaterais, o chefe de Estado português destacou "as relações económicas, em domínios como a construção, a alimentação, a economia da saúde, a economia da educação, o turismo, os transportes, a logística, as energias renováveis", e também a cooperação no domínio da economia do mar.

Em termos gerais, percebe-se que existem muitos recados. Também MRS referiu-se à excelência do ensino das escolas portuguesas do Mindelo e da Praia, deixando perceber o resto que não acontece corretamente na Educação e no Ensino em Cabo Verde. Deu ênfase, com o seu tom de voz, aos 10 anos de parceria com a União Europeia, olhando diretamente para JCF. Já são 10 anos de parceria, digo eu, e em Cabo Verde há trabalho infantil e prostituição infantil, 100.000 pessoas defecam a céu aberto, a Educação em decadência, o Ensino pobre! Já podia estar um pouco melhor ou bastante melhor, talvez!

Mas o que me atraiu a minha atenção foi a visita de JCF à EXPOSIÇÃO “MORTE À MORTE!

Façamos um compasso de espera. Passemos antes por uma antecâmara.

São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e a Guiné-Bissau têm desempenhado um papel muito feio, muito triste e muito desleal, no que concerne à Guiné-Equatorial e o desejo doentio, obsessivo de meter, seja de que maneira for, aquele país governado por párias e ditadores na CPLP. Não desenvolvendo muito, sabemos que aquele país integra a pena de morte no seu ordenamento jurídico-constitucional, existe exploração das mulheres e das crianças, há extrema pobreza, o índice de mortalidade infantil é muito grande, existe alta corrupção e implantada em todos os setores da vida económica e política, entre tantas e outras realidades que demonstram a sociedade decadente. O apetite e o desejo doentio são por causa do seu petróleo.

Aqueles governantes, sabendo da realidade equatorial, fizeram de conta que de nada sabiam e que estavam no relacionamento normal e equilibrado entre Estados ao promoverem a entrada do país na CPLP. Ora, as declarações de JCF e de Trovoada são públicas. Todos as deveriam conhecer, se ainda não as conhecem. Muitos de nós já conhecemos os seus apetites e as vontades de incluírem na CPLP a Guiné-Equatorial e sua família Obiang.

Por isso, entendo que o Povo português, representado pela Assembleia da República de Portugal, deu um valente e grande puxão de orelhas ao Presidente da República de Cabo Verde, mais precisamente ao indivíduo Jorge Carlos Fonseca, ao convidá-lo para a “MORTE À MORTE! 150 ANOS DA ABOLIÇÃO DA PENA DE MORTE EM PORTUGAL - 1867-2017”. Será para lhe explicar a ele, senhor Presidente – indivíduo -, que não deve, nem é bonito andar pelos bastidores da política internacional a influenciar as pessoas para que apoiem a adesão da Guiné-Equatorial à CPLP, sem depois assumir-se nem dar a cara sobre um tema que sabe que Portugal reprova de imediato. Mas Vossa Excelência teve o dom de passar despercebido até ao dia em que se descobriu e percebeu-se o que fez estes anos todos de figura pública e política. Criou uma situação ingrata ao Estado português que agora tem que ir limpando as incorreções cometidas. Claro que o Primeiro-ministro Trovoada assumiu tudo em nome próprio, as despesas da publicidade e da propaganda, secundado, despercebidamente, pelo atual Primeiro-ministro da Guiné-Bissau, na adesão daquele país. Depois há a “Zona da Sombra”, quase imperceptível.

Quanto à CPLP, no figurino que toma, com as pessoas que por lá pululam, não acredito nela. Acredito sim no clube privado de linguajar português (cplp). Para mim já é uma instituição minada, sem credibilidade internacional, apoiando um regime pária e ditatorial como a Guiné-Equatorial. Perdeu todo o crédito que ainda havia dentro de mim. Ninguém falante da língua portuguesa precisa daquele organismo que se diz internacional. Só serve para denegrir mais as pessoas e os países que dele(a) fazem parte. Mas há pessoas que não se importam, pois estão lá apenas para as negociatas privadas e pessoais.

Termino dizendo que o Povo português anda e está atento ao que se passa! Atento a quem pretenda violar os direitos fundamentais da pessoa, e atento mesmo àqueles que, camufladamente, por portas e travessas, querem mostrar uma coisa e depois apresentam-se-nos outra. Muito respeitadores, até admirados, recebem prémios e galardões, muito tolerantes, muito batalhadores pela não discriminação, pela justiça social, pela democracia, mas depois, nas nossas costas, vão deixando acontecer, o que não pode acontecer de maneira alguma, para que não haja o bem das pessoas e do Mundo em geral. Pois, o Povo português deu um valente e grande puxão de orelhas a JCF: o senhor é Mestre em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa, onde estão os valores que lhe ensinaram, foi galardoado como Doutor Honoris Causa pela mesma Faculdade da Universidade de Lisboa! Mas também devo confessar que estamos cá para isso. Não deixar as nossas ovelhas tresmalharem-se! Seja bem-vindo ao Mundo da democracia e das liberdades, dos respeitos e das tolerâncias, senhor Presidente da República de Cabo Verde. Já está sinalizado. Nem que seja empurrando a pessoa para dentro da democracia e da liberdade. A não ser que não seja essa a sua vontade. Aí, não podemos levá-lo à força!

É mais fácil procurar ser correto que andar uma vida inteira a tentar tapar as incorreções!

José Gabriel Mariano, Lx, 23/11/017

Comentários  

0 # Aristocrata 27-11-2017 19:16
Bem, aqui importa fazer um reparo: não me parece terem sido guineenses e santomenses ou mesmo cabo-verdianos a empurrar a Guiné Equatorial daquele escroque ditador para dentro da CPLP. Não, caro articulista! Foram os países mais possantes, sobretudo Angola e Brasil que ditaram isso, segundo informações que me chegaram através da própria imprensa portuguesa. Quanto ao nosso presidente não estou a ver recado nenhum da parte de ninguém em direcção a ele, porque o presidente português sabe muito bem que o seu homologo cabo-verdiano não governa. Por isso não estou a ver o porquê desse seu afã em centrar a sua atenção na pessoa de Jorge Carlos Fonseca, mas isto é lá consigo. Eu, pessoalmente, sempre fui contra e continuo a dizer que a entrada da Guiné Equatorial na CPLP foi uma mancha e uma grande vergonha. Não devia ter entrado, pelo menos enquanto não desse sinais palpáveis de querer inverter o quadro catastrófico de roubalheira e de afronta aos direitos humanos. Não é só a pena de morte, mas também a quintalização ou privatização do Estado a favor da família Obiang e seus consortes, a começar pelo próprio filho, que ele prepara para o substituir.
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0 # Aristocrata 27-11-2017 18:42
Sou contra a pena de morte, hoje, amanhã, depois, depois; aqui, ali, acolá, lá, lá longe. Não importa a cultura ou modo de vida. Em qualquer que seja a comunidade humana e em qualquer latitude. Sou contra a pena de morte mesmo de animais a não para responder às estritas necessidades de consumo. A pena de morte, de acordo com estudos muito bem suportados teoricamente e as estatísticas oficiais dos países que a praticam, nunca contribuiu para reduzir a criminalidade. Muito pelo contrário, nos lugares onde existe esta calamidade humana há muito mais brutalidade na relação entre as pessoas do que naqueles onde esta prática é rejeitada. Esta barbaridade estatal não apresenta nenhuma vantagem, nem para combater a criminalidade nem para a pacificação das sociedades. Nada! Errado, muito errado. Se o estado condena os que matam com a morte onde vai buscar a sua superioridade moral como ente punidor? Perguntem aos Estados Unidos se conseguiram reduzir a criminalidade com os corredores da morte. Muitas vezes foram condenadas à pena capital pessoas inocentes e quando se soube que não tinham praticado os factos de que eram acusados já cá não estavam nem para darem um suspiro de alívio e abrenunciar tamanha fatalidade. Sejamos ponderados e não entremos nesta onde de sensacionalismo altamente pernicioso e ainda por cima completamente inútil.
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+1 # Adriano Cabral 23-11-2017 19:59
Optimo artigo. Espero que os fundamentos do articulista sejam justas Quanto a Pena de morte. Pois ha paises democratica e com Pena de morte, incluindo USA. Por isso, nao ter Pena de morte nao e sinonimo de pais democratico.
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