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josé leite

Pelas suas contas, José Leite já apresentou “pelo menos 19 festivais” dos 33 já realizados. Este ano, contudo, já não estará no palco do certame e cessa a sua contribuição com a organização. Tudo por causa de uma deliberação da Autoridade Reguladora de Comunicação Social.

Falámos de José Leite, homem da rádio, amante da música, jornalista de profissão, que, de forma consecutiva, nos últimos anos, tem sido “a voz” do festival no momento de chamar ao palco cada artista, cada banda.

Com efeito, uma deliberação da ARC, datada de 07 de Agosto de 2018, considerou incompatível a profissão de jornalista com a apresentação de espetáculos musicais e culturais promovidos por organizações governamentais e não-governamentais, considerados publicidade nos termos do Código de Publicidade, conjugado com as incompatibilidades previstas no Estatuto do Jornalista.

“Não concordo, mas respeito e vou cumprir porque não estou com paciência para enfrentar mais uma batalha judicial nos tribunais”, lançou o jornalista à Inforpress, lembrando que nunca fez publicidade, propaganda ou marketing, já que, na apresentação do festival, fala de música, como se estivesse num programa de rádio, e apresenta os artistas e os grupos como trabalho de informação e comunicação, depois de os entrevistar nos bastidores.

“Não falo de marcas, nem de patrocinadores, nem faço propaganda dos organizadores, pelo que seria fácil provar isso em Tribunal, mas já não tenho paciência para mais processos judiciais”, declarou, encerrando este capítulo.

O “importante”, assinalou José Leite, é que dessa experiência ficam memórias de 20 anos “maravilhosos”, período no qual conheceu e conviveu com “muitos dos artistas e grupos cujas músicas passou e passa na rádio.

“Foram duas décadas de inesquecíveis noites, madrugadas e raiar do dia banhado por ondas musicais e sacudidas pela vibração do maior público do mundo, o da Baía das Gatas”, celebrou.

Para Leite, foram 20 anos entre os melhores artistas e grupos nacionais e alguns dos melhores da lusofonia e do show bizz, no geral.

Foi, sintetizou, uma “história de prazer” feita do contacto com o mundo da música e seus protagonistas e que “nunca cansou”.

A 35ª edição do Festival Internacional de Música da Baía das Gatas é inaugurada na sexta-feira, 09 de agosto, pelo trio de vozes cabo-verdianas formado por Cremilda Medina/Djocy Santos/Ceuzany de acordo com o alinhamento divulgado pela organização.

O mais antigo festival de música de Cabo Verde, que este ano rende homenagem aos mindelenses, reúne um leque diversificado de músicos e bandas do país e do estrangeiro, e, para o primeiro dia, estão ainda previstas as atuações da banda Tabanka Djaz (Guiné-Bissau), do reggae-man Ky-Mani Marley (Jamaica) e, para fechar o dia, a brasileira Ludmila.

No sábado, 10 de agosto, Vasco Martins é o primeiro a subir ao palco, seguido de uma animação pelo Grupo de Carnaval de São Vicente e ainda Grace Évora, Beto Dias, Suzana Lubrano, Deejay Telio (Angola) e Davido (Nigéria).

Para domingo, 11, terceiro e último dia do festival, o alinhamento prevê abertura com o grupo Hip Hop Skils Muviment (Cabo Verde), seguido de Yasmin (Portugal), Loony Johnson, Ricky Man e, a fechar, a banda portuguesa Wet Bed Gang.

O festival teve a sua primeira edição no dia 18 de agosto de 1984, é realizado anualmente na praia da Baía das Gatas, a oito quilómetros da cidade do Mindelo, e desde aquela data apenas em 1995 não se realizou, devido a uma epidemia de cólera que assolou Cabo Verde.

Anualmente, a Câmara Municipal de São Vicente, que organiza o evento, reserva uma verba no orçamento municipal para fazer face às despesas com a logística, viagens e cachet de artistas de Cabo Verde e do estrangeiro, sendo certo que o grosso do montante para suportar o evento, de acordo com a autarquia, provém de patrocínios de empresas.

Com Inforpress



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