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O concurso para a construção do terminal de cruzeiros em São Vicente, um dos maiores investimentos públicos recentes em Cabo Verde, vai sofrer novo atraso, com a prorrogação em um mês do prazo para a entrega de propostas financeiras.

Segundo uma nota da Enapor, a atual segunda fase do concurso público, que já sofreu vários atrasos este ano devido à pandemia de covid-19, consiste na seleção do empreiteiro para a execução das obras de construção do terminal, sendo que a data limite para a entrega das propostas técnicas e financeiras, que era até 30 de outubro, “foi prorrogada até ao próximo dia 30 de novembro”.

“O atraso que ocorre na conclusão da segunda fase do concurso deve-se a uma série de fatores, procedimentos e regras estabelecidas pelos financiadores internacionais do projeto, que estão previstos no processo e que devem ser respeitados”, refere a Enapor, na mesma nota.

Trata-se de um investimento público superior a 2.900 milhões de escudos (26,2 milhões de euros).

A primeira fase do concurso público para esta empreitada terminou em agosto, com a pré-seleção de cinco grupos empreiteiros: Afcons Infrastructures (Índia), Conduril Engenharia (Portugal), consórcio Mota-Engil/Empreitel Figueiredo (Portugal/Cabo Verde), consórcio Sogea-Satom/Dumez Maroc (França/Marrocos) e Soletanche Bachy International (França).

Com esta nova reformulação dos prazos, a Enapor explica que a visita técnica obrigatória, por parte dos empreiteiros selecionados, ao local destinado à construção do Terminal de Cruzeiros do Mindelo, será feita em 19 de novembro.

“Devido à complexidade do projeto e tendo em conta os vários intervenientes no processo de construção do Terminal de Cruzeiros do Mindelo, tem-se verificado algum atraso nos prazos inicialmente estabelecidos, e que tem sido agravado desde o início do ano pela situação da pandemia do covid-19”, explica ainda a Enapor.

O terminal de cruzeiros a instalar em São Vicente prevê a construção de dois pontões para atracação de navios com mais de 400 metros de extensão e de uma vila turística, conforme o concurso público internacional.

O Governo estima que o terminal permita receber anualmente 200.000 turistas de cruzeiro.

O edital inicial do concurso previa o arranque da empreitada em agosto, para estar concluída em 22 meses, o que está dependente do processo de adjudicação dos trabalhos, mas que tem sofrido vários atrasos.

A primeira fase do concurso, que terminou em 11 de março, visava selecionar até oito candidatos. A adjudicação da obra estava prevista para finais de julho, mas o processo foi condicionado pelas limitações impostas pela pandemia de covid-19.

A Lusa noticiou em julho que o Governo vai cortar um quarto do investimento que previa este ano na construção do terminal de cruzeiros. Segundo informação que consta dos documentos de suporte à lei do Orçamento de Estado Retificativo de 2020, preparado devido à pandemia de covid-19, a obra sofrerá assim um atraso, prevê o Governo.

“Os recursos canalizados para o projeto de ‘Construção do Terminal de Cruzeiros’ sofreram um decréscimo de 24,8%, passando de 972 milhões de escudos [8,8 milhões de euros] para 730 milhões de escudos [6,6 milhões de euros], justificado pela revisão dos desembolsos dos empréstimos externos, prevendo um atraso na execução da obra”, lê-se no documento, que se refere à verba para o primeiro ano de obra.

A obra é cofinanciada pela Fundo Orio, dos Países Baixos, e pelo Fundo OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) para o Desenvolvimento Internacional.

“O Terminal de Cruzeiros do Mindelo terá um impacto enorme na economia de São Vicente e Santo Antão, assim como um efeito indutor na economia de Cabo Verde”, lê-se no edital do concurso.

Os trabalhos vão envolver a reivindicação de uma área de terra, denominada “Ponte Terrestre”, com 2.700 metros quadrados (m2), e a dragagem de aproximadamente 124.000 metros cúbicos na bacia portuária e no canal de acesso.

Entre outras características, o projeto prevê ainda a construção de um pontão de atracação de 400 metros de extensão com 11 metros de profundidade e outro de 450 metros com 9,5 metros de profundidade, além de um cais com uma largura de 12 metros, uma gare de passageiros, uma vila turística e uma zona imobiliária.

Prevê também a construção de um edifício de receção aos turistas com cerca de 900 m2, designado por "Visitor Welcome Center", e instalações com 6.150 m2 para estacionamento de táxis e autocarros de apoio.

Cerca de 48.500 turistas em viagens de cruzeiro visitaram Cabo Verde em 2019, um aumento de 3% face ao ano anterior e um novo recorde, segundo dados da Enapor.

Com Lusa

 

Comentários  

0 # Colundjul51net@hotm 18-11-2020 17:13
Existem 2 empresas do mesmo grupo o que não é aceitavel segundo o caderno de encargos. Teimosamente a Administração não está interessada em ouvir essas coisas. Poderá vir a ser mais caro para o Estado.
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0 # Consul 17-11-2020 04:50
Completamente dispensável.
Esse projeto vai "cantonar" os visitantes, reduzindo drasticamente o impacto sobre a economia local. Muitos poucos vão ganhar.
Mindelo devia ser, todo ele, transformado em terminal de cruzeiro, aproveitando a sua forte vocação cultural, vida nocturna, organização urbana e os vários edifícios fechados, transformando-os em bares, hotéis de charme, hotéis design, boutique hotel, restaurantes, salão de jogos, lojas de artesanato, etc.
Agora, cantornar os visitantes num canto, riba cais, à parte, longe da população, que impacto terá sobre a economia local? Praticamente, nada. A não ser para uns poucos felizardos que conseguirem algum negocio no Terminal.
Ainda é tempo de se pensar a estratégia de desenvolvimento turístico de SV e Mindelo em particular.
Mindelo, todo, devia ser pensado e transformado num grande polo turístico, não só para os visitantes dos cruzeiros, de umas poucas horas, mas sobretudo para os turistas, aqueles que pernoitam-se nos hotéis, ou mesmo, em casas privadas, comem nos restaurantes locais, da cidade, bebem nos bares, da cidade, compram artesanato e souvenirs da Polibel & Cia, na cidade, apreciam a musica e assistem shows de Mandigas, deliciam Cavala Fresk e uma Moreia frita no Caravela, refrescam na Laginha, visitam Monte Sossego, interagem com a população, ouvem Bau e Vogina, Vasco (?), Vlú, Chico, visitam galeria Nho Djunga, Casa Cesária, CNAD, compram pintura de Kiki Lima, etc., etc., sempre um Euro por ali, um Euro, por aqui...
Seria oportunidade para dinamizar e pôr toda a industria criativa de S. Vicente em acção, utilizando esse financiamento para apoiar micro e peq empresas, desenvolver os negócios existentes e fomentar outros.
Se não for por mania, esse investimento seria dispensável. Francamente. A sério, malta! Praça 3.
Há investimentos com externalidades muito mais abrangentes do que terminal de cruzeiro anunciado.
Será que as atuais infraestruturas portuárias não dão conta do recado com alguns pequenos toques? Será que Porto Grande está tão sobrecarregado que não tem lugar para umas horinhas para um cruzeiro que vem de vez em qdo? Não seria muito mais racional um terminal de cruzeiro no Porto Novo, que não tem as potencialidades que Mindelo tem, mas tem outras, que Mindelo e nenhuma outra ilha, não têm e nunca terão?
Agora, é mania de desconcentrar da Praia para concentrar em Mindelo, esquecendo-se que os recursos são parcos e que outras ilhas padecem.
Para uma reflexão estratégica, holistica e perene, é fundamental começarmos a pensar as ilhas de forma integrada, e deixar de tratar Santo Antão e S. Nicolau como apenas simples apêndice. Não disse quintal, não disse!!!
Complementaridade e Integração, são cruciais para o desenvolvimento regional harmonioso e sustentável, sob pena de aumento das assimetrias regionais e aumentar a fuga da população de SN e SA, para SV.
Em síntese, não matem Mindelo com esse cavalo branco. Ou não, Salvador?
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0 # SÓCRATES DE SANTIAGO 16-11-2020 18:26
O Governo tem de tomar muito cuidado com determinados elefantes brancos, neste caso concreto, o terminal de cruzeiros em S.Vicente. O dinheiro de Cabo Verde, O NOSSO DINHEIRO, deve ser investido onde haja garantia de SUSTENTABILIDADE e RETORNO FINANCEIRO e ECONÓMICO e não por causa de mania de um GRUPINHO que se julga CABO- VERDIANOS DE PRIMEIRA, vivendo à maneira do PRIMEIRO MUNDO, quando nós estamos no TERCEIRO MUNDO e em plena pandemia de vovid19. HAJA,,POIS SACO E LATA!!!
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