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Por: Redacção

O agravamento de taxas de importação de lacticíneos está nas bocas do mundo. O Governo, na pessoa do vice-primeiro ministro, Olavo Correia, é acusado de alegadamente estar a proteger a Tecnicil Indústria. O PAICV, que votou a favor de tal agravamento, diz-se enganado pelo Governo. A UCID continua sempre contra a medida.

Desde a primeira hora que a sociedade cabo-verdiana manifestou reticências em relação a esta medida. E várias foram as acusações ao nível das redes sociais em como o vice-primeiro ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, estaria alegadamente a proteger a empresa onde foi administrador até Abril de 2016, quando convidado para integrar o Governo chefiado por Ulisses Correia Silva.

Entretanto, Olavo Correia sempre defendeu que a proposta partira da Câmara do Comércio e que tal medida não poderia em momento algum resultar em aumento dos preços do leite, seus derivados, e produtos de frutas. Argumentos que terão levado o PAICV, maior partido da oposição, a votar a favor.

Este mesmo PAICV que hoje diz-se enganado por Correia, por duas razões fundamentais: primeiro, porque a proposta não partiu da Câmara do Comércio; segundo, os preços do leite e seus derivados já comerçaram a aumentar. Palavras do deputado tambarina por Santo Antão, Carlos Alberto Delgado, perante as antenas da Rádio Nacional. A UICD, por seu turno, continua e defender que esta medida do Governo do MpD não faz qualquer sentido.

E as sentenças à volta deste assunto têm animado o país nos últimos dias, cada um esgrimindo da melhor forma possível os seus argumentos e posições, ao ponto de o vice-primeiro ministro ter afirmado aos jornalistas que o Governo poderá alterar a sua posição, se os objectivos não forem atingidos.

O primeiro ministro esteve sempre à margem destas discussões. Mas hoje o chefe do Governo reagiu à polémica sobre o aumento de taxas de importação para lacticínios e pediu às pessoas para não tirarem conclusões precipitadas, indicando que se for necessária correção o Governo far-se-á. 

“Estamos a falar de uma lei que entrou em vigor há poucos dias. Há a adaptação do próprio mercado. Não podem tirar conclusões apressadas porque movimentos de aumentos e baixas de preços podem ser a reacção temporária à medida”, disse quando confrontado com os supostos aumentos dos preços no mercado.

Ulisses Correia e Silva, que falava aos jornalistas depois de presidir a abertura do II Congresso da Ordem Profissional dos Auditores e Contabilistas Certificados (OPACC), na Cidade da Praia, disse que é preciso deixar o tempo produzir o efeito que se pretende com essa medida.

“Não tenho dúvidas que terá efeitos positivos. Se houver necessidade de fazer as correções far-se-á”, garantiu frisando que o PAICV (oposição), que hoje pediu a retirada dessa lei, está a tentar andar por curvas que não consegue justificar.

“A lei nem sequer foi aprovada pelo Governo. Foi aprovada pelo Parlamento com os votos do PAICV. O Governo não controla os operadores. Um operador pode aumentar preço, outro pode baixar. Não se pode é fazer análises precipitadas. É preciso deixar que as coisas tenham tempo de maturação suficiente”, recomendou.

O aumento dos direitos de importação para laticínios e sumos de fruta, que passarão a pagar entre 20 e 35 por cento (%) foi aprovada em Dezembro último, no âmbito do debate e aprovação na especialidade do Orçamento do Estado para 2018 e abrange leite e derivados e sumos de frutas.

O leite e seus derivados, como as natas, que, de acordo com a actual pauta aduaneira, pagam 5% de direitos de importação, vão passar a pagar 20%. Os iogurtes naturais e com frutas adicionadas passam de 20% para 25% e os sumos de frutas não fermentados passam de uma taxa aduaneira de 30% para 35%.

Na altura, o ministro das Finanças, Olavo Correia, considerou tratar-se de uma “medida para proteger a indústria nacional” baseada numa proposta da Câmara de Comércio, Indústrias e Serviços do Sotavento e ressaltou, que esse aumento não poderá reflectir-se nos consumidores.

Com Inforpress

Comentários  

0 # PEPETELA 05-02-2018 08:36
O sofrimento do nosso povo sobretudo no mundo rural com esses aumentos todos (combustível, leite, sumos, falta de pasto) é real e atual. Não queremos saber o que se passou há 15 ou 30 anos e acusar os outros é realmente brincar com as verdadeiras dificuldades que os nossos familiares e parentes enfrentam no dia a dia. Queremos soluções e este governo foi eleito com maioria total e absoluta (Assembleia, Municípios, Presidência da República) porque afirmava sempre que tinha soluções. Estamos a perceber agora que as soluções eram simplesmente para ELES, as suas empresas (BINTER, ICELANDAIR, TECNICIL) e os seus amiguinhos (TEIXEIRA UNIÃO EUROPEIA). Com a defeção da opisição, é a rua que deve falar, como quando houve uma tentativa de aumento dos salários e regalias dos de[censurado]dos.
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0 # Olimpio 04-02-2018 21:33
O PAICV, votou a favor sem ler o conteúdo da proposta? Se sim é muito grave. Se leu e não entendeu pior ainda. Se não leu, então que ficasse calado pois dizer que foi enganado é desculpa de mau pagador. Assumir o erro e aceitá-lo é sinal de magnanimidade
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+1 # Daniel Carvalho 03-02-2018 21:42
Depois de 15 anos no poder, o PAICV a ser liderado por uma figura que não sabe o que é viver a oposição, é muito difícil acertar os passos. Não só a Líder, mas dos seus mais directos colaboradores, poucos sabem o que viver a Oposição.
Tomem lições, senhores e senhoras do PAICV. conversem com Pedro Pires e outros. Vejam que quando PP perdeu as eleições em 2001, de imediato deixou o lugar à geração dos mais Jovens, com AL à cabeça. Em 2006 o MPD volta a conquistar a maioria qualificada. Muito informado, PP voltou à liderança do partido, e nas eleições autárquicas de 2000, saiu o Grande Vencedor, ao conquistar as Câmaras da Praia, Santa Catarina, Santa Cruz e Porto novo, que foram juntar às que detinha, deixando ao JMN um partido organizado e preparado para ganhar as eleições que se seguiam. Ao que tudo indica o PAICV precisa se reencontrar consigo própria, pois parece estar muito desatenta, está sem discurso e sem estratégia. Desse jeito não dá.
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0 # Djosa Neves 03-02-2018 06:27
No primeiro momento, quando o PAICV aprovou a medida, pareceu-me ver pela primeira vez uma mudança (inteligente) do que tem sido a pratica desse pessoal: O PAICV aprovou, tinha o tempo a seu favor e havia conseguido um compromisso do Governo. Na verdade tinha conseguido assumir uma posição de fiscalização positiva passando a dominar a situação, para o bem e para o mal. Passados uns dias, vem o facebook e pumba!...Voltamos ao habitual, populismo facebookiano, fradu fra. Cai na descredibilização, passam uma imagem de impreparação (facilmente enganados - pelo que os próprios afirmaram), direcção fraca (teleguiada pelo facebook), sem coragem (não assume convictamente suas posições ou não as tem). Realmente, a situação por aquelas bandas está...FRAQUINHA. E agora, caídos na populismo, só vão piorar no esforço de tentar justificar o ridículo. Paciência!!!
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