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Por entrelinhas, crê-se que este país é um caso de estudo. Um país que se reinventa todos os dias, ao gosto dos políticos e das suas invenciones mais escabrosas.

 

 

Hoje, 26 de Junho de 2017, o parlamento cabo-verdiano abriu mais uma sessão com o agronegócio na agenda dos trabalhos, proposto pela bancada do PAICV.

Para o ministro da Agricultura, Gilberto Silva, o agronegócio ainda não existe em Cabo Verde. Este governante recusa aceitar a existência do agronegócio no nosso país ao mesmo tempo que aconselha o PAICV a desistir de invocar a paternidade do agronegócio nacional.

Por entrelinhas fica-se com a sensação que o senhor Gilberto Silva, ministro da Agricultura, está um pouco confuso, ou pelo menos, provocou alguma confusão na mente do povo eleitor, cidadão, produtor, consumidor e contribuinte no que concerne a este assunto, por uma razão muito simples: como pode alguém reivindicar paternidade de algo que ainda não existe?

O PAICV levantou a voz para tentar mostrar que se o agronegócio ainda não existe entre nós, então como que é se define as actividades de produção, transformação e comercialização dos produtos agrícolas desenvolvidas pelos agricultores e criadores de gado de Santo Antão, São Nicolau, Fogo e Santiago, só para citar as ilhas mais agrícolas do arquipélago?

O agronegócio entendida no seu sentido mais lato, nada mais é do que a totalidade das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas, das operações de produção nas unidades agrícolas, do armazenamento, do processamento e da distribuição e comercialização, consubstanciados numa cadeia de valores competitivos e geradores de lucro e riquezas.

No quadro deste conceito, o agronegócio, tal como proposto e conversado pelo PAICV durante o seu mandato de 15 anos, está de facto aquém das potencialidades existentes e que foram criadas nestes mais de 4 décadas de país independente. A industrialização e o escoamento dos produtos – nos itens financiamento, transporte, certificação e regulação – são acções que andaram a passos de caracóis e até hoje quedam-se, tímidas, por discursos circunstanciais tabelados consoante o perfil do interlocutor.

E aqui estão seguramente os pontos essenciais de um dossier que mexe com a vida da nação e que, certamente, o povo eleitor, cidadão, produtor, consumidor e contribuinte esperavam ver discutidos e resolvidos em sede da casa parlamentar, que é o centro do poder em Cabo Verde.

Mas não! Até este momento, as notas mais emblemáticas desta discussão centram-se na negação do agronegócio por parte do ministro da Agricultura e na discussão, diga-se marginal, à volta do conceito deste importante sector do desenvolvimento de Cabo Verde.

Para rematar, resta ainda o consolo de reconhecer o deputado do MpD, João Cabral, que teve a capacidade de descobrir que, desde a independência, a agricultura cabo-verdiana teve apenas um período que merece ser destacado e lembrado - a introdução de 53 espécies hortícolas na década de 90. Para este representante do povo, o mercado agrícola está hoje muito boa, diversificada, e com um preço considerado acessível, por causa da introdução destas espécies, lá vão quase 3 décadas. Haja paciência, que ninguém é de ferro. Aguentar tanta baboseira, não é brincadeira!

Por entrelinhas, crê-se que este país é um caso de estudo. Um país que se reinventa todos os dias, ao gosto dos políticos e das suas invenciones mais escabrosas.

  

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