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Por: Jorge Querido

 jorge querido

Não creio que seja fácil, sem sair da esfera do racional, encontrar quem possa descobrir uma justificação, uma única sequer, para semelhante fenómeno.

É que ele, o fenómeno, assume contornos tão absurdos que mesmo quaisquer explicações que se tentasse avançar teriam que ser construídas rebuscando e analisando eventuais taras e alienações trazidas de um passado que todos devíamos tentar conhecer e compreender para melhor podermos continuar, com um mínimo de lucidez, a tarefa de edificar e consolidar a nossa matriz identitária.

O colonialismo tinha a sua lógica a que nós nos opusemos.

Nós também temos (ou pelo menos devíamos ter) uma lógica nossa a que os saudosos do tempo da dominação colonial naturalmente se opõem.

Ao colonialismo interessava, logicamente, dividir para enfraquecer e reinar.

A nós devia interessar, acima de tudo, unir para fortalecer e avançar.

Em Cabo Verde, o regime colonial-fascista, como lhe competia, criou e modelou a sua estratégia de acção levando em conta as particularidades geográficas, climatéricas, sociais, económicas e outras do Arquipélago e das suas gentes. Assim, as secas, as fomes, a pobreza, a escassez de recursos naturais, a miscigenação, aparecem como elementos a suportar essa estratégia que, como não podia deixar de ser, marcou profundamente a nossa personalidade e o nosso carácter.

O poder colonial, através dos seus agentes, procurou incutir no cabo-verdiano, por diversas vias, um enorme desprezo por tudo quanto cheirasse a África e daí, naturalmente, a tentativa sistemática de destruir todos os vestígios de manifestações culturais de raiz africana, visando criar a conhecida e triste figura do “preto de alma branca” tão do agrado dos governantes de então.

Aliás, até certo ponto, o poder colonial conseguiu os seus intentos e somos nós próprios a confirmá-lo, através do nosso comportamento, da nossa postura perante a África, das letras de algumas das nossas canções, dos nossos ditados, de certas brincadeiras nossas aparentemente inofensivas.

Mas essa cruzada de “promoção” do cabo-verdiano a “europeu de segunda categoria” pela via do “branqueamento mental” (já que outro tipo de branqueamento seria um tanto complicado) encontrou um sério obstáculo que era precisamente a Ilha de Santiago, a maior e a mais populosa de todas.

É que Santiago, que sempre albergou mais de metade da população do Arquipélago, foi desde as origens, por razões decorrentes do seu próprio povoamento, a mais africana das ilhas e, talvez por isso, aquela que mais resistiu à tentativa de “limpeza” cultural, mesmo quando era obrigada, na clandestinidade, a defender e a manter vivos, por vezes em circunstâncias bem difíceis, os valores que hoje integram o substrato da nossa identidade.

A Administração Colonial, utilizando as armas ao seu dispor, tudo fez para esvaziar Santiago da sua identidade.

Apesar disso, apesar de todo o esforço feito, apesar de todas as sequelas negativas decorrentes de uma tal política, nada impediu que, com a queda do regime colonial, as manifestações culturais santiaguenses, que tinham sido fortemente reprimidas, tivessem irrompido em toda a sua pujança e estendido a sua influência a todo o território nacional.

Para o poder colonial, a Ilha de Santiago era a “ovelha negra” do grupo. E eram os próprios cabo-verdianos que, na altura, o diziam: “Se não fossem os pretos de Santiago, os badius, poderíamos ser Ilhas Adjacentes”.

Não sendo, pois, possível “branquear” suficientemente Santiago, a solução seria “despromovê-la” e “diminui-la”, sociologicamente claro, de tal forma que a sua influência no panorama social, económico e cultural do Arquipélago fosse a mais reduzida possível.

Assim, a Praia, apesar de ter conseguido manter-se como capital de Cabo Verde, nunca passou, durante todo o tempo colonial, de uma minúscula cidade administrativa, de características provincianas e sem quaisquer possibilidades de influenciar e muito menos de liderar o Arquipélago nos planos social, cultural e económico.

As únicas instituições de ensino secundário na altura existentes (a clássica e a técnica) foram colocadas fora de Santiago. E mesmo quando, na década de cinquenta do século passado, se tornara inevitável a criação de um Liceu em Santiago, houve vozes cabo-verdianas, até de intelectuais tidos como consagrados, que a isso se opuseram alegando que para Santiago bastava uma escola de formação na área da agricultura e pecuária pois essa era a verdadeira vocação da Ilha.

Sem um cais acostável, que só muito mais tarde viria a ter, toda a vida comercial e económica de Santiago decorria através do Porto Grande de S. Vicente.

Santiago era pois, na época colonial, uma ilha fortemente espartilhada, deliberadamente impedida de dar a todo o Arquipélago a contribuição que podia e devia dar.

Com o advento da independência, em 1975, muita coisa mudou.

Todas as forças culturais do País e da Ilha foram finalmente libertas. O batuque, a tabanca e o funaná ganharam foros de cidadania. Os escritores escreveram, os pintores pintaram, os compositores compuseram. Katcháss mostrou o caminho da dignificação do batuque, da tabanca e do funaná e vozes poderosas como as de Bibinha Cabral, Nácia Gomi, Zeca e Zézé di Nha Renalda, Ntóni Denti D’ôro, Sema Lopi, Caetaninho, Kodé di Dona, para só falar dos mais antigos, como que surgiram de entre as pedras e deram a conhecer toda a força e toda a profundidade do nosso finaçon.

Santiago se revelou então, para espanto de muitos, incredulidade de alguns e desagrado de outros tantos, como o maior repositório dos valores sobre os quais devem também assentar a nossa identidade e a nossa cultura. E os cabo-verdianos de todas as ilhas puderam conhecer e apreciar aspectos interessantíssimos da nossa vivência colectiva que durante muito tempo tinham sido desprezados e condenados a uma clandestinidade envergonhada.

Mas nem por isso a Grande Ilha se livrou por inteiro dos espartilhos que lhe tinham sido impostos.

Durante os quinze anos da 1ª República, a participação de Santiago na vida política, social e económica do País foi muito reduzida, bastante aquém daquilo que a sua dimensão, o seu peso demográfico, os seus pergaminhos, o bom senso e a própria história naturalmente exigiam.

A abertura do País à democracia pluripartidária, se, por um lado, permitiu um maior envolvimento dos santiaguenses na vida política nacional, criou, por outro lado, condições para um ressurgimento de forças retrógradas (ingenuamente julgadas mortas) que, vindas de um passado de má memória, encontraram sem grandes dificuldades espaço e terreno onde se instalar e medrar.

Essas forças recuperaram e adoptaram, de início encapotadamente mas depois abertamente, o espírito do velho discurso do tempo colonial: “Não fossem os badius, os pretos de Santiago, seríamos hoje ilhas adjacentes a Portugal”.

Só que desta vez tiveram que introduzir uma pequena alteração formal: em vez de Portugal fala-se da Macaronésia; em vez de adjacência fala-se de integração.

E quando é um deputado à Assembleia Nacional a dizer publicamente que Cabo Verde devia ser dividido em duas “regiões” – uma integrada na Macaronésia (leia-se Açores, Madeira e Canárias), outra constituída por uma única ilha, a de Santiago, ligada à África – está tudo dito.

Esse deputado não só teve o à-vontade de expor e defender os seus pontos de vista como até chamou de hipócritas vários altos dirigentes políticos de diversas forças partidárias que, segundo ele, pensam da mesma forma mas não têm a coragem de o dizer.

Só quem não quer é que ainda não se deu conta de que existiu e existe, em Cabo Verde, um forte sentimento anti-Santiago que tem os seus mentores e defensores bem identificados e que dispõe de uma estratégia que visa acima de tudo a “diminuição” da maior ilha do País.

Para os estrategos dessa visão aberrante, o crescimento do seu “bairro” só será possível com a “diminuição” de Santiago e a via melhor, a mais eficaz para se alcançar tal desiderato é sem dúvida a do “espartilho”.

E os “espartilhos”, como é evidente, só podem ser colocados (e também removidos) por quem detenha os meios e o poder para tanto.

Vivendo em perpétua penúria de energia eléctrica e de água e estando fora do seu alcance a tomada de medidas que possam contrariar tal estado de coisas, Santiago não pode alimentar a esperança de acompanhar e muito menos de liderar o processo de desenvolvimento em curso no País.

Não dispondo de portos nem de projectos de portos com reais e ambiciosas perspectivas futuras, Santiago ficará irremediavelmente secundarizada no plano nacional e internacional.

Não possuindo um verdadeiro aeroporto internacional que sirva a Ilha e o País sem os constrangimentos que o actual aeroporto apresenta, não pode Santiago sequer imaginar poder integrar-se nos grandes circuitos internacionais do turismo e dos negócios.

Não dispondo de estruturas de saúde adequadas e viradas para o futuro e não possuindo a cidade da Praia um hospital central com o nível e a dignidade de há muito reclamados, limitando-se os sucessivos Governos, teimosamente, cada um a seu modo, a colocar mais um ou vários remendos nos barracões centenários que até alguns Governadores Coloniais, em tempos bem recuados, haviam condenado, não poderá Santiago atingir um nível de desenvolvimento desejado e com ela todo o País.

Não dispondo de infraestruturas e de equipamentos desportivos minimamente compatíveis com a sua dimensão e o seu peso demográfico, não poderá Santiago, no plano do desporto, oferecer ao País a sua valiosa e decisiva contribuição.

Não dispondo de estradas de penetração minimamente aceitáveis em quantidade e em qualidade, não poderá Santiago aproveitar as grandes potencialidades de que a ilha dispõe em todas as áreas e daí o prejuízo que tal facto representa para o todo nacional.

Retirando de Santiago os principais pólos científicos e tecnológicos da futura Universidade de Cabo Verde, como pretende um activo mas discreto movimento integrado por gente muito bem posicionada, a maior Ilha de Cabo Verde, se tal vier a acontecer, corre o risco de voltar à situação do tempo do Liceu único.

Não sendo contemplada com investimentos compatíveis com a sua dimensão física e demográfica e com os fluxos crescentes de populações vindas de outros pontos do País, preferindo-se antes direccionar o grosso dos investimentos para algumas das zonas de proveniência de tais fluxos, não poderá jamais Santiago fazer frente aos graves problemas económicos e sociais que a afligem.

Daí o absurdo a que me referi logo no início deste artigo.

Na verdade, é absolutamente inconcebível que aqueles que, em virtude das funções que exercem, das posições que ocupam e dos poderes que detêm, podem ter alguma influência na colocação ou na remoção de “espartilhos”, não se tenham ainda apercebido do mal que já causaram, que vêm causando e que poderão vir a causar ao País com a criação, desnecessária e irracionalmente, de verdadeiros obstáculos ao seu próprio processo de desenvolvimento.

Felizmente para todos nós que alguns altos dirigentes deste País deram já sinais bem claros de que têm a consciência plena dos malefícios desse fenómeno: a prova disso é que, ainda há bem pouco tempo, se falou publicamente da necessidade de uma “discriminação positiva” para a Ilha de Santiago.

Seja como for, correndo até o risco de não ser compreendido, nem por gregos nem por troianos, tentei aqui avançar algumas explicações para tão bizarro fenómeno. O leitor, no entanto, se quiser e puder, que ensaie outras explicações.                                        

*Este artigo foi publicado no nº 783 do Jornal A SEMANA, de 22 de dezembro de 2006. Tendo em conta que ainda mantém uma certa dose de atualidade, é novamente partilhado com os leitores deste diário digital, com a anuência do autor.

Comentários  

+1 # Santiago Norte 01-07-2020 08:56
Jorge,
É tudo ainda muito atual. Só os incautos é que andam a perceber de que a Praia está a desenvolver-se. Confundem o conceito de desenvolvimento com o crescimento de aglomerações pessoas e casas e com pequenas obras de cosméticas.
Para nós que vivemos e amamos Santiago, particularmente o seu interior, as nossas lamentações, então, são muito mais terríveis. É que há um completo APAGÃO, em termos de processo de desenvolvimento, na Região de Santiago Norte. Está mesmo sem NORTE.
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-3 # Nuno Paris 22-06-2020 06:37
Lamentações esquisitas e que não se justificam, de todo.
Porque não abraçar a REGIONALIZAÇÃO(?!), e aproximar o poder decisório das comunidades.
É importante também não esquecer, que Sotavento engloba o Fogo, a Brava e o Maio, para além de Santiago, e que Barlavento não é só São Vicente.
O eterno "Puxar a brasa para a sua sardinha"?!, ou "dividir, dividir, dividir é preciso"?!
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-2 # Gregorio Varela 20-06-2020 20:52
Caro Eng.
No mundo animal há vertebrados e invertebrados.
Infelismente alguns invertebrados mudaram de forma mas o seu ADN nao evolui.
É o caso desse De[censurado]do,desse invertebrado mental,que infelizmente foi parar à Assembleia.
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+1 # António Pereira 20-06-2020 17:06
Cabo-verdiano, como o sr. Eng. Jorge Maria Ferreira Querido, deveria ter sido tido em conta, para o bem de Cabo Verde. Que seja constituído um Conselho de Opinião, como órgão de consulta, para a governação do país, no qual cidadãos cabo-verdianos de mente altamente lúcida, como a do Eng. Jorge Querido, deveriam fazer parte.
Obrigado, sr.Engenheiro. Muita saúde e longos anos de vida, lhe desejo.
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+4 # Augusto Domeniconi 20-06-2020 11:12
Tudo Bem, Sr. Jorge Querido. Muita verdade no que escreve envolvendo acontecimentos da história CV, com realce para o mal e o pior de que a Ilha de S.Tiago tem sido vítima. Mas é também de lembrar - porque é Verdade, que as restantes Ilhas têm muito mais a queixar do que S.Tiago sobretudo no período da históra recente. O que é mais verdade ainda é que as sucessivas governações desde 1975 nunca acertaram o passo para um desempenho construtivo nacional, e a prova da miséria política, económica, social, moral, da sociedade cabo-verdiana é evidenciada diariamente pelas dis[censurado]s e outras manipulações partidárias pois esta é a única área onde os dirigentes e seus correlegionários são capazes de dominar com o seu desqualificado e desventuroso trabalho.
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+1 # Cuena Barros 20-06-2020 10:36
QUE PENSA DISSO O CASIMIRO DE PINA?
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0 # José Manuel Correia 20-06-2020 10:27
Obrigado Senhor Engenheiro Jorge Querido
o momento é oportuno para esse chamamento Santiago precisa muito.
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+5 # Afortes 20-06-2020 09:16
Quando percebi a ideia de que "Santiago não dispõe"... Pensei cá pra mi! "Tudo" deve estar nas outras ilhas.
Como é possível ainda haver (por parte de ditos estudiosos) tal desconexão com a nossa realidade?
Tenham atenção porque somos 10 ilhas e a meu ver, quem (por direito) deveria reclamar de alguma coisa ainda continua em silêncio.
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0 # Ao AFortes 20-06-2020 21:33
O problema nao é que "Santiago não dispõe" e as outras ilhas "dispõem de tudo".
Nao se está a colocar a questao nesse patamar e nem o autor do artigo tratou o assunto dessa forma. Longe disso. Todas as ilhas padecem de problemas graves em todos os aspectos. Nao só Santiago.
Ocorre que Santiago, como a maior ilha de Cabo Verde e que alberga mais de 50 porcento da população, em termos proporcionais é claramente a ilha menos favorecida em termos de investimento nas áreas de turismo, agricultura, pesca, transporte, energía, etc. Isto durante décadas, tanto no governo do MPD quanto no PAICV, sobretudo neste ultimo. Se somarmos toda a governacao do MPD e toda a do PAICV, a primeira é de longe a que fez mais investimentos na ilha de Santiago.
Mas, há de convir que o Governo de Ulisses nao fez (pelo menos até agora) nenhum investimento de grande envergadura em Santiago e enfraqueceu a gonernacao central ao levar um ministerio inteiro para Sao Vicente, algo que nao se ve em nenhum outro país. Ou Capital é Praia ou nao é. Ulisses nao é um líder forte e submete muito a pressoes. Ele já deu provas disto mais do que uma vez. E a fragilidade do PM tem prejudicado Santiago. A questao do estatuto especial para a cidade da Praia que nao é aprovado no parlamento, demonstra que o governo também nao tem estado a engajar-se para concretizar ese objetivo.
Portanto, eu sou daqueles que defende que Santiago debe ser visto de outra foma pelos politicos e tomadores de decisao.
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0 # JJ Costa Pina 20-06-2020 01:14
Está tudinho dito de tal forma q não atrevo mexer em nada pois tb eu tenho dito muito disso tudo particularmente no q diz respeito ao mar, turismo, industria, energia, ordenamento e habitação socia ao longo dos tempos. É só ver (la vou eu a n quere mexer) os blocos de habitação social exibidos hoje q têm sido negados à Praia, mm com financiamento chines garantido para 4 bairos sociais! Mais hoteis são garantidos por dirigente amigo do depto de investimentos enqto q os para Santiago não tem dia de chegar! Não desistir, porem de Santiago mas sim dos seus decisores q tem por ora!
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0 # ayan 19-06-2020 23:03
Di kes midjor artigo ki dja lê nes jornal, bunitu bunitu ki ta lê sabi, forti kuza ki Dan dentu sal!!!
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+1 # JoséSe 19-06-2020 20:49
Ten um sinhor ki ta fladu ma foi di kés maior intelectual i homi di letras di CV, sampadjudu. Contudu kantu risolvédu fazi Liceu na Praia é ka cria i é fla si ta bai fazédu Liceu pa macacu. Nhós imagina módi ki és é!
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-2 # Daniel Carvalho 19-06-2020 17:59
Foi boa a ideia de recuperar este texto bem actual.
É que de 2006 à esta parte, mudou o Governo, mas sem qualquer foco nas potencialidades da Ilha de Santiago. Sal São Vicente e Boa Vista, parecem ser tidas como as únicas ilhas com potencialidades. Santiago não é lembrada sequer quando se refere à agricultura.
Mas o nosso Parlamento é espelho fiel dessa vergonha nacional:Não me lembro ter ouvido, alguma vez, um De[censurado]do, no parlamento, a defender de viva voz um projecto para a ilha de Santiago. Pena, mas é mesmo assim.
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+2 # SÓCRATES DE SANTIAGO 19-06-2020 16:44
Este artigo, caro Jorge Querido, continua sendo muito actual, sobretudo, neste momento em que o MPD se encontra novamente no Poder. As velhas estratégias, truques e sabotagem no tocante ao aniquilamento da ILHA DE SANTIAGO ainda têm lugar, mas com novas roupagens. Se a adjacência à antiga Metrópole ou a integração na Macaronésia já não resultam, agora, os lacaios colonialistas inventaram um novo termo- REGIONALIZAÇÃO-, opondo o conceito a uma FALSA CENTRALIZAÇÃO NA PRAIA OU EM SANTIAGO, no sentido de tirarem dividendos. Ao transferir a base da TACV/CVA da Praia para o Sal, em nome de um suposto HUB AÉREO a se criar ali, ao transferir o Ministério do Mar para S.Vicente, instalando ali todas as estruturas respeitantes ao sector marítimo e aprovando, por decreto, UMA ZONA ECONÓMICA ESPECIAL PARA A ECONOMIA MARÍTIMA APENAS PARA S.VICENTE, ao desmantelar a UNICV, separando dela o Departamento da Engenharia e Ciências do Mar para se criar a UTA, Universidade Técnica do Atlântico, com sede em S,Vicente e com ramificações em Santo Antão, ao não investir nos CLUSTERS previstos para Santiago, como o AGRONEGÓCIO e as TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO, ao não promover o TURISMO EM SANTIAGO, não investir nos sectores de ÁGUA e ENERGIA, SAÚDE e SANEAMENTO, nos PARQUES INDUSTRIAIS e COMECIAIS, na PROMOCAO CULTURAL e INDUSTRIAS CRIATIVAS, etc., este GOVERNO DO MPD, assessorado por LACAIOS COLONIALISTAS DE ONTEM, DE HOJE E DE AMANHÃ, este GOVERNO DO MPD, diria, está a HIPOTECAR O DESENVOLVIMENTO DA ILHA DE SANTIAGO, com o MODELO DE DESENVOLVIMENTO COLONIAL, RETRÓGRADO E JÁ ULTRAPASSADO, EM QUE SE PRIVELIGIEM APENAS DUAS ILHAS, SAL E S.VICENTE. O que dói e muito dói é que este GOVERNO DO MPD é formado, na sua maioria, por BADIOS DE SANTIAGO que, estranhamente, não estão a ver o GRANDE MAL QUE ESTÃO A FAZER À SUA PRÓPRIA ILHA, UMA CAMBADA DE INGRATOS QUE VÊM PROVENDO AS ILHAS DOS OUTROS E ESQUECENDO, ABSURDAMENTE, DA SUA PRÓPRIA ILHA. Isto, para além de IGNORÂNCIA, é uma BURRICE DE TODO TAMANHO. BADIUS KI STA NA GOVERNU Y NA PARLAMENTU, NHOS DEXA DI SER BAKAN Y BURUBESTA, NHOS PENSA MÁS NA NHÓS ILHA DI SANTIAGU, SIMA KES OTU TA PENSA Y TA PROMOVE SES ILHA.
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+1 # José 19-06-2020 16:25
"Só quem não quer é que ainda não se deu conta de que existiu e existe, em Cabo Verde, um forte sentimento anti-Santiago que tem os seus mentores e defensores bem identificados e que dispõe de uma estratégia que visa acima de tudo a “diminuição” da maior ilha do País". Excelente! Tudo dito e desmontado em relação à descriminação do badio e Santiago durante todo o tempo. Basta ver as atitudes anti-Santiago perpetuadas por Onésimo Silveira, Augusto Neves, etc. e quase todos do Barlavento. Mas isso está no ADN dos sampadjudos que é difícil ou impossível apagar. Contudo, o verdadeiro Badio terá que abrir os olhos. Se não for agora que seja através das próximas gerações de Santiago.
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+3 # Mário Gambino 19-06-2020 15:01
Pena é que as pessoas não percebem que o tempo ainda não acabou. Ainda hoje os retrógrados de ontem continuam a dividir Cabo Verde, de forage para dentro, atraves da estragégia que todos sabemos sabemos. É só ver quem elles promovem, lá e cá. Fazem lobi para que canalhas e maledicências acedam ao poder, para a azia do passado. Não é por acaso que alguns badios mentecaptos se bastam com o número elevado de mercenários no governo. O badio tem que deixar de ser tolo. Tudo o que se faz e se deixa de fazer em Cabo verde é cozinhado na metrópole. Jorge de Sena já falava disso, em meados do século XX. O nosso azar é que a "élite" que dirige o país é inculte e não gosta de ler. Alguns escórias da catégoria de Trump e Bolsonaro até a leitura um authenticité disparate. Entao basta o fanatismo, sair à rua e ladrar como cachorro.
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