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Os familiares de pessoas desaparecidas saíram esta sexta-feira, 24 de maio, à rua para exigirem às autoridades respostas a estes casos e mostraram-se “inconformados” com aquilo que consideram de “passividade” dos responsáveis do país e, em lágrimas, soltaram balões em memória das vitimas.

Um número pequeno de manifestantes, mas com muito barulho, conseguiu condicionar o trânsito na Avenida Cidade de Lisboa e pelo conteúdo dos cartazes “Nu crê nôs fidjus de volta” (“Queremos os nossos filhos de volta”); despertou a atenção dos transeuntes.

A marcha, da iniciativa da Associação de Crianças Desfavorecidas (Acrides), foi realizada no quadro da comemoração do Dia Internacional das Crianças Desaparecidas, que se assinala sábado, 25 de Maio.

Segundo a secretária executiva da Acrides, Carmen Delgado, a organização antecipou a marcha para hoje, já que contava com a participação das escolas, mas, segundo ela, não isto aconteceu porque o delegado da Educação da Praia “não permitiu”, alegando que as crianças estão a ser avaliadas.

“As escolas, particularmente aquelas onde estudavam as crianças desaparecidas, estavam engajadas na marcha, mas, infelizmente, fomos barrados pela delegação escolar”, lamenta a activista social, acrescentando que o delegado justificou que, por um lado, as crianças “podem estar no período de avaliação” e, por outro, “não autorizava que as mesmas participassem nessas actividades”, apesar de os professores se terem manifestado “engajados e interessados” na marcha.

“Queremos chamar a atenção do Governo e de toda a sociedade para a protecção das nossas crianças e, também, um gesto de solidariedade para com as famílias das crianças desaparecidas que, neste momento, estão a sentir-se desamparadas”, disse Carmen Delgado, lamentando o facto de os familiares não disporem de nenhuma informação por parte das autoridades.

De acordo com a responsável da Acrides, o Dia 25 de Maio é uma data para uma “forte reflexão” por que razão as pessoas estão a desaparecer em Cabo Verde.

Em seu entender, o surgimento de novos casos de desaparecimento de pessoas, sobretudo na ilha de Santiago é “preocupante” e estas situações “não têm tido respostas por parte das autoridades competentes”.

Eunice Maria dos Reis Garcia, moradora em Achada Grande trás, também se diz “preocupada” com a situação do seu filho Lee Haney Garcia Barbosa Vicente, desaparecido há um ano e meio, e até hoje não se sabe do seu paradeiro.

“As autoridades têm sido insensíveis com os problemas dos pobres. Se fossem filhos de ricos ou dos governantes, mobilizariam tropas para procurarem aquelas crianças”, deplorou Eunice Garcia, que se mostra “indignada”, porque, disse, “o Governo não está a fazer nada para a segurança, a não ser publicidade enganosa”.

Por sua vez, Ermelinda Cabral, tia de Clarisse Mendes (Nina) e Sandro Mendes (Filú), desaparecidos desde 03 de Fevereiro de 2018, considera que as autoridades “não têm dado a devida atenção” ao caso dos sobrinhos.

“Na sexta-feira passada, um meu sobrinho quase ia ser apanhado por dois indivíduos, um de cor preta e outra branca, quando regressava da escola. Ele correu e alertou um senhor que se encontrava perto do local e aquelas pessoas que se encontravam num caro puseram-se em fuga”, disse à imprensa Ermelinda Cabral.

Segundo ela, foi feita uma participação à esquadra da Polícia da Fazenda, mas na altura não havia sistema para o registo da queixa, tendo as pessoas sido encaminhadas para a Polícia Judiciária (PJ).

“Disse-lhes para não irem à JP, porque não a vale a pena”, precisou Ermelinda Cabral.

Na marcha de hoje, a Inforpress falou também com Maria de Fátima Vieira da Cruz, que se mostra “desesperada”, porque o filho Odair José Sanches Cardoso, 38 anos, está desaparecido desde o passado dia 9 de Maio.

A marcha terminou em frente ao Palácio do Governo. Ali, os participantes fizeram um minuto de silêncio, tendo de seguida, em lágrimas, soltado balões em memória das pessoas desaparecidas.

Com Inforpress



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