O Governo cria, deliberada e descaradamente, uma narrativa ilusória ao anunciar obras que não lhe pertencem, ajustando o cronograma de comunicação para servir de instrumento de pré‑campanha. Para quem conhece a lógica das concessões aeroportuárias, trata‑se de puro marketing político de pre-campanha.
Dez anos depois, o resultado é claro: dependência, estagnação e retrocesso. Cabo Verde não precisa de avales eternos, mas de liderança e coragem para fazer o país descolar. Francisco Carvalho não promete milagres; apresenta provas. Não governa com slogans, mas com responsabilidade. Ele é a rutura necessária, a resposta ao esgotamento e o antídoto ao abuso de poder.
Falando em nome do Grupo Parlamentar do Movimento para a Democracia, a deputada Elizabete Évora reconheceu haver muitos desafios a contornar e apelou aos cabo-verdianos para procurar as “melhores soluções”. Aludindo aos transportes aéreos interilhas, a parlamentar disse que a bancada do seu partido está “firme e confiante” de que os problemas vão ser resolvidos, mas reconhecendo, contudo, um “quadro recente com avarias e cancelamentos de voos”.
Em vésperas de eleições, a tradicional mensagem de Boas Festas do primeiro-ministro apresentou ao país - não um cabaz de Natal – um autêntico cabaz de promessas. Entre prometimentos com uma década e outros mais recentes, Ulisses Correia e Silva asseverou ao país que 2026 vai ser o ano em que todos irão ser concretizadas.
Em conferência de imprensa realizada hoje, Ireneu Camacho contradiz Jorge Santos e anuncia que a Enapor avança com concurso internacional para contratação de parceiro na exploração do Complexo de Frio do Porto Grande, de acordo com os procedimentos da contratação pública, ao contrário do ministro que, em abril último, havia anunciado que um consórcio espanhol estava posicionado para assumir a gestão.
O reiterado desafio foi lançado ontem, em São Filipe, quando intervinha no encerramento da Assembleia Regional do PAICV. Direcionado para o interior do partido, mas, principalmente, olhando para as eleições do próximo ano. “Somos obrigados a juntar-nos, outra vez, para o PAICV retomar a sua vocação de assumir Cabo Verde para trazer o desenvolvimento”, disse o líder do principal partido da oposição perante uma Casa das Bandeiras cheia de militantes.
Se o Governo quer pedir mais cinco anos, precisa primeiro de explicar o que fez com os últimos dez. Precisa de enfrentar a insegurança que já mata jovens como se fossem estatística descartável. Precisa de assumir a responsabilidade pela fuga massiva de talentos. E precisa, sobretudo, de parar de fingir que indicadores positivos significam progresso real. O país já não quer discursos, quer resultados, quer segurança, quer oportunidades, quer verdade. E, acima de tudo, quer respeito por tudo quanto não se encontra em relatórios, mas na vida real. A vida real que, neste final do ano...