Nenhuma democracia sobrevive quando o povo perde a capacidade de dizer: isto não é normal. Quando o povo perde essa capacidade o resultado final é a produção da normalidade, isto é: o processo pelo qual o inaceitável se torna tolerável e, depois, invisível.
Não há liberdade, quando a mobilidade, pilar de qualquer Estado arquipelágico, foi transformada num luxo inacessível. O transporte inter-ilhas é caro, irregular e imprevisível. Para muitos cabo-verdianos, visitar um familiar noutra ilha ou conhecer o próprio país é um privilégio inalcançável ao longo de toda uma vida. Não há liberdade, enquanto o povo aperta o cinto, o desgoverno esbanja. Milhões de dólares são gastos em show off internacional, feiras no Dubai, Ocean Race, fragatas, estátuas de 150.000 contos, escadarias de milhões na Lajinha e na Baía. Obras de vaidade,...
O presidente da União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID) defendeu hoje que Cabo Verde precisa de um novo modelo de governação assente numa “descentralização real, profunda e funcional, devolvendo o poder às ilhas, às pessoas e às comunidades”.
De 2016 até agora, o MpD perdeu metade do seu eleitorado e, em vez de reflectir com seriedade sobre isto, prefere criar inimigos imaginários, como os comunistas e a extrema-esquerda a babar sangue nas esquinas à espera de assaltar o poder. A insanidade é de tal ordem que, reagindo à histórica classificação de Cabo Verde para o Mundial de 2026, já anda gente a agradecer a Ulisses pelo feito e a fazer analogias entre as datas de 13 de Outubro e 13 de Janeiro.
Estranhamente, a instabilidade política - ao contrário do que seria compreensível e até democraticamente aceitável - não está a ser promovida pelas oposições ou pelos sindicatos, antes pelo Governo que, a pouco menos de um ano das eleições, está a indignar o país e a demonstrar que está esgotado! O executivo ventoinha está a revelar-se naquilo que realmente é: incapaz de governar o país! Daí a tragicomédia da TACV, o caos em matéria de transportes e a mais absoluta incompetência no fornecimento de energia eléctrica. Ulisses prometeu ser diferente e fazer diferente e,...
O povo das ilhas quer uma nova agenda para o povo das ilhas. O povo das ilhas clama em uníssono pela mudança e pela transformação de Cabo Verde num país onde “Kada Kriston tem Direito a Si Gota de Água”. O povo das ilhas clama pela verdade, transparência, justiça, equidade e pela boa gestão da coisa pública. O povo das ilhas clama pela necessidade de que os nossos recursos humanos, bem capacitados, possam encontrar mecanismos de sucesso nas suas próprias ilhas. A agenda que se almeja nos dias de hoje não pode nunca estar ao serviço de um grupinho perto do poder e da classe...
Ulisses Correia e Silva não é um tolo — longe disso. Ele é, talvez, o mais refinado estratega político da era democrática cabo-verdiana. Já antes demonstrou a sua mestria ao virar resultados adversos e triunfar em eleições quando muitos o davam por vencido. Governa com os olhos postos no voto, e não se distrai com críticas nem com diagnósticos técnicos. Por isso, não é por acaso que repete exaustivamente a expressão “sem djobi pa ladu”. É mais do que um slogan — é uma filosofia de governação onde a obstinação é confundida com liderança e onde o objetivo último...