O Partido Africano da Independência de Cabo Verde acusou hoje o Governo do MpD de “sucessivos falhanços” nos setores das pescas e dos transportes, considerando tratar-se de uma “década perdida”. Para a deputada Adélsia Almeida, o Governo falhou também na construção das infraestruturas prometidas, como cais, arrastadouros, mercados de pesca e unidades de conservação e transformação do pescado, deixando as comunidades piscatórias “abandonadas”. A parlamentar denuncia, ainda, o que considera ser o “caos” no setor dos transportes.
Falando em nome do Grupo Parlamentar do Movimento para a Democracia, a deputada Elizabete Évora reconheceu haver muitos desafios a contornar e apelou aos cabo-verdianos para procurar as “melhores soluções”. Aludindo aos transportes aéreos interilhas, a parlamentar disse que a bancada do seu partido está “firme e confiante” de que os problemas vão ser resolvidos, mas reconhecendo, contudo, um “quadro recente com avarias e cancelamentos de voos”.
Ao visitar a zona norte da ilha do Porto Inglês, José Maria Neves voltou a defender ontem a necessidade de reforçar os apoios aos pequenos municípios, para combater as assimetrias regionais e garantir igualdade de oportunidades às ilhas mais isoladas.
O reiterado desafio foi lançado ontem, em São Filipe, quando intervinha no encerramento da Assembleia Regional do PAICV. Direcionado para o interior do partido, mas, principalmente, olhando para as eleições do próximo ano. “Somos obrigados a juntar-nos, outra vez, para o PAICV retomar a sua vocação de assumir Cabo Verde para trazer o desenvolvimento”, disse o líder do principal partido da oposição perante uma Casa das Bandeiras cheia de militantes.
O líder parlamentar do PAICV e deputado pelo círculo eleitoral da Brava, acusou o Governo de ter abandonado a ilha. Clóvis Silva apontou o dedo à crise instalada nos transportes, na saúde e no abastecimento de água engarrafada. “Há um sentimento claro de abandono. Falta presença institucional. A população diz que não se sente apoiada por este Governo”, afirmou o deputado.
O presidente da República teve ocasião de ouvir, de viva voz, a queixa recorrente da população da ilha das flores: a escassez de transportes é o maior entrave ao desenvolvimento local. Assim o disseram a José Maria Neves empresários e agricultores, e, de um modo geral, toda a gente com quem o chefe de Estado falou. O sentimento dominante parece de desesperança, já que ninguém acredita mais nas promessas do poder central.
José Maria Neves participa hoje, por videoconferência, na Cimeira Extraordinária e de Emergência dos Chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, que visa concertar o posicionamento regional face ao recente golpe de Estado militar na Guiné-Bissau e à interrupção da ordem constitucional.