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Por: DRC

Na lógica do velho ditado popular, segundo o qual “quem dá pão dá castigo”, tudo indica que a RTC quer “castigar” os seus profissionais, proibindo-os de pensar e de expressar os seus pensamentos de forma livre e espontânea, numa sociedade que se afirma democrática e tributária de uma das Constituições mais modernas do mundo.

Vem isto a propósito de um Código de Ética que a RTC pretende introduzir nos próximos tempos, cujo conteúdo pode ser, no tempo e no espaço, um autêntico atentado aos direitos fundamentais dos cabo-verdianos, no caso concreto, dos trabalhadores daquela empresa pública de comunicação social.

O Código de Ética que a RTC pretende aprovar – consta que o documento acaba de ser colocado à discussão entre os trabalhadores – visa “estabelecer padrões de conduta aplicáveis a todos e evitar medidas discriminatórias”.

Já no preâmbulo o aviso: “com este código, pretendemos, ainda, garantir que os colaboradores da RTC actuem no melhor interesse público e da empresa, sem serem parciais relativamente a alguma organização em particular ou aos seus interesses pessoais”.

Assim, “jornalistas e equiparados, apresentadores, animadores de antena, correspondentes e colaboradores da RTC conhecidos pelo público, principalmente, como apresentadores ou repórteres de notícias da RTC, não devem realizar actividades fora do ar que possam prejudicar a reputação de imparcialidade da RTC”.

Neste contexto, “nenhuma actividade fora do ar, incluindo escrever para jornais, revistas ou sites, escrever livros, dar entrevistas, fazer discursos ou discursar em conferências deve levar a qualquer dúvida sobre a objectividade ou a integridade de seus trabalhos para a RTC”.

Porque, entendem os responsáveis desta empresa pública de comunicação social que “se os jornalistas e equiparados, apresentadores, animadores de antena, ou repórteres da RTC expressarem publicamente opiniões pessoais fora do ar sobre questões controversas, seu dever editorial de imparcialidade e isenção pode ficar severamente comprometido”.

Neste contexto, “os jornalistas e equiparados, apresentadores ou repórteres da RTC estão proibidos de indicar ou revelar publicamente como votam ou expressar apoio para qualquer partido político; expressar uma visão a favor ou contra qualquer política que seja uma questão de debate político partidário actual; defender publicamente qualquer posição específica em matéria de política pública, controvérsia política, industrial ou qualquer assunto corrente controverso, discursar e publicar livros sobre RTC ou programas dos órgãos da RTC, sem a aprovação prévia e escrita do superior hierárquico relevante para tal”.

Aqui, o documento abre uma excepção, dizendo que “pode ser permitido que um jornalista, apresentador ou repórter possa escrever um livro sobre um tópico actual, desde que não seja susceptível de comprometer o seu papel no ar ou a integridade e imparcialidade da RTC”.

Mas as proibições não param por aqui. A partir deste código de ética os jornalistas e equiparados da RTC ficam proibidos de expressar as suas opiniões pessoais sobre política, sexo, raça, religião e outros.

“Os jornalistas e equiparados devem abster-se de escrever, tweetar ou publicar qualquer coisa - incluindo fotografias ou vídeos - que poderiam ser percebidos como reflectindo atitudes políticas, raciais, sexistas, religiosas ou outros, ou favoritismos que poderiam ser usados para manchar a nossa credibilidade jornalística”, determina o documento, aconselhando o jornalista a ter “consciência de que tudo o que publique na sua página pessoal é público e é entendido pelo público como uma publicação de um jornalista/equiparado da RTC”

Nesta óptica, o documento aconselha ainda o jornalista a abrir duas páginas no facebook, uma para o contacto com os amigos e outra para contactos com as fontes e para manter seus ouvintes e/ou telespectadores informados. “Contudo, mesmo separando as duas esferas deve entender que é responsável por manter a imparcialidade, a isenção e a credibilidade da RTC e seus órgãos”, observa.

O documento obriga o jornalista a incluir as fontes de todos os lados ideológicos de um assunto publicado na sua página do facebook. De igual modo, obriga o jornalista a se inscrever ou gostar das páginas de todos os partidos políticos para receber informações, ou então de nenhum.

O documento em referência proíbe ainda os jornalistas e equiparados de apresentar espectáculos e fazer de mestres de cerimónia, bem como apresentar programas institucionais ou emprestar voz e cara a publicidades e propagandas susceptíveis de beliscar a sua obrigação de isenção e imparcialidade.

Comentários  

0 # SÓCRATES DE SANTIAGO 08-01-2018 20:41
Pior que isto só SALAZAR e OS SEUS LACAIOS. My god! Em que DIABO se transformou o MPD?!
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+1 # Di fora fora 07-01-2018 06:47
Isto é para mandarem tirar o livro do Carlos Santos do mercado?
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0 # A Verdadeira Verdade 05-01-2018 15:51
O profissional de um órgão público de informação deve possuir a ética necessária para o desempenho de tais funções, principalmente as de jornalista. Nada mais normal e natural do que um código de ética para disciplinar as condutas. Jornalismo não é como exercer outra profissão, pois, exigi-se desse profissional uma postura de retidão tanto na vida profissional como na sua esfera privada, ou seja, no seu estar na sociedade. Não faz sentido, por exemplo, um jornalista estar a falar mal de um partido A ou B num café e aparecer logo à noite a conduzir um debate entre partidos políticos. O Problema que se põe é que nós os cabo-verdianos não gostamos de ser disciplinados seja por que meio for, quando é certo que não somos santos. Não podemos continuar a confundir liberdade jornalística com "libertinagem", "malandragem", "barafundagem", "lagadjindagem" e por aí fora.Código de Ética existe para todas as profissões do mundo e em todos os Estados de Direito Democráticos, até os Padres usam e não se trata de nenhum bicho de sete cabeças. Serve para orientar o comportamento das pessoas no sentido de se apurar de forma objectiva se agem como a profissão dele exigi, tão somente isto. Tenho dito.
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0 # Bomba de Alcaeda 03-01-2018 13:34
É os Rabentolas no seu máximo. Agora, passaram de pequenas Rebentolinhas para passarem a lançar Bombas de AlCAEDA.
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+1 # Lei da Rolha 03-01-2018 13:32
GRAVÍSSIMO, pá!

Mas isto se enquadra dentro de uma estratégia mais global que é a de SONEGAR informações à Sociedade. Ontem, por exemplo, a Polícia Nacional fez o balanço da quadra festiva, dizendo que tudo decorreu na normalidade, salvo um caso de homicídio em São Vicente. Mais, disse que, particularmente, na Praia, a situação foi normal. Acontece que na peça noticiosa que veio logo depois, a Diretora Clínica do Hospital da Praia disse que receberam mais de 500 (Quinhentos) casos de urgências provocadas por armas brancas e de fogo. Quer dizer, tudo isto era para ser escondido? Não se pode dizer que a polícia não teve essa informação porque todos os casos de PANCADARIAS são tratados com o conhecimento da Polícia e toda gente sabe isso. Então, porquê esconder a Verdade? De tanta propalação da necessidade de se falar a verdade à sociedade de que o MpD fazia, agora esqueceu-se e quer fazer, exatamente o Contrário? Sr. Elísio Freire, Lembra-se das suas gritarias no Parlamento da necessidade de se falar verdade para as pessoas? E agora estão a colocar ROLHA? Será que a Diretora Clínica do Hospital da Praia vai ser varrida por ter falado VERDADE?
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+2 # PEPETELA 03-01-2018 13:11
A Liberdade de imprensa é um dos princípios fundamentais dos sistemas democráticos baseada na liberdade de opinião e de expressão. Em Cabo Verde, a liberdade de imprensa nunca foi tão ameaçada desde a nomeação do Sr. Abraão Vicente como tutela do sector. Ele transformou o audiovisual público como instrumento de propaganda político, não da política do Governo, mas dele próprio e de alguns outros que considera “peso pesado” do partido e ao seu favor. Quando olhamos para a história, a primeira coisa que fazem os ditadores é amordaçar a imprensa para silenciar qualquer tipo de oposição. Com um preambulo desse (“com este código, pretendemos, ainda, garantir que os COLABORADORES da RTC actuem no melhor interesse público e da empresa, SEM SEREM PARCIAIS relativamente a alguma organização em particular ou aos seus interesses pessoais”) a vítima é transformada em vitimizador, a ovelha é vestida da pele cheia de sangue do lobo para justificar a sua justa matança na praça pública. Toda gente assiste PASSIVAMENTE ás derivas do poder, do Abraão Vicente, porque na nossa família não há ninguém do sector ("TEMOS PENA DESSES JORNALISTAS"). Entretanto, somos grandes consumidores de notícias: temos 2 ou 3 tv, 3 ou 4 rádio, 5 ou 6 smartphones em casa. Consumimos sem querer saber como é feito ou tratado o produto (“conscientiae alimentarium”, “consciência alimentar”, encher a barriga sem se preocupar do paladar). Não nos sentimos de forma alguma conivente do que está a passar, que estamos coniventes e a encorajar o ABRAÃO VICENTE, que estamos a contribuir para a instalação de um instrumento de propaganda caduco e revogado na história das novas democracias e aquele como a nossa que sempre apresentamos como a mais avançada da África. Felizmente há um muito bom movimento da sociedade civil movidos por mulheres tais como a Rosário Luz ou a Helena Fontes. Dos homens, não vejo…
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0 # PEPETELA 03-01-2018 13:41
EM FORMA DE RETROSPETIVA E PARA ENTENDER MELHOR O QUE ESTÁ POR DETRAS DO DITO CÓDIGO: http://www.dexamsabi.com/2017/03/abraao-vicente-fez-ameaca-de.html
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+1 # João Ccruz 03-01-2018 12:24
Não vejo nada de anormal neste Código de Ética, a não ser muito bom senso. Os jornalistas não podem fazer o que querem só por serem jornalistas e devem sim ser imparciais para serem credíveis. qualquer instituição pública e deve ter um código de ética.
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+1 # democrata 03-01-2018 11:35
sinceramente! Isso sim é um atentado contra um Estado dito de "Direito Democrático"! Tenho Pena desses Jornalistas porque Jornalismo de verdade só vao ver mesmo nas estações Internacionais.Espero alguma atitude da parte da AJOC apesar que nao tem estado a fazer nada para a classe.
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