Que se reerga a grande ilha do Porto Grande e Monte Cara pelo alento das suas valorosas gentes, com a solidariedade fraterna e firme dos cabo-verdianos de todas as ilhas e diásporas, contra projetos supremacistas malsãos engendrados por mãos estrangeiras, ainda que acolitadas por serventuárias nacionais. Hoje mais do que nunca faz sentido o verso de «súplica« de Djoya «sonsent nxina-me oiá lus di sol». Que o sol do novo dia te seja de novo radioso, Sonsent.
O povo das ilhas quer uma nova agenda para o povo das ilhas. O povo das ilhas clama em uníssono pela mudança e pela transformação de Cabo Verde num país onde “Kada Kriston tem Direito a Si Gota de Água”. O povo das ilhas clama pela verdade, transparência, justiça, equidade e pela boa gestão da coisa pública. O povo das ilhas clama pela necessidade de que os nossos recursos humanos, bem capacitados, possam encontrar mecanismos de sucesso nas suas próprias ilhas. A agenda que se almeja nos dias de hoje não pode nunca estar ao serviço de um grupinho perto do poder e da classe...
Não deixes que matem a tua alma, a alma da tua nação, sofridamente parturida nos armazéns de desumanidade da Cidade Velha, recalcificada, colorida e robustecida pela marcha imparável do povo das ilhas todas, que é esta língua que despencou das bocas balbuciantes, gatinhou na poeira, rebolou pela lama, escorregou pelas furnas, levantou-se e, escorrendo ainda a baba do desespero, trepou aos cutelos, esgueirou-se pelas frinchas dos casebres, espreitou pelas portas dos sobrados (hoje palácios) onde continuamente lhe foi negada a simples hospitalidade ou o soberano reconhecimento de...
O escritor José Luís Hopffer Almada colocou no mercado em finais de Julho mais uma obra literária, “Exalações”, que reúne sete livros de poemas de Nzé Di Sant'y Ago, um dos nomes literário do autor.
"Do aeródromo ao centro, vinte e cinco curvas de hiace. Contei-as uma a uma, como quem reza. Quando revelei esse número à senhora da pensão Paraíso, ela ficou espantada: — Nunca tinha pensado nisso, disse. E eu pensei: é sempre o estranho quem revela o óbvio. Sou da espécie que repara no que não aparece na fotografia. Foi assim que, numa noite qualquer, percebi que entre centenas de pessoas, só uma estava verdadeiramente bem vestida: Trinité, a única beleza deliberada daquela rua em frente ao polidesportivo. Talvez homem, talvez mulher, talvez apenas presença. Em São Nicolau,...
A nossa independência não foi um ponto final. Foi o início de uma responsabilidade imensa. Cinquenta anos depois, temos o dever de olhar em frente com a mesma fé que nos trouxe até aqui. Ergamos a cabeça! Abramos os olhos! Fechemos os punhos! Porque Cabo Verde não é uma marca turística. É um povo vivo, que pensa, que sente, que luta e que ama. E enquanto houver um só cabo-verdiano com fome, enquanto houver uma só criança sem escola, uma só mulher silenciada, um só jovem a querer partir por desespero… então, a luta continua.
A sétima edição do festival "Literatura-Mundo do Sal" arranca quinta-feira e vai homenagear quatro escritores lusófonos, com um programa dedicado aos 50 anos da independência de Cabo Verde, Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe.