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Por: Redacção

 

A candidatura de Artur Furtado acusa Comissão Eleitoral de ser “tendenciosa, parcial e extensão de uma das candidaturas”, pelo que exige a presença de observadores externos e propõe a alteração das mesas de voto dos alunos.

A segunda volta para as eleições do novo reitor da Universidade de Cabo Verde acontece amanhã, dia 31 de Janeiro, com a canditura de Artur Furtado a acusar a Comissão Eleitoral de falta de transparência, propondo a alteração do processo, particularmente a reformatação das mesas de voto dos estudantes, com a fixação de 600 alunos por mesa, e exigindo a presença de observadores externos para observância restrita do regulamento de eleição, evitando assim quaisquer incumprimentos regulamentares.

Em carta dirigida à Comissão Eleitoral, datada de 25 de Janeiro, o mandatário da candidatura de Artur Furtado, Rui Manuel Pereira,  pede a reorganização do processo de votação da seguinte forma: 3 mesas na Faculdade de Ciências e Tecnologias, 1 para docentes e 2 para estudantes, 3 mesas na Faculdade de Ciências Sociais, 1 para docentes e 2 para estudantes.

Rui Pereira justifica a sua proposta com a necessidade de se combater a abstenção, tendo em conta que, estando em período de avalição, os alunos não podem perder muito tempo nas filas de votação.

Esta proposta resulta do facto de, na primeira volta, muitos alunos terem desistido de votar, devido ao tempo de elevado tempo de espera da sua vez. Assim, ao diminuir o número de eleitores por mesa estaria automaticamente a contribuir para que todos os interessados tenham oportunidade de participar no processo de escolha do reitor da universidade pública.

Nesta missiva, a candidatura de Furtado chama ainda a atenção da Comissão Eleitoral, no sentido de se evitar a presenção dos seus elementos nas mesas de voto, como aconteceu durante a primeira volta.

“Na primeira volta, notou-se a presença de elementos da Comissão Eleitoral em algumas mesas de voto, como na da Faculdade de Ciências e Tecnologias, onde a professora Maria dos Anjos permaneceu, ao que parece, influenciando os alunos que ali votaram e tentando impedir o mandário da nossa candidatura de se aceder às mesas de voto”, acusa Pereira, sugerindo que, para não haver “influênciação do voto, professores de uma faculdade devem ficar na mesa dos alunos da mesma faculdade”.

Dos diversos documentos chegados ao conhecimento de Santiago Magazine, nota-se, com efeito, que a candidatura de Artur Furtado não acredita na Comissão Eleitoral, entidade que, no entendimento do seu mandatário, “continua a fazer o que fez desde o início deste processo eleitoral: tentar barrar e condicionar, por todos os meios possíveis, a candidatura do prof. Artur Furtado”.

Em meio a esta plêiade de suspeições e acusações, Carlos Spínola, presidente da referida comissão eleitoral, escreve uma carta à comunidade académica no dia 29 de Janeiro, para responder e esclarecer as acusações de que sendo vítima pela candidatura de Furtado, nos seguintes temos:

“Relativamente à acusação da Comissão Eleitoral, ser “...tendenciosa e parcial e, na verdade extensão de uma das candidaturas, e que continua a fazer o que fez desde o início desde processo: tentar barrar e condicionar, por todos os meios possíveis a Candidatura do prof. Artur Furtado”, é de se perguntar ao mandatário se o Conselho da Universidade é a extensão de alguma Candidatura, pois os nomes que constituem a Comissão Eleitoral foram aprovados por esse Conselho”.

Na verdade, Spínola esclarece que a afirmação “tentar barrar e condicionar desde o início, tem como base o facto da Comissão Eleitoral, para o cumprimento do disposto no nº 4 do artigo 8º, receber, verificar e validar, individualmente, as candidaturas, ter solicitado à candidatura do Artur Furtado a certidão de equivalência, bem assim a ordenação dos dados do Curriculum Vitae, afinal, só e tão só para a sua candidatura, neste quesito, poder estar, em igualdade com as outras candidaturas”

Na ocasião, esclarece, “confrontando o dossier dos candidatos com os processos nos Recursos Humanos, a comissão constatou que duas candidaturas não dispunham de Certidão de Equivalência, documento que de acordo com o Decreto-Lei nº 22/2012, deve ser emitida pela entendida nacional competente, pois estabelece o regime jurídico dos Graus e Diplomas do Ensino Superior, e é neste sentido, que o referido documento foi solicitado, somente a duas candidaturas, com vista a se cumprir o disposto no nº 1 do artigo 3º do regulamento”

A Comissão Eleitoral faz questão de relembrar que “o reitor é eleito por escrutínio secreto, de entre docentes doutorados da Uni-CV, com pelo menos 3 anos de experiência docente, de investigação e/ou de gestão no ensino superior em Cabo Verde”.

E conclui que “desse pequeno relato deve-se dizer que a candidatura do Artur Furtado é que ficou a imaginar barreiras à sua candidatura, em todos os actos da comissão, em vez de aceitar as inerentes aos seus actos, enquanto candidato”.

 Dois candidatos passaram à segunda volta das eleições ao cargo de reitor da Universidade de Cabo Verde, no escrutínio realizado no passado dia 19: Judite Nascimento, com 43,6%, e Artur Furtado, com 36,05%.

Judite Nascimento está a concorrer à sua própria sucessão. Artur Furtado é estreante na corrida, assim como Corrine Almeida e Eurídice Monteiro, que ficaram para atrás na primeira volta, com 13,49%  e 6,86%, respectivamente.

Comentários  

0 # João Baião 30-01-2018 22:42
Caríssimo não fazia parte da regra do jogo o pedido da certidão de equivalência.
Nader -se-ia esta incitação se Furtado estivesse a candidatar-se numa outra unicersidade.
Porque É que desde 2008 não tinham solicitado Cert. de Equiv ao Furtado?
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