O Partido Africano da Independência de Cabo Verde denunciou hoje no Parlamento o que considera ser o falhanço completo da política fiscal do executivo liderado por Ulisses Correia e Silva e o seu impacto negativo no bem-estar das famílias. Falando em nome do grupo parlamentar ventoinha, Julião Varela afirmou que o atual Governo não cumpriu os compromissos assumidos no início da legislatura, agravando impostos e taxas e que o alegado crescimento não chega aos bolsos dos cidadãos.
Falando em nome do grupo parlamentar do Movimento para a Democracia, Filipe Santos estranhou que o PAICV queira voltar ao mesmo tema, considerou que o setor agrícola nunca esteve tão bem e defendeu que o Governo tem uma “estratégia clara e consistente”.
A Assembleia Nacional retoma esta semana os seus trabalhos parlamentares e a posse dos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao caso Amadeu Fortes Oliveira poderá entrar na agenda. A expectativa é expressa pelo deputado do PAICV, Demis Lobo, que defende que a comissão deve iniciar funções de imediato, apesar do pedido de fiscalização sucessiva abstrata da constitucionalidade da resolução que a criou.
O Partido Africano da Independência de Cabo Verde acusou hoje o Governo do MpD de “sucessivos falhanços” nos setores das pescas e dos transportes, considerando tratar-se de uma “década perdida”. Para a deputada Adélsia Almeida, o Governo falhou também na construção das infraestruturas prometidas, como cais, arrastadouros, mercados de pesca e unidades de conservação e transformação do pescado, deixando as comunidades piscatórias “abandonadas”. A parlamentar denuncia, ainda, o que considera ser o “caos” no setor dos transportes.
Falando em nome do Grupo Parlamentar do Movimento para a Democracia, a deputada Elizabete Évora reconheceu haver muitos desafios a contornar e apelou aos cabo-verdianos para procurar as “melhores soluções”. Aludindo aos transportes aéreos interilhas, a parlamentar disse que a bancada do seu partido está “firme e confiante” de que os problemas vão ser resolvidos, mas reconhecendo, contudo, um “quadro recente com avarias e cancelamentos de voos”.
O Grupo Parlamentar do MpD aparece, de passos trocados, e vota contra a condenação do golpe de Estado na Guiné-Bissau, com uma “esquisita” justificação. Postura que, interpretada à letra, pode configurar uma “censura” ao Governo.
O Movimento para a Democracia foi o único partido parlamentar a rejeitar um voto de condenação ao golpe de Estado de 26 de novembro. Justificando a posição do partido do Governo, Orlando Dias lembrou que se registaram golpes de Estado em países como Guiné-Conacri, Mali, Níger e outros, sem que o parlamento cabo-verdiano se pronunciasse.