Duas mulheres e dois homens (um africano) estão na disputa pelo cargo de secretário-geral da ONU, a susbstituir o portugues Antonio Guterres, e serão ouvidos a partir de amanha, terça-feira, 21, pelos Estados-membros, dando início a um processo que poderá ser histórico caso a liderança eleita seja feminina. O eleito tomará posse em janeiro de 2027. Saiba quem são.
Em democracias consolidadas, as CPIs têm o poder de investigar factos relevantes ao interesse público, mesmo que esses factos tenham sido objeto de sentenças judiciais. A investigação parlamentar é essencialmente política, não penal. Impedir o acesso a documentos ou depoimentos sob pretexto de independência judicial pode ser interpretado por órgãos internacionais como uma restrição à transparência e à responsabilidade (accountability).
Falando em nome do grupo parlamentar do Movimento para a Democracia, Filipe Santos estranhou que o PAICV queira voltar ao mesmo tema, considerou que o setor agrícola nunca esteve tão bem e defendeu que o Governo tem uma “estratégia clara e consistente”.
Um Estado que elogia os seus emigrantes apenas quando eles brilham, mas os responsabiliza quando tropeçam, não está a governar: está a reagir. E um país pequeno, com uma história de mobilidade forçada e escolhida, não pode dar-se ao luxo de tratar a sua diáspora como um ativo descartável do discurso político. Talvez seja tempo de perguntar menos “o que fizeram os cabo-verdianos” e mais “o que poderia o Estado ter feito diferente”. Porque culpar é fácil. Representar, é mais difícil. Mas é exatamente para isso que existe um Governo.
Segundo a União Cabo-Verdiana Independente e Democrática, o comunicado do Governo de Ulisses Correia e Silva, a propósito da situação na Venezuela, reflete um alinhamento ideológico explícito com narrativas e interesses externos à tradição diplomática cabo-verdiana. “Trata-se de uma leitura política alinhada com determinados centros de poder internacionais, e não de uma avaliação jurídica ou consensual multilateral”, sustentam os democratas-cristãos.
Reagindo à exigência de uma caução de 15 mil dólares para a obtenção de vistos de turismo e de negócios, o Governo de Ulisses Correia e Silva emitiu um comunicado onde lava as mãos e culpa os cabo-verdianos. O Governo de Cabo Verde parece ter-se assumido como porta-voz do Governo dos Estados Unidos, explicando a medida e apontando responsabilidades ao seu próprio povo, que deveria defender.
Cabo Verde construiu uma reputação que muitos países da nossa região e da nossa zona comparável invejam: estabilidade política, instituições sólidas, boa governação, respeito internacional. Essa imagem, embora fundada em conquistas reais, é um escudo confortável mas mentirosa. A realidade é teimosa, e a verdade é que Cabo Verde vive um momento de fragilidade profunda da sua capacidade governativa — uma erosão lenta, mas contínua, que ameaça comprometer o futuro do arquipélago.