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Praia de Botes Mindelo

O Instituto Marítimo e Portuário (IMP) interditou a saída para o mar de botes e pequenas embarcações de pesca local, durante as próximas 24 horas, devidas às condições do estado do tempo em Cabo Verde.

Através de uma nota, o IMP explica que há uma “tendência para intensificação do vento e agravamento do estado do mar” no arquipélago, pelo que, por razões de segurança, se encontra interdita a saída para o mar de botes e pequenas embarcações de pesca local enquanto se mantiverem estas condições do estado do tempo.

De acordo com a mesma fonte, esta interdição é extensiva a todos os armadores, proprietários, patrões e pescadores em geral.

Com Inforpress

 quebra canela

O ministro da Economia Marítima cabo-verdiano, Paulo Veiga, disse esta quinta-feira, 16 de janeiro, que o Governo vai elaborar um plano estratégico, que poderá incluir o alargamento da faixa de proteção da orla marítima dos atuais 80 para 100 metros.

"Claro que sim, iremos envolver todos, ouvir e ver essa questão [do alargamento até 100 metros], porque também há outra questão, estamos na era das mudanças climáticas e fala-se da subida do nível da água e temos que precaver esta questão", afirmou o governante.

Paulo Veiga, que tomou posse na semana passada como ministro da Economia Marítima, falava após um encontro com o presidente da Câmara Municipal da Praia, Óscar Santos, em que o assunto principal foram os projetos que estão a ser construídos e projetados na orla marítima dada capital do país.

"Os estudos e o plano estratégico que irão ser delineados conjuntamente com os poderes locais irão precaver isso e iremos com certeza ouvir as organizações não-governamentais viradas para o ambiente também para darem o seu contributo", prosseguiu.

O ministro disse que este é um assunto que vai discutir com todas as câmaras municipais que têm orla marítima, porque o objetivo é planificar esses espaços, identificando os locais para desenvolvimento turístico, as praias balneares, e os locais de pesca, em especial a pesca artesanal.

"Começamos pela Câmara Municipal da Praia, para ver onde é que devemos colocar as infraestruturas de pesca, onde é que deve ser o recreio náutico e também como é feita a gestão conjunta da orla marítima", adiantou Paulo Veiga.

O ministro lembrou que a legislação atribuiu à Economia Marítima 80 metros para a gestão da orla, mas depois das concessões, quem acata com essa gestão são as câmaras municipais, que depois têm de fazer a recolha do lixo ou cobrar as licenças.

Por isso, a ideia, segundo Paulo Veiga, é fazer essa gestão conjunta, quanto mais não seja porque, disse, o Governo não tem meios suficientes em todas as ilhas e municípios.

"Na ótica da descentralização e de trabalhar juntamente com a câmara que faz o planeamento da cidade, exceto dos 80 metros, estamos a trabalhar um plano estratégico, também com o Ministério das Infraestruturas, queremos envolver as câmaras e assim clarificar e ver se é necessário mexer na legislação para que isso possa funcionar da melhor forma possível", frisou.

No caso da cidade da Praia, o ministro explicou que serão analisados os casos de construções na orla marítima, e que têm sido criticados por várias organizações da sociedade civil que tratam das questões ambientais.

Para o ministro, é preciso as instituições comunicarem melhor, para evitar mal-entendidos.

Na orla marítima da Gamboa, na Praia, adiantou que vai nascer um empreendimento, com parte licenciada pelo Governo, parte licenciada pela câmara, e que estão a ser feitas escavações para plantação de palmeiras.

Paulo Veiga, que desempenhava as funções de secretário de Estado da Economia Marítima desde janeiro de 2018, assumiu na semana passada esta pasta ministerial, depois da saída, por razões pessoas, de José Gonçalves, que tutelava o Turismo e Transportes e a Economia Marítima.

A pasta do Turismo e Transportes foi assumida pelo economista Carlos Santos.

Com Lusa

Angela Moreno INIDA

A presidente do Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário (INIDA) considera que o Prémio Internacional Terras sem Sombra, atribuído ao Jardim Botânico, desafia a investir ainda mais na conservação e salvaguarda da biodiversidade do país.

O INIDA candidatou-se ao Prémio Internacional Terras sem Sombra, referente a 2019, na categoria de Salvaguarda da Biodiversidade, com o Jardim Botânico, situada no município de São Lourenço dos Órgãos, e foi distinguido por unanimidade como um dos melhores jardins a ser conhecido a nível internacional.

O prémio será entregue este sábado, dia 30, no auditório do Centro Cultural de Campo Maior, em Portugal, cujo acto será presidido pelo príncipe Leo de Hohenberg.

Para a presidente do INIDA, Ângela Moreno, este prémio tem um significado “muito importante” tendo em conta que há mais de 40 anos o país tem vindo a valorizar e a conservar tudo que é a sua biodiversidade e as suas áreas protegidas.

“É uma grande honra que a Terra sem Sombra faz a Cabo Verde atribuindo este prémio de reconhecimento enquanto parceiro chave no cumprimento de um dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável visando a conservação e a salvaguarda da biodiversidade”, afirmou em entrevista à Inforpress.

Ângela Moreno disse ainda que não estavam à espera de ganhar este título, este ano, mas que nunca duvidaram de que o Jardim Botânico merecia ser reconhecido internacionalmente.

Segundo ela, Cabo Verde, por ser um país seco, com dificuldades hídricas “muito forte”, com temperaturas elevadas durante o ano, é um ganho ter conseguido manter toda essa biodiversidade.

Neste sentido, enalteceu “o selo, o amor e o desempenho” de todos os técnicos, engenheiros e investigadores do INIDA, que ao longo dos anos tem vindo a trabalhar para manter viva todas as espécies deste espaço.

Esta distinção internacional, assegurou,   desafia-os e obriga-os a trabalhar mais para manter este título de “um país exemplo na biodiversidade”. “Já temos alguns prémios e inclusive com o fundo do ambiente, que recentemente nos foi atribuído por este Governo, vai trazer mais competências e mais diversidades e biodiversidades ao nosso jardim botânico”, disse, ajuntando que agora com meios e com projectos vão continuar a trabalhar “mais e mais” para dar ao jardim botânico a “dignidade que merece”.

Informou ainda que mesmo antes desse reconhecimento internacional, o Jardim Botânico era “muito reconhecido” pelas organizações que fazem eventos turísticos e pelos turistas que procuram o espaço para visitar e fotografar a biodiversidade de Cabo Verde.

Nesses últimos anos, avançou, o jardim tem tido muitas visitas e em média por ano recebem sete mil visitantes.

A nível nacional, a mesma fonte informou que muitos cabo-verdianos, sobretudo os estudantes, visitam o jardim, e este por sua vez acaba por ser um “laboratório e uma escola de aprendizagem e da conservação” de tudo daquilo que é a biodiversidade do país. Com os olhos do mundo sobre Cabo Verde, Ângela Moreno sublinhou que devem “andar com mais responsabilidade e investir mais” para que as próximas pessoas que irão visitar o jardim confirmam que são dignos deste prémio. Neste sentido, informou que, com melhores condições estarão dispostos a candidatar-se a outros prémios internacionais.

O Jardim Botânico Grandvaux Barbosa é o único jardim botânico em Cabo Verde, situado na ilha de Santigo, na localidade de São Jorge, no município de São Lourenço dos Órgãos. Sua colecção concentra-se em plantas endémicas e nativas do arquipélago e plantas medicinas. Foi criado em 1986 e recebeu o nome do botânico franco-português Luís Augusto Grandvaux Barbosa (1914-1983).

O Prémio Internacional Terras sem Sombra, criado em 2011, destina-se a homenagear uma personalidade ou uma instituição que se tenham salientado, ao nível global, em cada uma das seguintes categorias: a promoção da música, a valorização do património cultural e a salvaguarda da biodiversidade.

Com periodicidade anual, o prémio consta de um diploma e de uma obra de arte encomendada a um artista contemporâneo, sendo entregue num momento culminante da temporada musical no Alentejo, Portugal.

O acto solene da entrega do prémio acontece no dia 30 de Novembro no auditório do Centro Cultural de Campo Maior, sob a presidência do Príncipe Leo de Hohenberg.

Para além de Ângela Moreno, Cabo Verde estará representada nesta cerimónia por dois especialistas da área de biodiversidade e o Embaixador de Cabo Verde em Portugal, Eurico Monteiro.

Com Inforpress