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Portos nacionais com primeira quebra de passageiros em cinco meses
Economia

Portos nacionais com primeira quebra de passageiros em cinco meses

Os portos de Cabo Verde movimentaram 68.043 passageiros em Setembro, a primeira queda mensal após quatro meses consecutivos a crescer e a recuperar o tráfego afectado pela pandemia de covid-19 em Abril.

Segundo os dados mais recentes do relatório mensal de tráfego da Enapor, empresa pública responsável pela gestão dos nove portos do arquipélago, foram movimentados menos 9,4% de passageiros de agosto para setembro. De Julho para Agosto tinham sido movimentados mais 25.000 passageiros – para um total 74.919 -, crescendo então 49,4% no espaço de um mês.

Desde Maio, com a retoma progressiva dos transportes marítimos interilhas, após um mês e meio de suspensão devido à pandemia da covid-19, que o tráfego de passageiros vinha a crescer todos os meses.

Os dados do relatório da Enapor apontam ainda que o tráfego de setembro ficou 32,3% abaixo do registado no mesmo mês de 2019.

Do total de passageiros em Setembro, 41,1% representou o movimento no Porto Grande (Mindelo) e 35,6% no Porto Novo, respectivamente nas ilhas vizinhas de São Vicente e Santo Antão. O Porto da Praia, capital do país, registou uma quota de 3,4% do total, com um movimento de 2.339 passageiros, praticamente metade do registado em Agosto, indica o relatório, a que a Lusa teve hoje acesso.

A CV Interilhas, liderada (51%) pela portuguesa Transinsular, detém a concessão do serviço público de transporte marítimo de passageiros e carga, durante 20 anos, sendo atualmente a única empresa a operar neste setor no arquipélago.

Ainda em Setembro, os portos de Cabo Verde movimentaram 503 navios, uma quebra de 56 navios face a Agosto (-10%) e de 26,5% tendo em conta os dados do mesmo mês de 2019, enquanto o movimento de mercadorias cresceu 16,5% no espaço de um mês, para 163.528 toneladas, valor que fica 22,5% abaixo em termos homólogos.

Desde 3 de Setembro que os navios que garantem as ligações marítimas interilhas em Cabo Verde podem usar até 75% da lotação nas viagens superiores a três horas e meia, contra os 50% estipulados desde a retoma do serviço em Maio, devido à pandemia da covid-19, conforme previsto numa resolução do Conselho de Ministros.

As alterações visam especificamente o transporte marítimo, alterando a definição anterior, que obrigava a que a lotação dos navios devia “respeitar o distanciamento social mínimo de 1,5 metros”, o que se traduzia, até então, numa ocupação máxima de 50% da capacidade dos navios.

Aquando da aprovação desta resolução, o Governo explicou que as alterações permitiriam às viagens interilhas com tempo de duração inferior a três horas e meia uma ocupação de 100%. A medida pretendia “manter a vigilância e reforçar as medidas de combate ao covid-19”, mas também “iniciar uma atividade gradual da retoma económica e circulação das pessoas entre as ilhas por via marítima”.

A administração da CV Interilhas admitiu em agosto perdas de 4,5 milhões de euros em 2020, devido à covid-19, necessitando de uma compensação financeira do Estado. A posição foi assumida em entrevista à Lusa por Paulo Lopes, administrador-executivo da CV Interilhas, a propósito do primeiro ano de atividade da empresa, admitindo que a pandemia teve “um grande impacto” na atividade, desde logo pela suspensão de todas as ligações interilhas de transporte de passageiros.

Além do período de abril a maio sem transporte de passageiros e a retoma gradual das ligações entretanto iniciada, o administrador da CV Interilhas recordou que a empresa esteve obrigada a reduzir a lotação dos navios a 50%, como medida de prevenção da doença.

“Sendo a concessão [do serviço público de transporte marítimo de passageiros e carga] deficitária, passa a ser mais deficitária. Obviamente que isso não tem um impacto direto, porque há uma redução também de custos, nós implementamos um conjunto de medidas, nomeadamente chegamos a parar navios para reduzir os custos de operação”, disse o administrador, admitindo, contudo, que a subvenção do Estado, prevista no contrato de concessão, não será suficiente em 2020.

Cabo Verde regista um acumulado de 7.371 casos diagnosticados de covid-19 desde 19 de março, com 79 mortos associados à doença.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e oitenta e sete mil mortos e mais de 38,2 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Com Lusa

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