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Por: Luís de Pina

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Um amigo meu, simpatizante do MpD, convidou-me, na noite do dia 24 do corrente, para uma conversa, na ressaca da derrota, no dia 25, na sequência da eleição autárquica que ia decorrer em Tarrafal de Santiago.

Estava, sem dúvida, este meu amigo, à semelhança de outros tantos, confiante na vitória desse partido. Aliás, muitos militantes ainda estão perplexos com a tamanha derrota do partido da situação nessas eleições.

Uns até questionam como aconteceram estes resultados. Mas, o MpD sabe, e bem, a resposta. Não foi por acaso que esse partido envolveu toda sua máquina governativa e partidária nas campanhas eleitorais. Talvez tivesse acordado tarde demais de um sono penoso e de origem, quem sabe, psicoafectivo, criado por ele mesmo, ao ignorar a sua própria base, demolindo uma dinâmica participativa habitual, apenas para forjar algumas candidaturas em nada aglutinador de ideias e ações.

Na nossa humilde opinião, o MpD, como qualquer outra organização, não deveria ignorar a sua base concelhia no processo de escolha de candidatos às autárquicas. No entanto, esta desarticulação, presume-se que tenha emergido de uma tentativa de antitendência em que grupos internos da cúpula, com objetivos menos declarados, arroguem o direito de estar mesmo acima do próprio partido, assumindo a liderança em processos que podem levar o MpD a uma derrocada sem precedentes.

A um partido com maturidade e responsabilidade do MpD seria espectável que soubesse falar, debater, confrontar e agir, ouvindo sempre a sua base concelhia. O mais paradoxal ainda foi a atitude desse partido durante a campanha, numa tentativa subtil e camuflada de “afastamento” dos companheiros de luta de ontem (mandando-os à reserva) para escamotear o seu desempenho em termos de governação. Nesta camuflagem, o povo viu apenas traição e falta de companheirismo. Para o cabo-verdiano é na relação de confiança entre companheiros e companheiras que se funda e refunda a nossa morabeza, a nossa socialização, a luta pela nossa sobrevivência e a nossa história. Portanto, o MpD deveria refletir e aprender que só com a sua gente e sua base poderia construir a união em torno do seu projeto de candidatura.

Espero, sinceramente, que esta derrota sirva para que o MpD entenda que o seu crescimento passa, obrigatoriamente, pela organização da sua base concelhia. Que aprenda a respeitar e usar a sua base concelhia como espaço de debate político permanente, da interligação do partido com sua militância e, desta, com as comunidades. E que entenda, finalmente, que estando com a sua base, está onde está o povo, nas suas organizações, nas suas localidades e em interação com toda a sociedade.

Que esta ressaca sirva, de fato, para reflexão. Viva a democracia!

Luís de Pina

Comentários  

+1 # To 29-10-2020 21:09
Muito Bem Doutor Luís de Pina. A derrota é do Elisio que não queria o José Soares e pa mesmo tempo a derrota é so De[censurado]do José Soares que não engoliu o Celso. O josé Soares considerou abuso e na vespéra das eleições à noite possivelmente fez porta porta para descredibilizar Celso. Em Chão Bom o Povo de José Soares De[censurado]do abstiveram e votarem PAICV. Disse.
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-2 # António Vieira 27-10-2020 15:40
Qual derrota? Agora perder significa ganhar? Com os mesmos resultados quem ganharia as legislativas?
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+4 # Verdade Verdadinha 27-10-2020 22:50
Estava a referir-me ao caso do tarrafal, que é aquele que o texto aborda.
António vieira, sei que estás nervoso, mas esta aritmética não seria transposta para as legislativas porque só a Praia tem um terço do eleitorado cabo-verdiano e a ilha de santiago no total (que é onde o MPD é derrotado claramente) metade desse eleitorado. Queres tirar esses óculos verdes para veres a realidade?
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+2 # Verdade Verdadinha 27-10-2020 08:16
O Soares de Txonbom está a rir-se agora. Como é que a derrota do MPd não era expectável, vendo a simples aritmética eleitoral? O MPD venceu as anteriores autárquicas com cerca de trezentos e poucos votos de diferença. Tendo o PAI apostado e, bem, no mesmo candidato, bastava a esse manter o score de 2016, pois as candidaturas independentes iriam buscar os votos mais aos descontentes da área do mpd.
Agora é vergonhoso o que se passou no tarrafal com o candidato vencedor a não falar na noite da vitória por receio de violência sectária. Desta vez o Carlos Palinho, Kutxi de Amaro, Alberto Nhu Lixo, Mante, não conseguiram roubar as urnas e falsificar a eleição como fizeram com a primeira candidatura de Arnaldo andrade à câmara do tarrafal
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0 # Verdade Verdadinha 27-10-2020 08:09
Senhor, esclarece o primeiro parágrafo, por favor. Como é que uma conversa no dia 24 pode ser na ressaca da derrota no dia 25? aprende ou desaparece.
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+1 # Luís de Pina 27-10-2020 10:19
Olá, car@ comentarista.
O dia 24 era véspera das eleições. Nesse dia, estava falando com o amigo e ele estava convencido em como ia ganhar as eleições. Nesse dia (24) me propôs que falássemos no dia 25 ou 26, após conhecido o resultado do pleito eleitoral, conversa esta em que eu estaria na ressaca da derrota. Só que não contava que ele também poderia estar nesse papel. Não sei se fui claro. Obrigado por ter lido o meu texto. Gde abraço
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