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Por: Raphael d'Andrade

JGM emiscam

AS BOLAS E OS BALÕES ASSINALADOS

Não embarco em quimeras
Macau terra de poetas
Macau terra de grutas
Macau terra de poesia pendurada pelas paredes húmidas
Macau terra de naufrágios
Não embarco em quimeras
Soa-me melhor: as bolas e os balões assinalados
Prefiro o que vejo, o que apalpo
Prefiro as bolas e os balões
São assinalados e já o foram
Prefiro as bolas e os balões saídas e saídos do ventre da vida
Assinalo
Embarco numa nau
Naufrago num mundo de poesia
Não embarco em quimeras
Naufrago num mar revolto
Salvo a minha amante
Perco a compilação da minha escrita
A tinta desfez-se
Desapareceu no mar profundo e assustador
Aquele mar revolto só poupou a mulher
Não embarco em quimeras
Embarco numa manhã de nevoeiro

MAR NOSSO

GENTIO LATIM

I

A minha língua é portuguesa

nascida filha do gentio latim

e proclamada no crioulo do mundo

a sua descendência excelente no linguajar oral

II

Busco em mim as minhas origens linguísticas

de como o meu espírito se moldou a este vocabulário

de seculares miscigenações

Busco em mim uma história que me conte o meu aprendizado tão universal

como os mares que se tocam ao cabo de tanta boa esperança

por se reencontrarem no suposto imaginário da separação

Mares que sulcam o meu espírito

trazem-me ventos dos quatro quadrantes

anunciando quem se transporta na evangelização peregrina

da multiplicação da espécie

III

Espécies de espécie de julgamento diferido na ordem do tempo

soltam suas amarras de suas origens

Cruzam-se em cruzadas de orgias de novas éticas étnicas

É o novo, é o antigo e o seu sentido inacabado do incerto

tocam-se no sentido sem medida da aventura desligada do destino

IV

Ligam-se tantos a um só

Este um só que traz a ligação da voz falada

comunicada entre muitos

Muitos sem cor descoloridos pelo sol

que se não fixa na mesma latitude do hemisfério natal

V

Nova cor com cor descoloridos

Novo mundo nascido

no linguajar tornado navegante de todos os mares

Mar único, mar nosso, mar ético

Mar expandido em vocalizos de gentio latim

que por se dizer é gentil

 

O ROSSIO NÃO É JÁ EM LISBOA

O ROSSIO É HEMISFÉRIO FORTE

O Rossio não é já em Lisboa

O Rossio, também, não é já de Tagus

nem é só a sul

 

O Rossio é hoje onde o ajuntamento se une pela oralidade

se fez nascer montanhas a Douro Norte

O Rossio é mais do que espaço

Mais do que tempo

É universalidade de um império oral

a comungar e repartir

a diferença de dissemelhantes sons

de igual linear

De variados ritmos

e de outras mais mudadas melodias

compassados aos mesmos distintos prazeres

por expandir oralizando

igual vocabulário em nada perdulário

 

O Rossio não é hemisfério norte

Nem sul!

O Rossio é Hemisfério Forte! É, sim!

O Rossio é onde estamos e para onde vamos

Levantados e deitados à Terra

Lançados e mergulhados à Água

Debandados e incendiados ao Fogo

E seja um dia volatilizados ao Ar!

 

É este o nosso Rossio

É aqui onde encontramos a concentração dos místicos espíritos mundanos

Sejam espíritos voantes pedestres ou remeiros

Confluem e identificam-se no absoluto universal

enxergando a originalidade individual

franqueada pela oralidade lidada em comunhão

 

O Rossio não é já em Lisboa

O Rossio, também, não é já de Tagus

nem é só a sul

nem é só a norte

O Rossio é Hemisfério Forte!

 



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