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Por: Janira Hopffer Almada

janira ponto de vista 

Fico satisfeita de ver muitas vozes a se manifestarem, a nível das redes sociais e não só – na sequência do Adiamento – não desejado – da discussão da Lei da Paridade, ontem, no Parlamento!
Sinal de que, afinal, muitos e muitas apoiam a Paridade!

Entretanto, e por uma questão de justiça, penso ser necessário contar essa “história” com todos os seus meandros.

Primeiro, é preciso dizer que a iniciativa de pedir o adiamento foi manifestada, em Plenária, pelo MPD – que é Maioria e faz questão de lembrar isso, a toda a hora, com actos e atitudes - através do seu Líder Parlamentar, e na presença de vários membros do Governo.

Em segundo lugar, é preciso diz que o Líder Parlamentar do PAICV, Deputado Rui Mendes Semedo, deixou claro que o PAICV estava preparado para discutir a Lei. Está gravado e pode ser confirmado.

Em terceiro lugar, é preciso dizer que não é de hoje que o PAICV apoia a Paridade! E não precisou da Lei da Paridade para começar a demonstrar isso. 
E não vale a pena tentar “camuflar” esse facto, com argumentos que se estribam sempre no Parlamento (sem qualquer referencia aos Partidos que têm assento no Parlamento), na perspetiva de fazer com que todos assumam as “culpas”, desse adiamento, como se, no Parlamento, todos tivéssemos o mesmo poder (e, de facto, não temos) e a nossa voz tivesse o mesmo peso (e, de facto, não tem).

Todos sabemos quem tem a Maioria no Parlamento! 
Alguns entretanto, se recordam disso apenas quando lhes convém!
E todos sabemos que, muitas vezes, a nossa voz não é nem tida, nem achada, como maior Partido da Oposição.

Vamos aos factos:

O PAICV teve a coragem de avançar com o segundo Governo Paritário do Mundo, sob a Liderança do Dr. José Maria Neves, como Primeiro-Ministro. E não precisamos de Lei da Paridade para fazer isso!

O PAICV, na Governação, promoveu a criação de Instituições (como o ICIEG), desenvolveu estratégias e implementou medidas várias, para promover a equidade e a igualdade de género.

Com o PAICV na Governação, foi aprovada, pelo Parlamento, a Lei da VBG!

O PAICV fez constar da sua Plataforma Eleitoral, em 2016, na página 63, a Lei da Paridade como um dos compromissos.
Cumprindo o seu compromisso, o PAICV apresentou, há mais de um ano (no dia 3 de Março de 2018), a sua Proposta concreta – Projecto de Lei sobre a Paridade – à Rede de Mulheres Parlamentares, tendo sido a única força política a ter essa iniciativa.

Por isso, não me peçam que fique calada a ouvir e a ver esse rol de argumentações - todas legitimas – em virtude do adiamento da discussão, por iniciativa do MpD, sem qualquer referência à iniciativa do pedido de adiamento!

Por outro lado, devo dizer que hoje é, para mim – e suponho, para todas as Mulheres e Homens deste país – um dia de reflexão, pois vejo muitas Mulheres saírem em defesa da Participação Política das Mulheres!

E digo isso porque, muitas vezes, senti que ser uma Mulher na Política, liderando um Partido Político, era quase um “crime”, do ponto de vista de algumas pessoas – Homens e Mulheres - que sempre fizeram questão, aliás, de nunca referir esse facto!

Confesso que, enquanto Líder de um Partido Politico, tive sempre muito apoio de muitas Mulheres, assim como senti falta, muitas vezes, do suporte de tantas outras Mulheres!

Confesso que, em muitos casos, sofri ataques, como Líder Político, não por ser do PAICV, mas por ser Mulher na Política! E, assim como tive o suporte de muitas, não ouvi, de outras tantas, nem sequer uma palavra de solidariedade ou de encorajamento!

Portanto, e como tudo na vida, também esse adiamento, que EU NÃO DESEJAVA – mas que, enquanto minoria no Parlamento, não tinha, e nem tenho, poder para evitar – teve o mérito de fazer com que algumas Mulheres venham, a público, defender a Participação Política das Mulheres.

Que esse discurso, e essa defesa em prol da participação política das Mulheres, não seja apenas para esta ocasião e não sirva somente como discurso politicamente correcto.

Que defendamos a Paridade muito para além da lei.
E que tenhamos a capacidade de, no dia-a-dia, não discriminar as Mulheres e a sua participação, apenas por serem Mulheres!

Bem-Haja Amílcar Cabral, que defendeu a participação das Mulheres há muitas décadas atrás!

Artigo publicado pela autora, Janira Hopffer Almada, no facebook.

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