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Por: Alexandrino Moreira Lopes

 trapitxi

O contexto do mundo rural cabo-verdiano é repleto de histórias e cenas que têm como centralidade o Trapitxi,  na sua dupla função de  trituração da cana sacarina, para a confeção do grogo e do mel e espaço de socialização, onde as pessoas se encontram na faina agrícola, mas também para a convivência social. O trapitxi assume assim um lugar de destaque no imaginário do homem rural cabo-verdiano, tendo sido objeto de vários estudos de âmbito antropológio, sociológico e histórico. Desta vez o Trapitxi é objeto de um estudo  da etnomatemática, visando investigar os conceitos matemáticos no trapitxi durante o seu movimento, na perspectiva de fortalecer o processo de ensino e aprendizagem, transpondo a didática eurocêntrica para criar novas possibilidades ao ensino secundário e superior em Cabo Verde.

amlO autor da pesquisa é Alexandrino Moreira Lopes, natural de Cabo verde, graduado em Ciências da Natureza e Matemática, com habilitação em Física. Atualmente ele encontra-se no Brasil a fazer um mestrado em Socio biodiversidade e tecnologias sustentáveis, na Universidade de Integração Internacional da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB). Nesta oportunidade, este jovem investigador cabo-verdiano que partilhar com os leitores de Santiago Magazine um artigo académico da sua autoria sobre o Trapitxi de Cabo Verde. Este trabalho foi publicado no dia 24 de dezembro na revista Qualisis A2, uma das mais conceituadas revista de trabalhos científicos do Brasil. Trata-se de uma pesquisa interessado, que o autor reporta “como uma grande conquista para o nosso país levar Trapitxi ao contexto científico de alto critérios”.

 

Resumo

Trapitxi é uma máquina semi-industrial utilizada para moer cana-de-açúcar no processo de fabricação de grogu (aguardente de cana-de-açúcar) em Cabo Verde. Por seu percurso histórico, que começa com a comercialização de homens escravizados na Ribeira Grande de Santiago, Cidade Velha, na ilha de Santiago, tornou-se um patrimônio material desse país. Voltado para o estudo da etnomatemática, o presente trabalho tem como objetivo investigar os conceitos matemáticos no trapitxi durante o seu movimento, na perspectiva de fortalecer o processo de ensino e aprendizagem, transpondo a didática eurocêntrica para criar novas possibilidades ao ensino secundário e superior em Cabo Verde. Metodologicamente, foi feita uma pesquisa de campo, num espaço com trapitxi em Cidade Velha. Os resultados evidenciam que os conhecimentos matemáticos podem analisar a eficiência da máquina, aumentando o seu desempenho, fortalecendo o processo de interdisciplinaridade e preservando a história e a cultura do povo cabo-verdiano.

Considerações finais

O caráter político e antropológico da Etnomatemática aproxima a matemática de grupos que se identificam por tradições que os singularizam, como o trapitxi para o povo cabo-verdiano, em especial de Cidade Velha. A ética e o resgate da cultura favorece um processo de humanização, que leva a várias dimensões, como a tolerância, o respeito, a humildade, a esperança e uma abertura ao desafio de desenvolver novas aprendizagens, quebrando o pensamento didático hegemônico e marcando um novo compromisso, que é pedagógico, social, ético, político e, portanto, surge na perspectiva da horizontalidade.

Almejar que o interesse dos estudantes em aprender Matemática seja potencializado e que seu aprendizado seja significativo deve sempre nos fazer buscar novas estratégias e espaços-tempos de construção deste conhecimento. Trazer para o dia a dia dos discentes conceitos e fórmulas que nos livros são abstratos e de difícil assimilação, pode fazer uma grande diferença na vida escolar e acadêmica deles.

A etnomatemática por meio do trapitxi permite que sejam trabalhados na escola de maneira mais próxima à realidade dos estudantes cabo-verdianos conceitos como ângulo, circunferência, comprimento de arco e radiano. Na universidade, diversos conceitos importantes usados nos cursos de Matemática, de Física e de Engenharia, tais como: derivada, integral, produto vetorial e momento de inércia também podem ser exemplificados de forma clara com o funcionamento desse equipamento. Tais estratégias, além de analisar a eficiência da máquina, aumentando o seu desempenho, fortalecem o processo de interdisciplinaridade e preservam a história e a cultura do povo cabo-verdiano por meio de uma relação dialógica entre esses conhecimentos.

*Artigo trabalhado em parceria com: 

Elcimar Simão Martins[1]

João Philipe Macedo Braga[2]

Alexandrino Moreira Lopes[3]

Michel Lopes Granjeiro[4]

[1] Prof. Dr., Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira /UNILAB, Redenção, Ceará, Brasil, Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

[2] Prof. Dr., Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira /UNILAB, Redenção, Ceará, Brasil, Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

[3] Mestrando em Sociobiodiversidade e Tecnologias Sustentáveis, Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira/UNILAB, Redenção, Ceará, Brasil, Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

[4] Prof. Dr., Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira /UNILAB, Redenção, Ceará, Brasil, Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar.

Ver artigo.

 

Olávo Correia Conferencia França

O ministro das Finanças afirmou hoje que o Governo está a trabalhar para integrar Cabo Verde na rede global das TIC e fazer do país um “hub de tecnologias” visando garantir o acesso de todos às TIC.

Olavo Correia fez estas declarações em Paris, França, quando participava como orador no painel “Tecnologias de Informação e Comunicação” (TIC) na Conferência Internacional “Construindo novas Parcerias para o Desenvolvimento Sustentável de Cabo Verde”.

Olavo Correia começou a sua intervenção realçando que as tecnologias representam uma grande oportunidade para os pequenos países, particularmente para os pequenos países insulares, pelo que sublinhou, Cabo Verde procura integrar-se na rede global das TIC, nomeadamente nas empresas de Hardware, centros de pesquisa, espaços de inovação e desenvolvimento aliados à criação de incentivos para o desenvolvimento de uma plataforma digital e de inovação.

Para o governante, fazer de Cabo Verde uma “plataforma da inovação” é um dos vetores para a transformação do país numa economia de circulação no Atlântico Médio capaz de produzir não somente bens digitais, como de se assumir como centro de pesquisa para a inovação digital na sua região da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).

É neste quadro, destacou, que Cabo Verde pretende se posicionar como um “hub de tecnologias”, capaz de garantir o acesso a todas as infraestruturas, abertura de banda e a própria qualidade de serviços.

Por outro lado, lembrou que Cabo Verde beneficia de uma posição geográfica estratégica no Atlântico Médio e oferece um ambiente suficientemente estável do ponto de vista político, social e económico, que considerou “propícios ao investimento externo”, nomeadamente neste setor.

Olavo Correia garantiu ainda que Cabo Verde prevê a criação de um Parque Tecnológico que deverá servir como Centro de Serviços, conetividade e capacitação certificada e que, ajuntou,  irá facilitar o investimento privado em atividades conexas, de modo a tornar este setor num gerador de receitas e com potencial de exportação.

“Cabo Verde registou progressos significativos na utilização das tecnologias digitais, como forma da promoção da eficiência interna, simplificação dos procedimentos da governança e a melhoria da qualidade das servições públicos”, afirmou, reforçando que o Executivo está a promover o ecossistema empresarial, de modo a apoiar as Startup, bem como, um incentivo à domiciliação de grandes empresas.

Segundo adiantou, Cabo Verde quer oferecer acesso seguro e a baixo custo à conetividade de banda larga e às infraestruturas digitais, garantindo ainda que o país está a aumentar a sua conetividade, adicionando novos cabos de fibra ótica através da conecção Ellalink e do o projecto do cabo submarino para a ligação da África Ocidental.

Olavo Correia terminou a sua intervenção no painel sobre as tecnologias, com um apelo ao sector privado, no sentido de se empreender, juntamente com o Estado, a reforma necessária ao sector, bem como a oferta de soluções para o “Made in Cabo Verde” a baixo custo, realçando que se trata de uma verdadeira oportunidade para Cabo Verde.

A Conferência Internacional de Doadores e Investimentos que está a ser promovido pelo Governo de Cabo Verde, em parceria com o Banco Mundial e o PNUD arrancou esta terça-feira 11 e termina hoje.

No primeiro dia o evento foi usado como oportunidade para sublinhar a mensagem dos progressos de Cabo Verde relativamente aos indicadores de desenvolvimento sustentável.

Hoje, a referida conferência deverá centrar-se em oportunidades para alavancar o investimento privado e conta com a participação de cerca de 200 participantes nacionais e internacionais, que terão a oportunidade de apresentar os seus projectos, para que possam obter o acesso ao financiamento de projectos transformadores em Cabo Verde.

Com Inforpress

sige

Os pais com filhos no Ensino Básico vão ter a possibilidade de acompanhá-los através do Sistema Integrado de Gestão Escolar (SIGE) no próximo ano lectivo, disse à Inforpress o delegado do Ministério da Educação na Praia.

Conforme Adriano Moreno, este sistema criado pelo Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSi), que já funciona no secundário, vai ser alargado às escolas básicas para que os pais possam acompanhar o desempenho dos filhos ao longo do ano lectivo.

“Vai-nos permitir um contacto directo com os pais e encarregados de educação, por exemplo se o aluno falta uma aula ao ser marcada a falta, automaticamente o pai ou a mãe recebe uma notificação no seu telemóvel. As notas dos alunos também podem ser consultadas por esse portal,” explicou o delegado.

No seu entender, este sistema vai permitir uma maior aproximação dos pais que, desta forma, estarão a par do rendimento escolar, das dificuldades ou das superações dos educandos.

O SIGE, segundo o responsável, vai sanar muitos problemas causados por descuido de alguns pais e encarregados da educação, que nunca aparecem nas escolas para saber do rendimento dos filhos, apesar dessas crianças estarem numa fase em que o acompanhamento é importante para o sucesso escolar.

“Para cadastrar os pais recebem uma senha ou um código na escola entram através do portal Porton di nos Ilha”, esclareceu Adriano Moreno realçando que para os pais que não têm contacto ou não se sentem à vontade com as tecnologias, o acompanhamento do aluno será feito através das subdirecções para Assuntos Sociais e Comunitários existentes nos agrupamentos escolares.

Com Inforpress