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A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Janira Hopffer Almada, denunciou esta quarta-feira, que, ao invés de recrutados para trabalhar, os jovens estão agora a ser recrutados para serem estagiários.

Janira Hopffer Almada falava em declarações à imprensa, após os trabalhos da sessão ordinária da Assembleia Nacional, que acontece de 29 a 31 de Maio, tendo em agenda, entre outros, o projecto da ordem do dia, o debate com o primeiro-ministro, a aprovação de propostas de leis, e a aprovação de projecto e propostas de resolução.

A líder do PAICV defendeu que não se pode falar de crescimento económico sustentável, quando o governo, “para além de não criar mais empregos, garante a destruição de 15 mil empregos em dois anos”.

“Não se pode falar de crescimento económico sustentável quando não há mais oportunidades, porque os concursos públicos para as chefias foram extintos e agora os jovens, ao invés de serem recrutados para trabalhar, estão a ser recrutados para serem estagiários”, afirmou Janira Hopffer Almada, para quem “não se pode falar em crescimento sustentável quando não há investimentos na saúde e não há investimentos claros na educação”.

Para o PAICV, disse a sua presidente, “o crescimento económico que se tem propalado” é, por um lado, o resultado do contexto internacional e, por outro, “de muitas reformas estruturantes que foram adoptadas na governação anterior e que estão a ter impacto também agora”.

Entretanto, defendeu que seria “espectável” que o Governo pudesse “aproveitar esse ambiente externo e o resultado das reformas estruturantes feitas anteriormente para promover o desenvolvimento sustentável do país”.

Janira Hopffer Almada advogou ainda que, mais do que crescer, é importante que a riqueza gerada com o crescimento seja partilhada por todos.

“Mas nós não podemos também entender o crescimento económico que o governo está a propalar quando não há medidas em sectores fundamentais para a economia”, frisou a líder do PAICV, questionando o quê que o Governo fez nestes três anos para o sector do turismo, motor da economia cabo-verdiana.

“Promoveu os destinos internos? Como é que promoveu se hoje os cabo-verdianos pagam mais para viajar entre as ilhas e os voos estão mais difíceis? Como é que promoveu Cabo Verde no mundo, se hoje o segundo maior centro populacional do país, que é São Vicente, não tem ligações directas com o exterior feitas com a companhia nacional?”, acrescentou Janira Almada ao leque das questões.

A presidente do PAICV questionou ainda como é que se pode falar de crescimento económico sustentável se “não se aposta” num “sector estruturante” como a agricultura, se “não se faz” investimentos para mais mobilização da água, para a cadeia de valores, apoiar os agricultores, organizar a produção, garantir a qualidade e a certificação.

“Como é que podemos falar de crescimento económico sustentável, se não há nada de novo nas pescas, se não há qualquer medida para estimular a pesca industrial e semi-industrial, se não há qualquer medida para promover a passagem da pesca extractiva para a aquacultura, e se não há qualquer medida para criar as infra-estruturas de apoio às pescas que o país precisa?”, prosseguiu.

Janira Almada disse ainda que está a falar de plataformas, de unidades de transformação de pescados e até mesmo os cais de pescas.

“Não há qualquer medida para promover a renovação da frota nacional, para aproveitarmos o potencial de captura que Cabo Verde tem”, lamentou a líder do principal partido da oposição, completando que, neste momento, o país está a capturar cerca de 12 mil toneladas, quando o potencial de captura vai até 44 mil toneladas.

“Seria muito para o país e nós estaremos cá a aplaudir, se o que o primeiro-ministro está a dizer correspondesse, na prática, a verdade. Infelizmente, não corresponde”, enfatizou Janira Hopffer Almada, citando que o Governo anunciou a isenção de propinas e que, por outro lado, aumentou a taxa das matrículas, assim como cortou nos subsídios da Fundação Cabo-verdiana de Acção Social Escolar (Ficase) e no transporte escolar.

Por um lado, prosseguiu a presidente do PAICV, o Governo diz que há investimentos na saúde, mas que se sabe que “há exames que tem que ser pagos por 30 mil escudos, quando pessoas, que não têm condições financeiras, não podem pagar esse valor”.

“Não é possível nós falarmos de desenvolvimento económico sustentável e de todos esses impactos, quando temos, em dois anos de seca consecutiva, um Governo que, para além de não apoiar os agricultores, não investe no sector da agricultura”, ajuntou.

Prosseguindo, Janira Almada defendeu que é preciso ter em conta que, mais do que crescer, é preciso gerar riquezas e é preciso que cabo-verdiano sinta a sua vida a melhorar. “E eu pergunto, o agricultor aqui em Cabo Verde está a sentir que vive melhor hoje, o pescador está a sentir, o jovem sente, os cabo-verdianos?”, frisou.

Discordando das declarações do executivo segundo as quais o país está a melhor e a ter mais oportunidades, Janira Hopffer Almada perguntou “porquê que mais da metade da população cabo-verdiana pensa em emigrar” e “porquê que 62 mil jovens estão fora do sistema de ensino e não têm emprego”.

A líder do PAICV defendeu ainda que é preciso “deixar de lado os anúncios e a propaganda, trabalhar com seriedade porque o país precisa”.

“Se se trabalhar, de facto, tendo em conta a realidade, sem perspectiva de mascarar e de iludir as pessoas, o país cresce, de facto, promove inclusão e teremos condições”, finalizou.

Com Inforpress

Comentários  

0 # jack pina 30-05-2019 12:15
Nao se pode governar melhor quando temos bonecos no poder.mudam leis para poder encaixar dinhero para o seu partido e os seus amigos.com eles nao nada vai mudar,nao estao governar para o povo.so o povo vai os afastar na proxima eleiçao
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