Pub

 UlissesCorreia Silva

Ulisses Correia e Silva preside nesta manhã, 6, em Chã de Marinha, São Vicente, a cerimónia de apresentação e consignação da obra do Data Center, enquadrado no projecto governamental Parque Tecnológico.

“Será um verdadeiro centro de inovação, construído de acordo com as mais modernas práticas mundiais”, diz o Governo em nota de imprensa sobre a infra-estrutura, que integrará um centro de processamento de dados e outro de incubação de empresas, além de espaço de formação, entre outras valências.

O objectivo do Executivo de UCS ao apostar na criação deste Data Center, lê-se ainda na nota de imprensa, é “fomentar um ecossistema de inovação e empreendedorismo de base tecnológica, virado para as empresas nacionais bem como a promoção de serviços e soluções móveis para as diversas áreas de negócio, através de parcerias com operadores internacionais de referência”.

O futuro Data Center, que representa um investimento global de seis milhões de euros e deverá ficar pronto dentro de nove meses (Novembro deste ano), é “mais um passo para que Cabo Verde cumpra a sua vocação e transformar-se numa plataforma segura para o lançamento de negócios na África Ocidental e nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP)”.

Por: Alexandrino Moreira Lopes

 trapitxi

O contexto do mundo rural cabo-verdiano é repleto de histórias e cenas que têm como centralidade o Trapitxi,  na sua dupla função de  trituração da cana sacarina, para a confeção do grogo e do mel e espaço de socialização, onde as pessoas se encontram na faina agrícola, mas também para a convivência social. O trapitxi assume assim um lugar de destaque no imaginário do homem rural cabo-verdiano, tendo sido objeto de vários estudos de âmbito antropológio, sociológico e histórico. Desta vez o Trapitxi é objeto de um estudo  da etnomatemática, visando investigar os conceitos matemáticos no trapitxi durante o seu movimento, na perspectiva de fortalecer o processo de ensino e aprendizagem, transpondo a didática eurocêntrica para criar novas possibilidades ao ensino secundário e superior em Cabo Verde.

amlO autor da pesquisa é Alexandrino Moreira Lopes, natural de Cabo verde, graduado em Ciências da Natureza e Matemática, com habilitação em Física. Atualmente ele encontra-se no Brasil a fazer um mestrado em Socio biodiversidade e tecnologias sustentáveis, na Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB). Nesta oportunidade, este jovem investigador cabo-verdiano que partilhar com os leitores de Santiago Magazine um artigo académico da sua autoria sobre o Trapitxi de Cabo Verde. Este trabalho foi publicado no dia 24 de dezembro na revista Qualisis A2, uma das mais conceituadas revista de trabalhos científicos do Brasil. Trata-se de uma pesquisa interessado, que o autor reporta “como uma grande conquista para o nosso país levar Trapitxi ao contexto científico de alto critérios”.

 

Resumo

Trapitxi é uma máquina semi-industrial utilizada para moer cana-de-açúcar no processo de fabricação de grogu (aguardente de cana-de-açúcar) em Cabo Verde. Por seu percurso histórico, que começa com a comercialização de homens escravizados na Ribeira Grande de Santiago, Cidade Velha, na ilha de Santiago, tornou-se um patrimônio material desse país. Voltado para o estudo da etnomatemática, o presente trabalho tem como objetivo investigar os conceitos matemáticos no trapitxi durante o seu movimento, na perspectiva de fortalecer o processo de ensino e aprendizagem, transpondo a didática eurocêntrica para criar novas possibilidades ao ensino secundário e superior em Cabo Verde. Metodologicamente, foi feita uma pesquisa de campo, num espaço com trapitxi em Cidade Velha. Os resultados evidenciam que os conhecimentos matemáticos podem analisar a eficiência da máquina, aumentando o seu desempenho, fortalecendo o processo de interdisciplinaridade e preservando a história e a cultura do povo cabo-verdiano.

Considerações finais

O caráter político e antropológico da Etnomatemática aproxima a matemática de grupos que se identificam por tradições que os singularizam, como o trapitxi para o povo cabo-verdiano, em especial de Cidade Velha. A ética e o resgate da cultura favorece um processo de humanização, que leva a várias dimensões, como a tolerância, o respeito, a humildade, a esperança e uma abertura ao desafio de desenvolver novas aprendizagens, quebrando o pensamento didático hegemônico e marcando um novo compromisso, que é pedagógico, social, ético, político e, portanto, surge na perspectiva da horizontalidade.

Almejar que o interesse dos estudantes em aprender Matemática seja potencializado e que seu aprendizado seja significativo deve sempre nos fazer buscar novas estratégias e espaços-tempos de construção deste conhecimento. Trazer para o dia a dia dos discentes conceitos e fórmulas que nos livros são abstratos e de difícil assimilação, pode fazer uma grande diferença na vida escolar e acadêmica deles.

A etnomatemática por meio do trapitxi permite que sejam trabalhados na escola de maneira mais próxima à realidade dos estudantes cabo-verdianos conceitos como ângulo, circunferência, comprimento de arco e radiano. Na universidade, diversos conceitos importantes usados nos cursos de Matemática, de Física e de Engenharia, tais como: derivada, integral, produto vetorial e momento de inércia também podem ser exemplificados de forma clara com o funcionamento desse equipamento. Tais estratégias, além de analisar a eficiência da máquina, aumentando o seu desempenho, fortalecem o processo de interdisciplinaridade e preservam a história e a cultura do povo cabo-verdiano por meio de uma relação dialógica entre esses conhecimentos.

*Artigo trabalhado em parceria com: 

Elcimar Simão Martins[1]

João Philipe Macedo Braga[2]

Alexandrino Moreira Lopes[3]

Michel Lopes Granjeiro[4]

[1] Prof. Dr., Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira /UNILAB, Redenção, Ceará, Brasil, Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

[2] Prof. Dr., Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira /UNILAB, Redenção, Ceará, Brasil, Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

[3] Mestrando em Sociobiodiversidade e Tecnologias Sustentáveis, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira/UNILAB, Redenção, Ceará, Brasil, Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

[4] Prof. Dr., Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira /UNILAB, Redenção, Ceará, Brasil, Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Ver artigo.

 

Olávo Correia Conferencia França

O ministro das Finanças afirmou hoje que o Governo está a trabalhar para integrar Cabo Verde na rede global das TIC e fazer do país um “hub de tecnologias” visando garantir o acesso de todos às TIC.

Olavo Correia fez estas declarações em Paris, França, quando participava como orador no painel “Tecnologias de Informação e Comunicação” (TIC) na Conferência Internacional “Construindo novas Parcerias para o Desenvolvimento Sustentável de Cabo Verde”.

Olavo Correia começou a sua intervenção realçando que as tecnologias representam uma grande oportunidade para os pequenos países, particularmente para os pequenos países insulares, pelo que sublinhou, Cabo Verde procura integrar-se na rede global das TIC, nomeadamente nas empresas de Hardware, centros de pesquisa, espaços de inovação e desenvolvimento aliados à criação de incentivos para o desenvolvimento de uma plataforma digital e de inovação.

Para o governante, fazer de Cabo Verde uma “plataforma da inovação” é um dos vetores para a transformação do país numa economia de circulação no Atlântico Médio capaz de produzir não somente bens digitais, como de se assumir como centro de pesquisa para a inovação digital na sua região da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

É neste quadro, destacou, que Cabo Verde pretende se posicionar como um “hub de tecnologias”, capaz de garantir o acesso a todas as infraestruturas, abertura de banda e a própria qualidade de serviços.

Por outro lado, lembrou que Cabo Verde beneficia de uma posição geográfica estratégica no Atlântico Médio e oferece um ambiente suficientemente estável do ponto de vista político, social e económico, que considerou “propícios ao investimento externo”, nomeadamente neste setor.

Olavo Correia garantiu ainda que Cabo Verde prevê a criação de um Parque Tecnológico que deverá servir como Centro de Serviços, conetividade e capacitação certificada e que, ajuntou,  irá facilitar o investimento privado em atividades conexas, de modo a tornar este setor num gerador de receitas e com potencial de exportação.

“Cabo Verde registou progressos significativos na utilização das tecnologias digitais, como forma da promoção da eficiência interna, simplificação dos procedimentos da governança e a melhoria da qualidade das servições públicos”, afirmou, reforçando que o Executivo está a promover o ecossistema empresarial, de modo a apoiar as Startup, bem como, um incentivo à domiciliação de grandes empresas.

Segundo adiantou, Cabo Verde quer oferecer acesso seguro e a baixo custo à conetividade de banda larga e às infraestruturas digitais, garantindo ainda que o país está a aumentar a sua conetividade, adicionando novos cabos de fibra ótica através da conecção Ellalink e do o projecto do cabo submarino para a ligação da África Ocidental.

Olavo Correia terminou a sua intervenção no painel sobre as tecnologias, com um apelo ao sector privado, no sentido de se empreender, juntamente com o Estado, a reforma necessária ao sector, bem como a oferta de soluções para o “Made in Cabo Verde” a baixo custo, realçando que se trata de uma verdadeira oportunidade para Cabo Verde.

A Conferência Internacional de Doadores e Investimentos que está a ser promovido pelo Governo de Cabo Verde, em parceria com o Banco Mundial e o PNUD arrancou esta terça-feira 11 e termina hoje.

No primeiro dia o evento foi usado como oportunidade para sublinhar a mensagem dos progressos de Cabo Verde relativamente aos indicadores de desenvolvimento sustentável.

Hoje, a referida conferência deverá centrar-se em oportunidades para alavancar o investimento privado e conta com a participação de cerca de 200 participantes nacionais e internacionais, que terão a oportunidade de apresentar os seus projectos, para que possam obter o acesso ao financiamento de projectos transformadores em Cabo Verde.

Com Inforpress