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jose mario vaz

Faustino Imbali, primeiro-ministro nomeado pelo Presidente cessante da Guiné-Bissau, mas rejeitado pela maioria da comunidade internacional, demitiu-se do cargo esta sexta-feira. Enquanto isso, a CEDEAO decidiu hoje reforçar a força militar na Guiné-Bissau e advertiu o Presidente de que qualquer tentativa de usar as forças armadas para impor um acto ilegal será “considerada um golpe de Estado”.

Imbali disse na sua carta a José Mário Vaz, e que a Lusa teve acesso, ter tomado a decisão de se demitir para permitir que o Presidente guineense “tenha a chance de reformular a história política” da Guiné-Bissau e não permitir que forças estrangeiras “desestabilizem e zombem” da nação guineense.

O agora ex-primeiro-ministro pede a José Mário Vaz que lhe permita demitir-se do cargo “com efeito imediato”.

Na carta de duas páginas, Imbali afirma ser “inadmissível aceitar a interferência dos irmãos africanos” que, disse, preferiram “tomar partido numa disputa política” entre os guineenses, facto que, observou, “esconde os interesses económicos estratégicos e geoestratégicos da sub-região” em relação à Guiné-Bissau.

Afirmou ainda que a história da Guiné-Bissau “está repleta de sangue” de cidadãos guineenses que lutaram com armas contra a colonização e ocupação estrangeira e que nos dias de hoje não vale a pena voltar à mesma situação.

Faustino Imbali disse não ter dúvidas em como a actual situação política por que passa a Guiné-Bissau “é também resultado das interferências estrangeiras” que, disse, “criaram uma montanha onde apenas existe uma planície”.

Inspirando-se no pensamento de Nelson Mandela, o ex-primeiro-ministro, nomeado no passado dia 29 de Outubro, considerou que até poderia não formular o seu pedido de demissão do cargo, a partir do momento em que os militares se recusaram a acatar a ordem de despejo ao Governo de Aristides Gomes.

Imbali defendeu que teve de endereçar a carta de pedido de demissão do cargo de primeiro-ministro, também tendo em conta o processo de eleições presidenciais em que o país está envolvido e o entendimento da comunidade internacional de que “as eleições são a solução para todos os desafios políticos” da Guiné-Bissau.

O dirigente acusou a Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO), mediadora internacional da crise que assola a Guiné-Bissau nos últimos cinco anos, de ter usurpado as competências dos guineenses e ainda ordenou o cancelamento de todos os comandos constitucionais do país.

Faustino Imbali observou que o Governo de Aristides Gomes, apesar de demitido por um decreto presidencial, continuou a ocupar as instituições do executivo, tendo a proteção das forças da Ecomib (soldados da Africa Ocidental instalados na Guiné-Bissau desde 2012) “com a cumplicidade de alguns altos responsáveis de defesa e segurança” guineenses.

A CEDEAO havia dado na quarta-feira um prazo de 48 horas para que o Governo de Imbali se demitisse.

 

CEDEAO reforça força militar e adverte PR contra “golpe de Estado”

 

A CEDEAO decidiu hoje reforçar a força militar na Guiné-Bissau e advertiu o Presidente de que qualquer tentativa de usar as forças armadas para impor um acto ilegal será “considerada um golpe de Estado”.

No comunicado final da cimeira extraordinária realizada hoje em Niamey, no Níger, os chefes de Estado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) decidiram “reforçar a Ecomib para permitir fazer face aos desafios que se colocam antes, durante e depois das eleições, nomeadamente com o reforço dos efetivos e do mandato” da missão.

No documento, recordam que o Presidente guineense, José Mário Vaz, é “um Presidente interino” desde 23 de Junho, quando terminou o seu mandato, e que “todos os seus actos devem ser subscritos pelo primeiro-ministro, a fim de lhe conferirem legalidade”.

A CEDEAO considera, por isso, “que qualquer recurso às forças armadas ou às forças de segurança para impor pela força qualquer ato ilegal será considerado como um golpe de Estado e levará à imposição de sanções a todos os responsáveis”.

No comunicado, a organização regional reitera que reconhece Aristides Gomes como primeiro-ministro e voltou a exigir a demissão do chefe do Governo nomeado pelo Presidente, Faustino Imbali, o que já aconteceu.

Com Liusa



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