Estas eleições não devem ser vistas apenas como uma celebração simbólica de 35 anos de democracia e liberdade. Devem ser encaradas como um momento de viragem histórica. A oportunidade de fazer a transição de uma democracia ainda presa aos mesmos protagonistas para uma democracia adulta, participativa e verdadeiramente representativa. Dar espaço à juventude não é um favor, nem uma concessão partidária. É uma necessidade democrática. Sem isso, MPD e PAICV continuarão a repetir discursos vazios, enquanto o futuro do país permanece eternamente adiado.
O silêncio político da juventude cabo-verdiana não é um fim. É um sinal. Um sinal de alerta e, simultaneamente, uma oportunidade. Se for compreendido e enfrentado com seriedade, pode tornar-se o ponto de partida para uma democracia mais inclusiva, vibrante e à altura das novas gerações. Ignorá-lo, pelo contrário, seria aceitar uma democracia que fala cada vez menos com quem mais tempo tem para a viver.
Ulisses Correia e Silva reconheceu ontem que a situação dos jovens é complexa e exortou-os a buscarem oportunidades e serem resilientes, mas não especificando quais oportunidades. O primeiro-ministro falava à margem de um encontro realizado com jovens beneficiários do projeto “Ami ê di Paz y Bô?”, e disse haver “muita informação manipulada” para “criar um clima de depressão”.
Em diálogo com os alunos da Escola Secundária Ludgero Lima, na cidade do Mindelo, José Maria Neve abordou, na tarde de ontem, as diversas formas de participação cidadã à luz da Constituição da República. Alunos e professores aproveitaram a ocasião para interpelar o Chefe de Estado acerca de vários dispositivos constitucionais.
A XV Semana da República arranca no Dia da Liberdade e da Democracia, com uma mensagem plural e de esperança no futuro. Organizada pela Presidência da República, a semana prolonga-se até dia 22, com foco nas novas gerações de cabo-verdianos que trazem outras visões, linguagens e expectativas sobre a cidadania, a participação cívica e o papel do país no mundo.
O Instituto do Desporto e da Juventude (IDJ) celebra o 13 de Janeiro, Dia da Liberdade e da Democracia, com um torneio Relâmpago de balizinha e basket 3x3, sábado, 10, no Largo do Memorial da Liberdade.
Quando um sistema prefere silenciar o mensageiro em vez de corrigir a mensagem, confessa a sua fragilidade moral. Cabo Verde não precisa de instituições que se protejam da verdade, mas de instituições que se alimentem dela. A coragem de quem desafia o trono não deve ser um convite ao martírio civil ou jurídico, mas o ponto de partida para uma renovação ética nacional. Em nome da diáspora cabo-verdiana e de todos os que acreditam num Estado de Direito vivo e imperfeito - porque humano - rogo a Vossa Excelência que use os poderes morais e constitucionais do seu cargo para promover...