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Por: Armindo Tavares

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CXLVI CENA

Sentada à entrada da taberna, em frente a um fogareiro, Manené frita peixe e vende algumas coisas a retalho, como: fósforos, cigarros, rebuçados, peixe frito e pão com manteiga. O Bernardo, um homem magro e alto, de uma cor branca avermelhada, um pouco corcovado, na casa dos 60 ou mais anos, sem dentes na boca, o que lhe obriga a mastigar-se constantemente, passa-se pela Manené, mulher do Lelenxo.

BERNARDO - Bom dia, Manené.

MANENÉ - Juízo na cabeça, saúde no corpo, dinheiro no bolso.

BERNARDO - Amem. (Entra na taberna) Como é, Lelenxo?

LELENXO - Oi, Bernardo!

Lelenxo está ao pé da porta que dá para o quintal a arranjar moreia num alguidar de alumínio.

BERNARDO – Vem arranja-me um groguinho para ver se corto este calor.

Lelenxo lava as mãos na água onde arranja a moreia, limpa nas calças e entra para o balcão adentro.

LELENXO - Por acaso hoje está a fazer um pouco de calor. Deve ser por causa dos borrifos que caíram ontem.

BERNARDO - Serve-me um cinco de aguardente.

Lelenxo pega numa garrafa e num copo, entra o José.

JOSÉ - Quero um pacote de vela, uma caixa de fósforos, um litro de petróleo, três quilos de bolacha, um quilo de açúcar, meio quilo de café de chicória, uma caneca de sal e um quilo de leite em pó.

LELENXO - Deixa-me só acabar de atender ao Bernardo. Quando chegaste ele já cá estava.

Avia o Bernardo que, de um gole seca o conteúdo e descansa o copo sobre o balcão.

BERNARDO - Assenta no livro juntamente com as outras.

LELENXO - A conta está a aumentar, Bernardo! E assim não dá.

BERNARDO - Não te preocupes.

LELENXO (Enquanto pesa o açúcar para o José) - Já sabes quanto é que já fez?

BERNARDO – Pago-tos juntos.

Lelenxo entrega as compras ao José, recebe o dinheiro e o freguês sai. Apanha o livro de contas e assenta as dívidas do Bernardo. Entra a Luísa de Kéxa e fica de pé perto de um recipiente contendo petróleo.

LUÍSA KÉXA – Léla, vem vender-me petróleo.

LELENXO (vai ter com ela) - Quanto de petróleo?

LUÍSA KÉXA - Um quarto!

Lelenxo mede o petróleo, põe numa garrafa, entrega a Luísa e limpa as mãos nas calças.

LELENXO - Só queres petróleo?

LUÍSA KÉXA - Quero também meio quarto de açúcar e uma caneca de suanca.

Ela recebe as compras, paga e sai.

BERNARDO - Queres fazer um negócio comigo, Léla?

LELENXO - Que tipo de negócio?

BERNARDO (para um bocado) - Põe-me mais um cinco

LELENXO - É este o negócio? (Serve-o) Fazem 235$00 com mais este.

BERNARDO - Ajusta mil escudos, dou-te um pedaço de terreno em Jaracunda.

LELENXO - No sequeiro ou no regadio?

BERNARDO - No regadio. Faz marcação com Penha Cardoso de Nha Bombena.

LELENXO – Penha Cardoso pai do Agostinho e de José Cardoso?

BERNARDO – Sim. Penha Cardoso de Macati.

LELENXO – É do lado do Chão de Oril ou que vai para Ribeirão Almaço?

BERNARDO - Do lado do Ribeirão Almaço, onde passa a estrada que vai a Macati.

LELENXO - Antes ou depois da Casona?

BERNARDO - Na saída para a casa de Nhu Germano.

LELENXO - Já sei onde é que é.

BERNARDO - Do lado direito faz marcação com Nhamélia de Barros, mãe do Loté de Barros, do Martins, do Nené e de Nha Arminda.

LELENXO - Nhamélia mulher de Nhu João de Bulimundo?!… Vocês são da mesma família!

BERNARDO - Somos todos da família Alves, Barros, Martins, Correia e Silva. (Dá um gole do seu copo) Do lado esquerdo faz marcação com o Gil, também família Alves, meu primo. Pai de Nha Quinta e da Belmira de Achada Fazenda.

LELENXO – Nha Quinta, filha da Rosa, e Belmira, mulher do Ernesto Sanches?

BERNARDO - Vejo que as conheces. Nha Quinta e Belmira são filhas do Gil Alves Martins.

ALBINO (entra com duas moreias na mão) – Nhu Léla, compre moreia.

LELENXO - Que moreia é que estás a vender? Não é Moreia Cocó, pois não?

ALBINO - Uma é Moreia Preta e outra é Moreia Carónga.

LELENXO - Quanto é que estás a pedir por elas?

ALBINO - Vinte escudos cada.

LELENXO - Estão caras. Ainda se fosse Moreia Pintada ou Moreia Sofia!…

ALBINO - Então quanto é que quer dar? Ofereça.

LELENXO - Põe lá no quintal em cima da mesa, depois falamos.

BERNARDO - Serve-me mais um cinco.

ALBINO (volta do quintal e encostado ao balcão) - Serve-me meio quarto para matar a ressaca. (Lelenxo serve-lhe num copo de meio quarto e ele bebe sem parar. Limpa o beiço com o reverso da mão direita) Dê-me dez escudos para comprar cigarros e fósforos na Manené, e pão com manteiga para fazer bafio. Depois faremos as contas.

LELENXO (volta para Bernardo) - Queres mais um cinco?

Bernardo acaba de secar o copo, coloca-o a frente do Lelenxo que o enche novamente.

ALBINO (em frente da Manené) - Vende-me dez tostões de Falcões, um tostão de fósforo e um pão com manteiga.

Manené apanha três cigarros, abre uma caixa de fósforos e conta oito palitos, mete manteiga num pão e dá ao Albino.

MANENÉ - Dois e quinhentos.

ALBINO (dá-lhe uma moeda de dez escudos) - Não tem uma caixa de fósforo vazia que me arranje?

Manené apalpa ao seu lado, apanha uma caixa de fósforos, abre e confere se está vazia, entrega ao Albino e passa-lhe o troco.

LELENXO - Sim, Bernardo. Se quiseres podemos fazer o negocio. Mas tenho que ir ver primeiro.

BERNARDO - Quando quiseres.

LELENXO - Não me leves a mal. Estou farto de comprar gatos por lebre.

BERNARDO (seca o copo) - Põe mais um.

LELENXO (serve-lhe e fica com a garrafa na mão) - Mil escudos… quanto de terreno é que me vais dar?

BERNARDO - Se tu és bom em arremessar pedra!…

LELENXO - Bom em arremessar pedra… como assim?

BERNARDO - Ficas num extremo e atiras com uma pedra. Onde a pedra cair, tu vais pôr a marca.

LELENXO - A pedra… tenho que arremessa-la com funda ou com a minha mão?

BERNARDO - Com funda?! Estás bêbado ou quê? Não acredito que eu é que bebo e tu é que ficas mouco!

LELENXO - Quando é que queres que vamos?

BERNARDO - Amanhã tens tempo?

LELENXO - Tempo nunca há. Arranja-se.

BERNARDO – Ok. Deixa vir mais um cinco. (Acaba de beber) Até amanhã.

Sai bastante ébrio.

LELENXO - Vai com cuidado para não tropeçares nem pisar espinho-cachupa pelo caminho.

CXLVII CENA

José chega a casa à noitinha, todo encharcado. Ajoelha-se diante da imagem de Santo António e reza. Nhamina entra de repente.

NHAMINA – O que é isto, meu filho? Encharcado assim desta maneira?

JOSÉ – Mãe!… Quando saí para vir, já estava a escurecer, fez um temporal e apanhei uma chuvada!…

NHAMINA – Felizmente Deus é grande, acompanhou-te até chegares a casa. Agora tira a camisa, torce-a e põe em cima da pedra-do-fogão para secar.

JOSÉ – Também, quando pus os pés dentro de casa, a primeira coisa que fiz, foi rezar e agradecer-Lhe.

NHAMINA – Fizeste bem. Deus não gosta de pessoas ingratas… de pessoas que não reconhecem o bem que lhes é feito. Por isso que se costuma dizer: Assim na Terra como no Céu.

JOSÉ – Então quando eu morrer vou ficar encharcado assim também?

NHAMINA – Não, José. Assim na Terra como no Céu, quer dizer que se fizeres bem na Terra, Deus te recompensará no Céu quando morreres. Se fizeres maldade, Satanás te fará maldade no Inferno.

JOSÉ – Felizmente eu vou para o Céu.

NHAMINA – Por isso tens que rezar muito. Rezar e pedir para que Deus te livre das tentações do Satanás.

JOSÉ – Se Satanás tentar vir-me intentar, esconjuro-o e mando-o para o fundo do Inferno.

NHAMINA (ri-se) – Marcaste a missa ao teu pai?

JOSÉ – Marquei a missa, passei pelo Sr. Administrador e falei com ele.

NHAMINA – O que é que o Sr. Administrador te disse? Ele te aceitou?

JOSÉ – Não. Ele disse que já não há lugar.

NHAMINA – Meu Deus! Já não há lugar?!

JOSÉ – Estava lá muita gente à espera para dar o nome. E muitos não encontraram vaga.

NHAMINA – Mas por que não te tinha mandado antes?

JOSÉ – Podia ter vindo mais cedo, antes que anoitecesse, se não fosse ficar à espera pela minha vez de falar com o Administrador. E foi por isso que a chuva e o temporal me apanharam pelo caminho.

NHAMINA – Já não há vaga para tu ires à Angola! E agora, meu filho? O que é que vamos fazer? Cruz na boca e deitar-nos?!

JOSÉ – Eh! É para nos confortarmos e pôr fé em Deus.

NHAMINA – Mas confortar-se sem nada?… Assim não dá para criar os filhos. (Senta-se, pensativa) Deus há-de nos acudir e fazer com que a chuva não pare de cair. Com mais duas ou três chuvadas iguais a esta… a azágua fica garantida. E com a azágua corrente, já ninguém precisa de sair da sua terra para nenhuma outra mais.

JOSÉ – Mesmo que o milho e o feijão não forem abundantes, com maranganha e costa-branco que nascerão no lugar, engordamos porcos, vendemo-los mais tarde e compramos tudo o que precisamos para a casa.

NHAMINA – Isso é verdade. Se Deus não nos faltar com a chuva, não só engordamos os porcos, criámos também outros bichos, como o boi, a vaca, a cabra, o pato e a galinha. A água aumenta nos poços e as hortaliças baixam todos de preço; o petróleo, a banha, o sal, o café e o açúcar baixam de preço nas mercearias e a situação se resolverá.

JOSÉ – Mas é preciso que a chuva não pare de cair.

NHAMINA – Se voltar a cair amanhã como caiu hoje… marcas a monda.

JOSÉ – Se cair como hoje!… marco a monda para a semana. Junto a mão com os colegas e experimento mais um ano se Deus nos perdoa.

NHAMINA – Deus há-de olhar para o seu filho. Maldade e castigo estão a comandar o mundo, mas Deus há-de nos perdoar.

JOSÉ – Criaturas estão maldosas. Estão cheias de inveja… de cobiça.

NHAMINA – Com esta chuva que caiu hoje as sementes vão nascer. A Luisinha e eu vamos correr o lugar, tu juntas a mão com os colegas. Quando o lugar estiver todo corrido, nos dias em que não temos monda, vou vender hortaliças no Pelourinho. Dou-te dinheiro, vais comprar mandioca, batata-doce, banana verde, papaia e manga maduras, tomate, repolho e couve em Jaracunda, na horta do Nezinho Lobo Tavares. Nezinho Lelenxo, ou no Levy Colote.

JOSÉ – Vamo-nos desenrascando conforme Deus quiser.

NHAMINA – Enquanto tu vais juntando a mão com colegas, a Luisinha cuida da casa e das alimárias, eu vou procurar algum tostão dentro do Pelourinho. Ajuda-nos a comprar algum tempero, petróleo, café, açúcar e algum rabisco de peixe que nos dê gosto na cachupa.

JOSÉ – Quando eu tiver que ir fazer as compras, acorde-me cedo antes que o Sol arreganhe como hoje quando saí de casa. Agora está a fazer muito sol.

NHAMINA – Hoje fez muito Sol. Por isso é que choveu.

JOSÉ – Mas quando eu saí de casa o Céu estava limpo, sem nenhuma nuvem cinzenta que, conforme agoiram os mais velhos, é sinal de que vai chover.

NHAMINA (matutando) – Agora é que estou a lembrar que anteontem à tardinha, eu vinha do Manupreru, quando já estava em Salina, vi um enorme Olho-de-boi a chupar água do mar por lá da Redonda. E à noite vi um imenso vermelhão no Céu de Djarfogo. E sempre que aparece vermelhão no Céu, nos meses de azágua, segundo o Lunário Perpétuo, dentro de três dias a cheia corre e entra no mar.

JOSÉ – Mas a cheia não correu! E os meses de azágua são: Julho, Agosto Setembro e Outubro. O Lunário Perpétuo da mamã falhou desta vez.

NHAMINA – O Lunário Perpétuo não é meu. E ele nunca falha. Desde que nasci, achei Nhu Nené de Covoada e Nha Kulétxa de Salina com esse agoiro. A cheia ainda não correu, mas espera e vais ver se não corre. E não pensa ir hoje à Rocha-Lama, porque daqui até amanhã, a qualquer momento stribilin pode acontecer.

JOSÉ – Também o que vou lá tomar, com este mau tempo?!

NHAMINA – Só te estou a dizer. Está com seca de correr atrás da Aldina! Ela é bonita de facto… mas a tua vida é mais bonita.

JOSÉ – A mamã pensa que eu sou doido para deixar que a cheia me carregue e me leve ao mar?! Só se for um dilúvio igual àquele do Noé para me vir apanhar em cima da cama deitado.

NHAMINA – Estou-te a dizer porque vocês, rapazinhos-novos de hoje, às vezes não sei onde é andam com a cabeça. Nem sempre a tem em cima do ombro, ligado pelo pescoço! (Deixam escapar uma risada) Vou trazer-te o jantar e vais-te deitar. (Ela sai e volta com um prato de cachupa) Toma! Não tem peixe mas não ligues. Nhabinha passou aqui, com peixe no seu carro Txabetinha, a vender, mas, tirando estes 25$00, só tinha mais dois e quinhentos, reservados para comprar sal, petróleo, açúcar, café e temperos até ao fim do mês quando a galinha levantar do choco e voltar a pôr, para eu vender ovos.

JOSÉ – Não tem peixe mas está gostosa, mesmo assim. Cachupa sem pinto é que não sabe muito bem.

NHAMINA – Mas se tivesse um rabinho de peixe, ficava ainda mais gostosa. Mas José, cachupa molsedu também… mesmo com pinto não vai!

JOSÉ – Também só os descuidados é que deixam cachupa molser. O que andam a fazer para se esquecerem de atiçar lume ao caldeirão?

NHAMINA (faz um sorriso) – Pensei que não tinha cá pinto, fui revirar a despensa e encontrei este bocado de sapatinha. (Aperta o lenço e bebe uma caneca de água de um moringo) A Luisinha já demudou as cabras e foi assistir ao terço em casa da sua madrinha Liminha. Eu também vou dar farelo e água suja aos porcos, amarro a cabrinha, chicro os cabritos e bezerros, depois vou também tresnoitar um pouco com eles. Aquando da morte do falecido, durante sete dias que estivemos com a esteira no chão, a comadre não tirou daqui os pés.

JOSÉ – E os filhos dela estavam todos cá a ajudar a cochir, a tirar o milho da água, a pilar e a subir cuscuz.

NHAMINA – E esse aí então que morreu?… Não foi ele que rachou toda a lenha com que cozinhamos?!

JOSÉ – Você pode ir. Quando eu acabar de comer vou chicrar cabritos e bezerros antes de eu ir pra cama.

NHAMINA – Quando fores para a cama, não te esqueças de apagar o candeeiro na sala para não ficar sem petróleo. Já no teu quarto, se quiseres, podes abaixar um pouco o pavio antes de deitares.

Com a boca cheia, José assenta com a cabeça. Nhamina faz sinal da cruz com a cara virada para um crucifixo pendurado à parede e sai.

CXLVIII CENA

Lelenxo está da parte de dentro do balcão a conversar com Augusto. Em cima do balcão está um candeeirinho aceso.

LELENXO - Amanhã vais comigo a Jaracunda ver um terreno que o Bernardo quer me vender.

AUGUSTO – Ok. Jaracunda tem bons terrenos. Fica onde, concretamente?

LELENXO - Ao pé da ribeira por onde passam as cheias que vão para Lagoainha.

AUGUSTO - O tio está a fazer um bom negócio. E não é muito caro?

LELENXO - Mil e quinhentos escudos.

AUGUSTO - Quantas quartas de sementeira leva?

LELENXO - Ele disse que quando formos ver, eu fico numa ponta e atiro uma pedra. Que onde a pedra cair, aí mando pôr a marca.

AUGUSTO - Então o tio tem que treinar lançar pedra esta noite toda. Nem se for contra os cocos do Nhu Teófilo na Gambota.

LELENXO - Estás maluco!… Se eu for treinar hoje, fico com dores no braço… ainda é pior.

AUGUSTO - Pois é. Os treinos não se fazem de um dia para o outro. Neste caso, de uma noite para o dia.

LELENXO - Tu é que vais colocar a marca. Finges que não percebes a nossa conversa, ultrapassas o sítio onde a pedra cai. Levo uma garrafinha no bolso, ele e eu nos havemos de entender.

AUGUSTO - De qualquer maneira ele tem-no abandonado!

LELENXO - Vais passar de onde a pedra cair e só paras quando ele te gritar. E aí pões a marca.

AUGUSTO - Está combinado!

LELENXO - Distraio-o com conversas, fico-lhe a frente de forma a não te ver e vamos tomando o nosso groguinho. Quando ele se aperceber que já passaste da marca, dou-lhe voltas. Se necessário arranjo-lhe mais uma notinha.

AUGUSTO - Como ele é guloso em aguardente… fácil será o tio enganá-lo!

LELENXO - E da horta tu é que vais cuidar. Vou mandar abrir um poço e colocar uma cegonha. Como já choveu… é capaz que azágua seja boa este ano.

AUGUSTO - Seria bom se a chuva voltasse a cair e a cheia corresse na ribeira. Planto banana no terreno de massa pé, e onde as terras são soltas, ponho mandioca e batata.

LELENXO - Plantaremos também uns cinquenta coqueiros.

AUGUSTO - Os coqueiros, nós plantamo-los nas marcações. Nos quatro lados. Também vamos semear algumas mangueiras.

LELENXO - Vou procurar onde pus uma semente de manga catotona que comi há dias. É um pouco ácida quando ainda está verde. Mas quando está bem madura é muito saborosa.

AUGUSTO - Se o tio não a encontrar, vejo se arranjo por lá, junto dos nossos marqueiros.

Lelenxo enche dois cálices de grogue e bebem os dois.

LELENXO - Então vamo-nos deitar para podermos levantar cedo.

AUGUSTO - Vamos logo de manhã?

LELENXO – Vamos à tarde mas tenho que vir abrir taberna logo cedo. Os pescadores não me perdoariam se lhes deixar ir ao mar sem compor a cabeça.



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