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Por: Armindo Tavares

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CLVII CENA

Nhamina está deitada no seu quarto, Lala está na rua com o ouvido colado à janela à espera que o galo cante para imitar a voz do seu compadre Patchane.

LALA (depois do cantar de galo) – Nhamina… (pausa) Nhamina… (outra pausa) não te assuste, por amor de Deus.

NHAMINA [O. S.] (assanhada) – Quem és tu? E o que estás a fazer debaixo da minha janela?

LALA – Não sinta medo. Deus mandou-me dizer-te pra não teres medo.

NHAMINA [O. S.] (bastante incrédula) – Patchane?!

LALA – Sim, Nhamina. Sou eu o Patchane que era o teu marido.

NHAMINA [O. S.] – O que vieste fazer outra vez ao mundo, Patchane?

LALA – Não sou eu que te estou a dizer isto que estás a ouvir.

NHAMINA [O. S.] – Não és tu? Então quem é? Não disseste que eras Patchane?

LALA – Sim. Sou o pai do José e da Luisinha.

NHAMINA [O. S.] – Então?! O pai do José e da Luisinha não é o Patchane?

LALA – Pois! Estás a ouvir a minha voz, mas quem te está a falar é o Nosso Senhor Bondoso Deus. Estás a ouvir-me a falar, mas é tudo por inspiração Dele. Por inspiração do mesmo Deus que inspirou os profetas a escreverem as suas verdades na Bíblia Sagrada. Ele veio encarnado em mim para me inspirar a dizer-te que ainda não entrei no reino Dele.

NHAMINA [O. S.] – Não me diga, homem de Cristo?! Tu que nem eras mau! Tu não eras runho nem malcriado, nem nunca deste caço-bode a ninguém!

LALA – É verdade, minha mulher. Eu não era burro nem malcriado, nem fui thug nem deputado. Nunca fui político nem jurista. Não fui Presidente de Câmara, nem Juiz do Supremo Tribunal, nem Procurador Geral da República para me abusar dos coitados. Nunca fiz injustiças nem dei caço-bode a ninguém, tirando uma vez que te dei um caço em vinte escudos que fui beber um grogue com o compadre Lala.

NHAMINA [O. S.] – Eu te perdoei por isso. Lembra-te que brigamos e depois ficamos bem. Que fiquei grávida da Luisinha precisamente quando estávamos a fazer as pazes. A pôr sábi ku kunpanheru.

LALA – Então não lembro?! Por isso que Luisinha é muito amiga da paz.

NHAMINA [O. S.] – É verdade! Luisinha não gosta de confusões. Se fosse por ela todo o mundo vivia na concórdia e na paz do Senhor. Mas podes ficar sossegado quanto à estória dos vinte escudos. Sei que foi o compadre Lala que te obrigou, porque ele estava com gana de beber.

LALA – Por acaso foi ele que me obrigou, sim. Queria beber e estava nabika!

NHAMINA [O. S.] – E até ainda não entraste no Céu, porquê?

LALA – Por causa de ti!

NHAMINA [O. S.] – Por causa de mim, como?

LALA – Deus disse que enquanto eu não viesse, para ele falar contigo e deixar-te em boas mãos, eu não iria ver a face Dele.

NHAMINA [O. S.] – Amém!

LALA – Deus é muito bondoso.

NHAMINA [O. S.] – Bondoso e misericordioso. Graças a Ele o chão está molhado, o milho está bonito e as cordeiras estão fodjudas. Bongolon e Sapatinha, com mais uma chuva… se Deus quiser… botam o talo.

LALA – Ele disse que mandou chuva para vocês não sofrerem, para o José não ter que separar de vocês para ir para Sul nem para Angola como contratado.

NHAMINA [O. S.] – Aleluia!

LALA – Ele está muito preocupado contigo, Nhamina.

NHAMINA [O. S.] – Eu sei. Deus preocupa sempre com seus filhos.

LALA – Mas contigo Ele está um pouco mais, por causa de uma coisa.

NHAMINA [O. S.] – Que coisa? Pequei contra a vontade Dele? Diga-Lhe que me perdoe. Que sou uma pobre pecadora e às vezes peco sem sentir-me.

LALA – Ele disse que enquanto não arranjares um marido para vos ajudar, a ti, ao José e à Luisinha, Ele não me vai deixar entrar no reino Dele. Nhamina!… tenho passado muita desventura… muito sofrimento desde que ali cheguei.

NHAMINA [O. S.] – Ave-maria! Não diga isso que me fazes partir o coração.

LALA – É como te estou a dizer. Eu é que sei o que estou a passar.

NHAMINA [O. S.] – Então por que não me vieste dizer assim há mais tempo?

LALA – Só agora é que Deus me permitiu. Meu autorizou.

NHAMINA [O. S.] – Tadinho do meu marido!

LALA – Desde que morri, a minha morte é sonambular à porta do Céu, ao relento e chuva gelada.

NHAMINA [O. S.] – E tu que sempre tiveste o teu corpo pioku!

LALA – E a minha alma é ainda mais pioka do que o meu ex-corpo. Tanto que não voltei a morrer porque já estou morto uma vez.

NHAMINA [O. S.] – Salve Rainha, Mãe de misericórdia! Dê-nos vida e doçura!

LALA – De dia o sol e a chuva me incomodam; à noite, mosquitos e geada fria não me deixam pregar olho. Sem contar com rebuliço dos finados, que vem o Inferno, quando Diabo os chicoteia e os faz cair na piscina com água a ferver.

NHAMINA [O. S.] – Então podes ficar descansado porque vais entrar no Céu. Como é Deus que te mandou… amanhã eu arranjo marido.

LALA – Mas não é qualquer marido que é para tu arranjares. Deus disse que tem de ser um homem capaz de cuidar de ti e dos nossos meninos.

NHAMINA [O. S.] – E como é que vou saber quem é esse marido?

LALA – Deus disse que Ele já sabe que tu vais estranhar. Mas que foi Ele quem te mandou… que Ele te perdoará.

NHAMINA [O. S.] – Quem foi que Ele te disse? Para tu entrares na Glória eu faço tudo o que Deus me pede… tudo o que Ele quiser.

LALA – Ele disse que o homem em quem tu podes confiar é…

NHAMINA [O. S.] – É… Nhu Quim-Quim de Mouro? Nhu Teófilo de Nha Juvita? José Monteiro? Nhu Caetano Vaz ou Nhu Julião Tavares?

LALA – Não. Desses Ele disse para tu fugires sete léguas. Que esses aí são ricos, não conhecem o sofrimento dos coitados.

NHAMINA [O. S.] – Então quem é? Nhu Lelenxo ou José Quintino?

LALA – Não é nenhum deles. Eles são todos a mesma coisa. São Nhápu ku Napotó. Farinha do mesmo saco. Têm muito dinheiro mas não têm alma no corpo.

NHAMINA [O. S.] – Então quem foi que Deus disse?

LALA – O nosso compadre.

NHAMINA [O. S.] – O nosso compadre?! Qual deles?

LALA – Compadre Lala, padrinho do José nosso filho.

NHAMINA [O. S.] – O meu compadre Lala?! Ave-maria! Credo em cruz, Vade Retro! Ab nuntio, água Tuntum! Amancebar-me com o meu compadre, padrinho que batizou o meu filho?! (Lala assusta-se e cala. Nhamina pensa que ele terá ido embora, arrepende-se e volta a chama-lo) Marido… Patchane… (chora) Oh! Não acredito que o afugentei. Ele vai continuar ao relento à porta do Céu?! Oh, meu Deus! Perdoe-me. Ah marido, desculpa-me. Fui muito má para contigo!

LALA (volta a falar) – Já me ia embora, mas Deus mandou-me voltar, porque arrependeste, pediste-Lhe desculpa, Ele já te perdoou.

NHAMINA [O. S.] – Aleluia! Vá em paz, eu rezo e peço por ti.

LALA – Se não fizeres, até amanhã, o que Deus te mandou pedir… vai ser tarde demais.

NHAMINA [O. S.] – Ele não disse como devo fazer para dizer ao compadre Lala? O compadre já sabe?

LALA – O compadre não sabe, nem tem que saber. Diga-lhe que fui eu que vim falar contigo, a mando de Sr. Deus Todo Poderoso.

NHAMINA [O. S.] – Ele não me chamará aqueles nomões… se eu lhe disser com a minha boca que…?

LALA – Deus não o deixará. E ele ficará a amar-te ainda mais, porque vai acreditar que, como foste tu a declarar-lhe, é porque tu gostas dele.

NHAMINA [O. S.] – Então vai na paz de Deus. Tenho fé que amanhã deitarás na tua cama riba lá no Céu, entre os Anjos e o Espírito Santo.

LALA – A minha cama está feita desde o dia em que me levaram para a Casa Para Todos. Desde o dia em que fui sepultado, que rezaram e me cantaram o Vai à Luz. Todos os dias os Anjos mudam o lençol, põe flores e perfumes. O Espírito Santo espalha incenso, Água Benta e Santos-óleo para desinfetar. São Pedro tem os Anjos preparados para me receberem como Pulónga Bita foi recebido em Cabo Verde quando regressou dos EUA depois de mais de 30 anos embarcado. Para me receberem com toar de flautas, para me fazerem deitar, dormir e recuperar o sono que perdi.

NHAMINA [O. S.] – Vocês de lá vêm televisão?

LALA – De lá diriba vê-se tudo. É por isso que aos olhos de Deus nada se escapa.

NHAMINA [O. S.] – Por acaso… Pulónga Bita foi recebido no Aeroporto da Praia como o Aristides Pereira fora recebido em 1974 quando regressou da Guerra na Guiné.

LALA – É isso também que São Pedro quer que seja feito comigo. Se tu quiseres. Claro!

NHAMINA [O. S.] – Então amanhã cedo eu falo com o compadre Lala e digo-lhe o que é que Deus mandou para tu me vires dizer.

LALA – Muito obrigado, Nhamina. Já estou a sentir frescura na alma.

NHA MINA [O. S.] – Graças a Deus!

LALA – Mas tens que falar com o José e com a Luisinha. Diz-lhes que foi Deus que te mandou maridar com o compadre Lala, que não devem ficar zangados.

NHAMINA [O. S.] – Eu falo com eles. José é bom menino. A Luisinha também é compreensível. São boas criaturas.

LALA – Agora deixa-me ir. Que Deus nos dê uma boa noite.

NHAMINA [O. S.] E que nos amanheça em paz.

CLVIII CENA

Nhamina está a varrer a rua, Lala passa além, montado num burro, fingindo não querer parar.

NHAMINA – Eh, compadre! Você passa assim de longe… nem uma fala, né?

LALA – Estou com muita pressa, comadre. Na volta eu dou-lhe fala.

NHAMINA – Não acredito! Todos os dias que você passa cá nós falamos, e hoje não, porquê?

LALA – Quando eu voltar, comadre. Agora estou mesmo com muita pressa.

NHAMINA – Mesmo que você tivesse toda a pressa do mundo. Com o costume não se brinca. Você já me habituou a conversar consigo todos os dias!

LALA – Você vai-me desculpar, mas hoje não dá mesmo.

NHAMINA – E logo hoje que estou a precisar de si, compadre?

LALA – A comadre não pode esperar para quando eu voltar à tarde? É assunto sério? Urgente?

NHAMINA – Seríssimo e urgentíssimo. Já lhe devia ter dito!

LALA – Então eu vou, mas não me vá dar água e virar a caneca… nem pôr-me sentado sobre o pilão e virá-lo boca para baixo para me reter lá consigo.

NHAMINA – Se você é feiticeiro… hoje eu corto-lhe o rabo.

LALA – Está bem. Eu vou, mas não vou demorar. Tenho muito a fazer.

Ele vai e cumprimentam-se.

NHAMINA – Compadre, você sabe quem falou comigo esta noite?

LALA – Quem? O meu afilhado José?

NHAMINA – Já sabia que nem se lhe dessem Estados Unidos e lhe ofertassem Rússia, não ia adivinhar.

LALA – Se eu adivinhasse estava rico, comadre.

NHAMINA – Todos nós.

LALA – E quem foi que falou consigo? O Administrador disse-lhe que José conseguiu vaga para ir a Angola?

NHAMINA – O seu compadre falou comigo.

LALA – Qual meu compadre?

NHAMINA – O seu compadre Patchane.

LALA (finge-se surpreendido) – Não diga uma coisa dessas, comadre! O compadre Patchane então não morreu? Aquela pessoa que eu carreguei na jangada… que eu vi com esses meus olhos a ser metido na cova, a ser entulhado e a cova a ser pisada… não era o compadre Patchane?!

NHAMINA – Era o seu compadre, sim, senhor.

LALA – Então você está a brincar comigo? Disse-me que ele falou consigo?!

NHAMINA – Compadre!… coisa esquisita. Mesmo gaiata!

LALA – Coisa esquisita?! Esquisito é o que você está a dizer.

NHAMINA – Você sabia que ainda ele não entrou no reino?!

LALA – Ave-maria! O quê, comadre?!

NHAMINA – Até ainda o Patchane não viu a face de Deus.

LALA – Mas a comadre está a falar a sério? Ou você bebeu?

NHAMINA – Acha que eu ia brincar com esse tipo de coisas?

LALA – Ainda o compadre Patchane não entrou na Glória?!

NHAMINA – Foi o que ele me disse, compadre Lala.

LALA – Será que ele tenha feito algum pecado em surdina? Não acredito que ele tenha sido mau e simulado… que tenha cometido algum pecado mortal.

NHAMINA – Mau… ele não era. Ele tinha-me feito apenas aquele cabeça-rija, quando me roubou aqueles vinte escudos, mas disse-me ontem que o fez porque estava junto consigo e queriam beber.

LALA (finge-se novamente surpreendido) – Ele disse-lhe isso? O compadre é mesmo papiador, comadre!

NHAMINA – Ele disse-me que ainda não viu a face de Deus… que ainda não entrou no reino da Glória.

LALA – Por causa dos vinte escudos que lhe roubou?!

NHAMINA – Não. Por minha causa.

LALA – Por sua causa?!

NHAMINA – Porque me deixou desamparada. E Deus disse-lhe que enquanto eu não arranjar um marido, que a porta da Glória não vai abrir para ele entrar.

LALA – Credo! Comadre, eu sei que você é muito séria… muito religiosa. Mas vai deixar o compadre ao relento, como está, lá em cima no Céu?

NHAMINA – E sabe com quem ele disse que Deus mandou-me juntar?

LALA – Disso não faço a menor ideia. Mas isso também Deus mandou para ele dizer à comadre?

NHAMINA – Exatamente, compadre.

LALA – E quem é essa pessoa?

NHAMINA – Sinto até vergonha de lhe dizer.

LALA – Vergonha porquê? Para que o nosso compadre saia do relento, da minha parte você pode contar com tudo, dentro das minhas posses, claro, ainda que tenha que vender um dos meus bois. Ele disse para eu lhe ajudar a escolher um que seja exemplar?

NHAMINA – Deus disse-lhe que a única pessoa capaz de cuidar bem de mim…

LALA – Quem é? Pode dizer-me. Eu o conheço? É daqui mesmo da zona?

NHAMINA – Custa acreditar, compadre.

LALA – Custa acreditar, porquê?

NHAMINA – Ele disse-me que o único homem com quem me possa juntar e que o fará entrar no reino é você.

LALA (finge espantar-se… estar zangado) – O que é que você disse, comadre? Não volte a repeti-lo nem na brincadeira! Eu sou padrinho do seu filho, baptizado na igreja!

NHAMINA – Eh! Compadre Lala, vamos então deixar o seu compadre continuar na rua do Céu eternamente a levar com frio e a ouvir gritos dos finados que vêm do Inferno quando o Diabo está a chicoteá-los?

LALA – Bom… isso de facto…

NHAMINA – E não se esqueça que foi Deus que o mandou. E com Deus não se deve brincar. Ele dá-nos tudo o que precisamos… também quando Ele nos pede uma coisa, devemos dar-Lha.

LALA – Então… como é que a comadre acha? Já que tinha dito que tudo faria por meu compadre!

NHAMINA (muito comprometida) – Eh! Por mim… nós juntamos.

LALA – Está bem. Vou pensar, passo cá logo e a gente fala.

NHAMINA – Fico à espera. E pense bem no assunto. Não venha muito tarde.

LALA – Farei os possíveis. Até logo.

NHAMINA – Até logo.

CLIX CENA

À noite, dentro do quarto de Nhamina, um candeeiro podogó está acesa sobre uma mala que se encontra à cabeceira da cama.

LALA (de pé) – O compadre deve estar muito feliz.

NHAMINA – Ele já deve ter entrado no reino da Glória.

LALA – Mas desde que o compadre morreu, não tinha entrado na Glória?! Coitado! Deve ter sofrido muito, comadre!

NHAMINA – Pla forma como ele falava, dava pra perceber que estava a sofrer.

LALA – Deus não tem brincadeira com a sua criatura, não. O compadre mal morreu, Ele preocupou-se logo com a situação da comadre.

NHAMINA – Preocupou-se tanto que até escolheu quem devo tomar por marido.

LALA – E ainda há quem diga que Deus não existe! Se Deus não existe, então não sei o que é que existe!

NHAMINA – Também não reparou como é que muitos têm a boca torta? É castigo de Deus. E para se despistarem dizem que foi mau ar que os apanhou!

LALA – Agora não é mau ar que se diz, comadre.

NHAMINA – Então como se diz? Eu sempre ouvi dizer mau ar.

LALA – Agora diz-se trombose.

NHAMINA – Trombose?! Eles querem mudar nome em tudo, e chamar as coisas da maneira deles! O nome que Deus pôs não está correto!

LALA – Ainda chamam-no AVC. Acidente Vascular Cerebral.

NHAMINA – AVC?! Por isso que estamos cheios de castigo. Felizmente Deus é justo, Ele castiga aquele que merece.

LALA (despe a camisa) – Comadre, acho que o quanto melhor fizermos, mais satisfeito ficará o compadre.

NHAMINA – Também acho. (Depois de matutar) Mas… o quanto melhor como?

LALA – Ficamos todos nus.

NHAMINA – Nu, compadre?!

LALA – A comadre e o compadre nunca fizeram… nus?

NHAMINA – Sem a minha combinação nunca durmo. Ele também, sem as suas ceroulas, não dormia.

LALA – E a comadre não despe aquilo… antes de ir pra cama?

NHAMINA – Nem para mijar. Desvio-a com o dedo para o lado e faço xixi.

LALA – E quando vocês vão…

NHAMINA – Só depois de estar debaixo do lençol e com o candeeiro apagado. Mas só despacharmos, volto a vestir-me.

LALA – Porquê, comadre?

NHAMINA – Eu é que ia deixar a que o homem me visse nua?! Para ver a minha coisa e chamar-me meretriz?

LALA – Mas eu gosto de ficar nu.

NHAMINA – Que fique você. Mas primeiro apague o candeeiro.

LALA – Tape a cabeça!

NHAMINA – Não. Apague primeiro o candeeiro.

Lala assopra o candeeiro e, antes de subir à cama, põe-se a gritar. Um chicote descontrolado lhe sova nas costas e nas nádegas. Ele foge desorientado e procura agasalhar-se com sacos velhos lá na rua.



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