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Por: Armindo Tavares

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CENA CLXXV

Pedro Sabininha torna-se alcoólatra de novo. A família volta a ficar destroçada, principalmente a Putxutxa sua mulher. Esta põe umas moedas em cima da mesa, entra no quarto para se arranjar antes de sair, Pedro entra na sala, espreita e vê que ela se encontra no quarto, apanha as moedas e vai rápido comprar aguardente na taberna do Lelenxo.

PEDRO SABININHA (põe as moedas sobre o balcão) – Arranja-me um copinho, rápido, Lelenxo!

Lelenxo serve-lhe um copo, ele leva-o à boca para beber, entra a mulher.

PUTXUTXA – Mas ó Pedro, o que é isto que andas a fazer? (Agride-o ferozmente, retira-lhe o copo e despeja o conteúdo ao chão) Já perdeste a vergonha da cara!

LELENXO – O que é isto, Putxutxa?! Deixa o homem em paz. É assim que tratas o teu homem?

PUTXUTXA – É assim mesmo que eu lhe trato, por que é assim que ele merece!

LELENXO – Assim que ele merece, porquê?

PUTXUTXA – Ele roubou-me o dinheiro que eu tinha para ir comprar papa para o bebé e veio beber!

LELENXO – Então de facto… tens razão. Porque não pediste, Pedro?

PUTXUTXA – Entrei no quarto para mudar de roupa e ir a loja comprar papa para o nosso filho, deixei o dinheiro em cima da mesa, de repente senti alguém entrar e sair logo. Voltei para a sala e o dinheiro já não estava onde eu deixei. O desgraçado já o tinha apanhado.

LELENXO – Ele chegou cá, pôs o dinheiro em cima do balcão e pediu-me para lhe servir um copinho…

PUTXUTXA – Por favor, Lelenxo; não lhe fique a vender grogue.

LELENXO – Mas eu estou aqui para vender, Putxutxa. Ou então fecho a porta!

PUTXUTXA – Eu lhe peço, por favor. (Para Pedro) Não sentes vergonha, tu na qualidade de Juiz do Tribunal Popular, a roubar dessa maneira?!

PEDRO SABININHA (encosta o queixo ao peito e olha para a esposa) – Só um copinho!

PUTXUTXA – Nem um copinho, nem um copão. Que exemplo é que tu tens para dar como Juiz?

LELENXO – Pedro, a Putxutxa tem razão. (Para Putxutxa) Por que é que não o leves à casa do Mendinho? (Pedro retira-se calado) Dizem que ele tira bebida às pessoas num abrir e fechar os olhos!

PUTXUTXA – Se calhar tira a bebida às pessoas como as faz beber!

LELENXO – Não percebi! (Olha para a porta e vê Pedro a sair) Eh! Ele já se foi?!

PUTXUTXA – Ele não gosta de ouvir essas conversas.

LELENXO – Porquê?

PUTXUTXA – É esse Mestre que o tem a beber outra vez e desta maneira.

LELENXO – Ele?!… Como?!… Porquê?

PUTXUTXA – Você não soube que há tempos, Pedro mandou prende-lo com todos os seus materiais?

LELENXO – Foi o Pedro que mandou fazer aquilo? Que o mandou prender?!

PUTXUTXA – Foi ele.

LELENXO (exclama) – Putxutxa!

PUTXUTXA – Lelenxo… O Pedro leva esse cargo de Juiz com muito peito! Já estou farta de lhe dizer para deixar de fazer abusos… você sabe o que é que ele me disse um dia?

LELENXO – O quê?

PUTXUTXA – Que se eu não parasse de atrevimento, me julgava e me mandava para a cadeia civil!

LELENXO – Ele está a precisar de ir a um médico, muito urgente.

PUTXUTXA – Ele sempre foi burro. Burro e analfabeto. Mas depois que foi nomeado Juiz, ficou pior. E agora, depois de ele ter-se metido com o Mendinho, tornou-se num perigo! Quando lhe dê ganas de beber, procura o dinheiro mesmo onde não houver.

LELENXO – Porque não vais falar com o Sr. Padre para lhe rezar o corpo? Dizem que se uma mãe pedir praga a um filho, só a madrinha é que a tira. Mas que outros males os padres podem curar.

PUTXUTXA – Não sei se ele vai querer ir falar com o Padre. Às vezes ele tem mania de dizer que Deus não existe!

LELENXO – Mas tenta mesmo assim! Não vais na cantiga dele.

PUTXUTXA – Muito obrigado! Vou tentar falar com ele e ver se o convença.

LELENXO – Não têm nada a perder. Senão, vocês devem encher de coragem e ir falar com o Mendinho. Esse Mestre está com muita fama. As pessoas vêm de toda a parte do mundo ter com ele.

PUTXUTXA – Eu sei. O Pedro também sabe! Das coisas que ele o mandou prender e pôs em exposição, havia fotografia de muita gente, vinda de várias partes do mundo.

LELENXO (ri-se) – Dizem que haviam muitos envelopes com pentelho das pessoas lá dentro. Até de um primo meu.

PUTXUTXA – Com os nomes das pessoas dentro do envelope e o que é que era para o Mestre fazer. A maioria pedia para que tornasse o homem impotente, perante a amante. Outros ainda pedem para matar a comborça.

LELENXO (boquiaberta) – Eh, pá!

PUTXUTXA – Esse Mestre não é brincadeira, não. É runho!

LELENXO – Runho é quem lhe pede para matar. Desculpa lá, mas as mulheres da nossa terra gostam de ir a casa desses Djabakozus.

PUTXUTXA – E depois armam-se em santas. Santas sem vergonha. (Riem-se) Agora deixe-me ir atrás dele e ver o que é que ele quer fazer de seguida.

LELENXO – Vai lá!

PUTXUTXA – Adeus. Muito obrigada.

LELENXO – Adeus.

CENA CLXXVI

Um grupo de mulheres está numa fila à espera de sua vez para receber esmola da Segurança Social, como: milho, feijão, arroz, suanca, farinha Sef, açúcar, óleo, bolacha, etc. De repente, uma beneficiária, a Djena, cai inanimada. É socorrida no Posto Médico onde é ministrada uma injeção que a faz dormir. Já em casa, quando ela acorda, perante muita gente à sua volta, levanta-se e fica a andar emproada, a passar as mãos pelo cabelo como se se penteia.

DJENA – Eu sou o Arlindo de Nha Redonda.

TODOS OS PRESENTES (exclamam boquiabertos) – Credo, ave-maria! Ab núncio, Água Tuntum.

BEREGUNDA – Arlindo?!

DJENA – Sim. Eu sou o Arlindo de Nha Redonda.

NHAMIODA – O que é que vieste fazer outra vez ao mundo, Arlindo?

DJENA – Somos sete.

BEREGUNDA – Sete?! Quem são os outros?

NHAMIODA – E por que vieram sete? Por que Deus não vos recebeu?

BEREGUNDA – Deus ou Satanás! Bandidos de merda!

DJENA – Deus não nos recebeu porque o nosso tempo não tinha chegado.

BEREGUNDA – E os outros… são quem?

DJENA – Os outros são: Muná de Nené de Krentxa, Írma Pila Mundo, Martinho de Achada Riba, Nhu Aníbal de Cutelinho, Batxitxa de Achada Igreja e Helena de Tute Djakrás.

BEREGUNDA – E o que vieram fazer? Vieram para dizer que fizeram algum skalarin agachado?

DJENA – Eu vim para dizer que quem me matou foi o meu avô.

CHICA – O teu avô?! Aquele homem que parece mas um bakan?! [zonzo]

DJENA (vai passeando e vai passando as mãos pelo cabelo) – Sim. O meu avô.

BEREGUNDA – Mas porquê?

DJENA – Furtei-lhe dinheiro, ele foi a casa do Mestre pedir para matar o ladrão. O Mestre botou-lhe as cartas e disse que quem havia apanhado o dinheiro era uma pessoa da família e que se ele quisesse matá-lo, que choraria.

TODOS OS PRESENTES – Credo!

NHAMIODA – E mesmo assim ele mandou para matar?

DJENA – Ele disse que não se importava. Para matar o ladrão sem dó.

Todos se benzem.

TOTA DE ROSA – O teu avó é um homem sem coração!

FERNANDO – Ele é um Diabo que está riba mundo!

DJENA – Passei um mês e tal no Hospital, nenhum médico conseguia descobrir o que é que eu tinha.

Djena cai em cima da cama e levanta pouco depois, segurando a barriga com as mãos, impando como que vai dar à luz. Faz xixi na roupa.

LALÁ IRMÃO (agarrado com força no dedo mindinho dela) – Quem és tu, alma penada?

DJENA – Sou Muná de Nené de Krentxa! (Com as mãos agarradas à barriga) Ui, ui, o meu filho vai nascer! Ui, ui!

LALÁ IRMÃO – O que vieste fazer ao mundo, Satanás do Inferno? Porque apoquenta e molesta esta criatura?

DJENA – Vim só para vos dizer qual a causa da minha morte.

NHAMIODA – Qual foi a causa da tua morte?

BEREGUNDA – Ela morreu de parto. O corpo dela foi trazido num Unimog de tropa. Eu a vi deitada de costas dentro da carroçaria.

DJENA – Fui fazer corda para matar a minha comborça, ao dar o nome, dei o meu no lugar dela, a corda pegou em mim. Eu é que acabei por morrer.

CHICA – Deus não dorme! Estaferma!

Djena volta a cair em cima da cama e, de seguida, levanta-se e passeia lentamente com as duas mãos nos bolsos.

LALÁ IRMÃO (novamente com o dedo mindinho dela agarrado) – Quem és tu, alma de Deus!

DJENA – A minha alma não é de Deus.

LALÁ IRMÃO – Então sai daqui, Satanás! Liberta a coitada das tuas afrontas!

NHAMIODA – Sai e vai arrebentar lá pelas ondas do mar. Gardion!

DJENA – Vim só para vos dizer que, quando eu estava em São Tomé, quando eu era contratado e trabalhava como capataz com o patrão branco, matei uma pessoa e enterrei-a debaixo de uma bananeira.

BEREGUNDA – O senhor Aníbal que não saía de dentro da igreja! Que não se arredava o pé debaixo do senhor Padre?! (Benze) Louvado seja o Nosso Senhor Jesus Cristo!

Djena volta a deitar-se e levanta de seguida a gemer e a representar mais um ato de parto.

LALÁ IRMÃO – Muná?! Outra vez?

DJENA – Eu sou a Helena. Quero falar com a minha mãe. Quero ver os meus filhos. (Todo o mundo fica triste e comovido) Quero falar com a minha mãe. Quero dizer a minha mãe quem me matou.

BEREGUNDA – Quem te matou, Helena? Tu eras uma menininha tão direita! Quem havia de querer te matar?

DJENA – Morri nova. Ainda na flor da minha idade! Chamem a mamã!

LALÁ IRMÃO – Ó Padoxe, vai lá chamar Simoa para vir aqui rápido.

DJENA – Muito obrigada, Irmão. Muito obrigada.

Djena volta a cair na cama e levanta de seguida, com as duas mãos à cabeça gemendo de dor.

LALÁ IRMÃO – Quem és tu desta vez e o que vieste fazer de novo ao mundo?

DJENA – Sou Martinho de Achada Riba. (Alguém pede para entrar e expulsar o finado da Djena. Esta corre desde um canto da sala e vai sentar-se atrás da porta) Ninguém vai abrir a porta! É o Guinguilane que quer vir pôr remédio para eu não falar, para eu não dizer que foi ele que me matou.

BEREGUNDA – Ele é que te matou?! Mas como, Martinho?!

DJENA – Éramos marqueiros lá em Carreira, ele empurrou a marca e roubou uma parte da minha horta, nós discutimos, ele apanhou o fio do meu cabelo e foi enterrar debaixo de um pode de água. Durante 40 dias e 40 noites passei com dor de cabeça, até que morri.

Todos ficam boquiabertos a olharem-se uns aos outros. Depois, Djena levanta-se e vai estirar em cima da cama.

BEREGUNDA (vai à porta e pede para abrir) – Quem bateu a porta há bocado?

Lá na rua está uma boa quantidade de pessoas.

UMA PESSOA – Era o Guinguilane.

Todo o mundo fica de olhos esbugalhados. Simoa e Padoxe chegam e entram.

DJENA (levanta-se e vai abraçar Simoa) – Minha mãe! Mamã! Ah, minha mãe!

SIMOA – Minha filha! Deus há-de dar-te um bom canto na Glória.

DJENA (Para os presentes) – Quero falar a sós com a minha mãe. Não se importem de nos deixas a sós? Por favor! (Todos saem, ficam somente as duas) Mãe, foi a Ponxita que me matou. (Simoa arregala os olhos e faz-se de forte para não cair) Ela é que me fez corda para eu morrer, para ela ficar com o João da Cruz. O efeito da corda fez com que eu jurasse que se um dia viesse a ter mais um filho com o João da Cruz, para a criança nascer pela boca, as placentas saíssem pelas narinas e para o Senhor se servir de mim. Os Anjos estavam com a boca aberta e responderam: amém. Então deu no que deu. Morri.

SIMOA – Não estás no Inferno, minha filha?

DJENA – Não, mamã. Mas também não estou no Céu.

SIMOA – Credo, minha filha! Não está no Céu?!

DJENA – Não, mamã. Jurar é pecado. Como jurei e morri… Deus não me deixou entrar diretamente.

SIMOA – Então onde é que tu dormes?! Onde e como tu tens desenrascado?

DJENA – No Purgatório. Tenho que purgar os meus pecados para depois entrar no reino.

SIMOA – Como é que o Purgatório é feito, Helena? Lá não tem mosquitos?…

DJENA – À noite lá é cheio de mosquitos. O Purgatório é constituído por uma metade da Glória e uma metade do Inferno! Fica no meio de um e do outro!

SIMOA – Mas como assim?

DJENA – De lá se ouve e se vê tudo o que se passa nos dois lugares. A calmaria apaziguadora e o sossego tranquilizante daqueles que já hoje são imortais; as orações que alimentam os espíritos dos perpétuos escolhidos; os floridos campos com pétalas coloridas e odores perfumados; o suave toar das flautas dos anjinhos, com suas testas emanando, em vez de suor, a fresca água-benta; as felicidades estampadas no semblante dos inquilinos celestiais são nítidas e visíveis durante o dia. E são ainda muito mais intensos nos dias das comemorações dos Santos, como no dia de Nhu Santiago Maior, por exemplo.

SIMOA – Desculpa lá, minha filha. Acho que estás com uma linguagem muito elaborada. Andas na escola por lá?

DJENA – Não, minha querida mãe. Como sabe, sou pecadora e, por ter morrido em pecado, pois, não era casada e pequei ao proferir aquele juramento, não podia entrar logo na Glória. Por isso, sou candidata à inquilina celestial, de forma que tenho que me cultivar a linguagem dos anjos e santos. Já entendeu?

SIMOA – Já entendi, sim, minha filha. E estou contente.

DJENA – Em contrapartida, à noite o Purgatório é pior do que o Inferno. Ouve-se prantos desesperantes e desassossego das almas dos eternos condenados, em simultâneo com os alardes dos três temerosos senhores do Inferno…

SIMOA – Três senhores do Inferno?! Como se chamam?

DJENA – Ariel, ou o Presidente do Tártaro; Belzebu, ou o Ministro das Trevas; e Lúcifer, o Presidente das Câmaras dos Infortúnios.

SIMOA – É como cá, então?

DJENA – Nem pensar, minha mãe! Muito pior. (Simoa faz o sinal da Santa Cruz) Todos eles já tinham sido Presidentes, Ministros ou Autarcas cá no Mundo e terão feitos muitas maldades. Estão habituados. Já são especialistas na área. (Olha para a mãe) E conforme lhe estava a dizer, de lá do Inferno se ouve o ranger dos dentes e prantos desesperados dos infortunados Finados, bêbados, drogados, jogando à batota e brigando-se entre eles; dançam o infernal Funaná e saracoteiam a bunda pornograficamente ao compasso do emporcalhado batuque; se sente na escuridão das trevas os odores nauseabundos de carne queimada e a podridão dos chulés que exalam dos pés nojentos daqueles Finados que haviam sido corruptos nos seus efémeros reinados na Terra. E enquanto dançam o Funaná ou dão ku Tornu, jorram-lhes da testa um acre, peçonhento e corrosivo líquido, qual Cicuta, o veneno que o filósofo Sócrates foi condenado a beber em cumprimento da sentença que lhe fora ditada pelos seus verdugos. As cicatrizes das tristezas não se disfarçam da cara daqueles hóspedes do submundo ou do mundo dos iníquos.

SIMOA – Então é verdade quando se diz: Assim na Terra como no Céu?

DJENA – Certo, minha mãe. Também é, embora não dizem: Assim na Terra como no Inferno.

SIMOA – Credo!

DJENA – E conforme estava a dizer-lhe, Foi Ponxita quem me matou.

SIMOA – Também ela vai pagar por isso! Vai, vai! Assassina!

DJENA – Como é que a minha menina está? Como está a minha Rosalina?

SIMOA – Está boa. Acabei de dar-lhe o biberão antes de vir pra aqui.

DJENA – E o Dário?

SIMOA – O Dário!… Entreguei-o ao pai dele

Djena cai em cima da cama com os olhos fechados, Simoa limpa as lágrimas e abre a porta e pede para o pessoal entrar.



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