Em vésperas de eleições, a tradicional mensagem de Boas Festas do primeiro-ministro apresentou ao país - não um cabaz de Natal – um autêntico cabaz de promessas. Entre prometimentos com uma década e outros mais recentes, Ulisses Correia e Silva asseverou ao país que 2026 vai ser o ano em que todos irão ser concretizadas.
Num país pequeno como Cabo Verde, a justiça não pode ignorar o impacto simbólico e político das suas ações. Um aparato policial com armas de guerra, tratando uma edilidade como se fosse uma associação criminosa, não é neutro. Intimida, condiciona e pré-condena no espaço público antes de qualquer julgamento.
O país anda aos solavancos, a bater nas lombas da estrada, a travar com dificuldade. Avança, mas com o travão pesado, quase a parar. Resiste, e isso não é pouco. Resiste porque há uma memória funda, porque há gente anónima que acorda cedo, trabalha, pensa, educa, cuida, vota, discorda em silêncio e ainda acredita que a coisa pública não é um circo permanente. Vivemos um tempo estranho, em que grandes homens se esquecem de que o são, e outros, que sempre estiveram ativos, já não parecem necessários.
Em Assomada, em mais uma abertura do ano político, o líder do MpD apelou ao reforço da confiança no partido. “O MpD mostrou que está preparado para governar, proteger e reconstruir, reforçando o maior Estado social alguma vez construído em Cabo Verde”, disse Ulisses Correia e Silva a algumas centenas de apoiantes, provenientes de vários concelhos de Santiago Norte, que afluíram à zona pedonal. O também primeiro-ministro prometeu, ainda, reforço de investimentos estruturantes para Santiago Norte.
Elisa Pinheiro, a presidente da Câmara Municipal do Porto Novo, esteve de visita a Monte Trigo para uma “Presidência nas Comunidades”. A autarca auscultou os problemas com que a população se debate e, para além dos motores para botes de pesca, garantiu o reforço da assistência médica e instalação do sistema Starlink, assegurando internet ilimitada e de alta qualidade, entre outras ações na localidade.
Denisa Pereira, filha do líder do PAIGC, diz temer pela vida do pai e que a família quer uma “prova de vida”. “Não existe telefonema, nem existiu, não existe contacto direto”, nem com a família, nem com advogados. E organizações religiosas tentaram em vão o contacto e saber onde se encontra o líder da oposição a Sissoco (que, curiosamente, continua a ser presidente da CPLP).
O reiterado desafio foi lançado ontem, em São Filipe, quando intervinha no encerramento da Assembleia Regional do PAICV. Direcionado para o interior do partido, mas, principalmente, olhando para as eleições do próximo ano. “Somos obrigados a juntar-nos, outra vez, para o PAICV retomar a sua vocação de assumir Cabo Verde para trazer o desenvolvimento”, disse o líder do principal partido da oposição perante uma Casa das Bandeiras cheia de militantes.