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Por: Silvino Fernandes

 

Povo de Cabo Verde. De Santo Antão a ilha Brava. Residente nas ilhas e na Diáspora. Em especial, filhos e amigos, de Santiago e Cabo Verde. O nosso país está a saque:

1. Territorialmente, as ilhas, todas, estão a ser "esquartejadas" e vendidas, publicamente nos vários mercados negros dos respetivos municípios, não importa se de domínio público marítimo ou, se património do Estado e do povo de Cabo Verde; As praias, especialmente aqui na ilha de Santiago e município da capital, estão a desaparecer (construções nascem, como cogumelos dentro do mar de Prainha e kebra kanela) numa mistura levedante em que encontrar linhas que divisem os gestores do município e empresas imobiliárias promotoras, em que não se consegue saber se o gestor municipal age enquanto tal, ou se enquanto gestor do seu negócio pessoal, porém, às contas do erário público (central e local). E as Autoridades centrais e locais? A Direção Geral do Património do Estado, e do Ordenamento do Território, a Autoridade Marítima e Portuária, a Provedoria da Justiça e em Ultima instância os poderes judiciais (neste particular, as minhas certezas de outrora, quase que ingenuamente inabalável, de que Magistrado algum seria capaz de fazer o uso do traje e título, em proveito de seus interesses pessoais e familiares, estão se esvaindo, e a caminhar para uma incredulidade jamais sonhada - que o tempo confirme o meu engano!);

2. Demograficamente, as famílias estão assoladas, nos campos e nas cidades, atingimos um nível tal, que nem mesmo as n/crianças são poupadas: i) mãe e sua filha desperecem, como fumos na cidade, há mais de três meses. E das autoridades seculares (executivas, legislativas, judiciais e locais?), NADA! Ao invés, sucede outro desaparecimento, a menina de Eug. Lima, e as autoridades, outra vez, NADA, nem mesmo diante de uma comovente manifestação da cidade; ao invés, sucedem assassinatos, como eventos normalíssimos: de agente de autoridade (da Policia Nacional); do jovem em Pedra Badejo, antecedido de um outro jovem no Tarrafal de Santiago e do cidadão da G. Bissau residente na capital; não nos esqueçamos de que a menina desaparecida é filha de um militar); ii) As nossas crianças, os n/adolescentes e jovens expostos a perigos mil. Em cada esquina e ruelas (bermas de estradas e caminhos e até nas de caminhos vicinais) mais esquecidos, plantam-se bares e quiosques de venda e distribuição de toda espécie de bebidas alcoólicas (importadas e as de lavras domésticas) com barulhos de sons (chamados de músicas) à mistura, em decibéis que envergonham os de qualquer festival, e muitos desses quiosques estão instalados às portas de escolas e liceus e, mesmo às das Universidades (a isso é chamado auto emprego ou empreendedorismo...). E das autoridades seculares e eclesiais? Ao costume, NADA!

3. Economicamente verifica-se um absoluto e acelerado desengajamento na edificação do país e um medonho empenho na desconstrução/destruição de todo um património construído pelo povo, do povo e Para o povo: i) Todas as obras em curso, principalmente as da ilha de Santiago, foram SUSPENSAS (ex: prédios por acabar de «casa para todos», transformados em depósitos de lixo pontos de encontro para esconsas e indesejáveis práticas); e, 2. Desmobilizados os investimentos em curso. E para o POVO? Sobram-se as dívidas resultantes desses investimentos abandonados pelo Executivo, a meio caminho (pior ki ka simia ê simia ka monda, dexa simentera perdi, pa faita di kudado) na txon di morgadu, renda ku simenti nu tem ki paga = juros e capital dos empréstimos investidos nessas obras, ora suspensas e abandonadas, o povo tem de os pagar.

3.1. Os investimentos até aqui feitos nas infraestruturas portuárias e aeroportuárias, especialmente os da Ilha de Santiago, são agora postos em causa, por interesses de alguns: i) o nosso sector dos transportes aéreo está a ser desmantelado prepotente e abusivamente. Em poucos meses os TACV - Cabo Verde Airlines, foi desmantelado, num processo manifestamente contra os interesses de Cabo Verde e dos santiaguenses, em particular (que a todos os títulos se saldam em maiores prejudicados); a parte doméstica ou nacional foi entregue a Binter- uma companhia estrangeira, que se diz de direto cabo-verdiano, porém, o centro das suas operações e decisões situa – se em canárias; e, de outra sorte, nem poderia ser. As 330mil ações que compõem (oficialmente o capital social da Binter) pertencem exclusivamente à Binter CV – Sociedade Unipessoal, SA, que embora, diz-se, de direitos cabo-verdiano (e na forma o é), o centro do seu comando é Canária, e os órgãos de gestão da Binter CV, curiosamente, são nomeados, em representação de outras sociedades, cuja legitimidade e termos em que participam numa sociedade unipessoal não são conhecidos. Onde param os nossos ATRs? Os da TACV?.

3.2. A TACV Internacional que operava com 2 boeings 757 e voava os céus do mundo, da Europa África e Américas, em pé de igualdade com as grandes companhias dos grandes países e, céus cruzavam que esses grandes não podiam cruzar (o que representa uma valiosa infraestrutura de movimento aéreo, invejada por muitos, cobiçada por todos e desconhecida do povo – seu dono, e, negada e destruída pelos dirigentes e lideres, enquanto depositários e guardiões do interesse e da esperança do povo que os legitimou); por quanto foi avaliado esse ativo que é nacional, de todos cabo-verdianos?

3.3. Os dois boeings, dados por velhos, um deles, tinha/tem 16 anos. Em seus lugares foram alugados dois boeings de 28 anos (quase dobro da idade dos que a TACV tinha antes). E a quem foram alugadas? À uma filial da Icelandair (especializada em aluguer de aviões) a quem, por sua vez, a Icelandair, enquanto gestora da TACV (contratada pelo Governo) recorre para alugar dois boeings com dobro da idade dos da TACV (dados pelo Governo, por velhos e inoperante) pela modica quantia de 574 mil dólares por quinzena (ECV 53.820.300), o que perfaz um total de 1.148 mil dólares (um milhão, cento e quarenta e oito mil dólares)= (ECV107.641.000)/mês;

3.4. Os trabalhadores (Pilotos, PNC, o Pessoal da manutenção e outras classes) que outrora, altivos, orgulhosos e livres, desfilavam ombro a ombro com os das concorrências nas pistas e corredores dos aeroportos do mundo, ostentando em visíveis hastes as bandeiras de Cabo Verde, agora são transformados em súbditos e vassalos de companhias que, até agora, ninguém sabe quem é, e que garantias/valia trás ao país e seu povo – os cabo-verdianos;

4. Cabo Verde nunca conheceu inimigo mais feroz e contra o seu povo, como nos dias atuais. Como é possível contratar a própria companhia interessada no negócio, para preparar os TACV para privatização? Que anestesia é essa que ao povo foi ministrada que não consegue reagir diante de tão manifesto e ostensivo assalto ao património nacional e ao erário publico? Por onde andam os homens pátrios (valentes e honestos) desta terra que me inspiraram a deixar as enxadas e empunhar lápis e cadernos, para aos 20 anos voltar ao Liceu de Santa Catarina, na manhã de 7 de Janeiro de 1986 (inicio do segundo trimestre) para estudar 7 ano de escolaridade (antigo 1 Ano do CG)? Onde estão os que comigo dividimos a luz dos postes público na cidade da Praia, para estudar, porque nas nossas mansões (inicialmente, obras em construção, para quem não sabe) não havia luz? Muitos dos quais, hoje a desempenhar importantes funções e até mesmo lideres municipais? Para que tanto sacrificamos, e os nossos pais connosco, se capazes não somos de construir trincheiras de saber e pontes de agir, para defesa dos interesses da nossa NACÃO? Te desafiamos (a ti aos Presidentes dos Município da Ilha de Santiago, das Organizações da Sociedade Civil, e não só) a mobilizarmos, como se, um só, fossemos, para uma posição, a da defesa dos interesses da n/nação e da Ilha de Santiago, a começar pelos TACV.

Silvino Fernandes –  Presidente da Direção da VdS

Comentários  

0 # Bandeira ao Vento 16-12-2017 02:02
Oh enorme «SÓCRATES DE SANTIAGO», pena é que o MAC#114 morreu há muito e em grande parte por culpa e vaidade balofa do seu principal mentor. E já não voltará à ribalta, infelizmente. Essas vitórias caídas da neve serão sempre de Piro para pessoas de espuma na mente. As que se deixam levar pela fama momentânea. Foi isso que aconteceu ao MAC e ao seu novato líder. MAC foi comido na hora por águias de garras bem afiadas. E os mocitos e mocitas não se deram conta disso.
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0 # Bandeira ao Vento 16-12-2017 01:49
Uma análise nua e crua da realidade. A ser verdade o que aqui está relatado só prova uma coisa: tudo que cabo verde recebe sob a forma de ajuda do ocidente, entra pela porta de frente e sai pela porta trás. Fico assustado quando leio coisas do tipo e até consumo medo de que a ir por esse caminho podemos (os nossos condutores) dar com o barco na rocha. Tudo por causa da pressa e da mania de sermos mais papistas que o papa no que tange à abertura da soberania e ao liberalismo. Escassas figuras do nosso meio político defendem o interesse nacional. Quem não resguarde sua saia o vento que a leve.
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0 # SÓCRATES DE SANTIAGO 15-12-2017 22:03
Por onde anda o MAC-114? Onde está o Rony Moreira? Onde está o Éder Xavier? Onde estão os outros companheiros de luta? E a Pró-Praia, que anda fazer?
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0 # santiaguente de gema 15-12-2017 14:12
Meu Caro amigo Silvino,

Parabéns pela brilhante reflexão sobre o futuro da nossa Nação.
Gostaria de comungar contigo a nossa indignação pela forma como o futuro dos Santiaguenses está sendo vilipendiado em favor das outras ilhas. Os Sanvicentinos foram capazes de mobilizar a ilha inteira por causa de um campus universitário.
Meu caro amigo os Santiaguenses foram capazes de construir fronteiras do saber, sim senhor, infelizmente esqueceram-se de contruir a sua propria personalidade. Transformarem-se em invertebrados a caça de mais um tostão ou mais um cargo.
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0 # VdS 18-12-2017 14:14
infelizmente, tenho concordar consigo. ken ki ta pensa ku barriga ê ku barriga ki e ta xinti. ken ki ta xinti ku barriga si jornada ta kaba na pumeru faiska di migadja ki kontra kol. Barriga ka ta dexal lembra, ma migadja só izizti undi ki sta mesa grandi pa banketi. sima ken ki ta pensa ku barriga ka tem fé pe odja na cada gran midju, minimu di 2 i maximu di quato spiga-l midju; ê si tambi ki ken ki ta pensa ku barriga oras ki e atxa funfun ê ka ta lembra na kuzkuz. Funfun ta kumi faxi pamodi e tdu moidu; e ta fasilita pirguisos, mas tambi ê ta foga....
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-1 # SÓCRATES DE SANTIAGO 15-12-2017 10:29
Gostei do artigo. O momento é de agir. E já faz tarde. Povo de Cabo Verde e de Santiago, particularmente, de que estamos à espera?
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-1 # Zequinha 15-12-2017 08:56
Caro Silvino, os meus parabéns pelas reflexões e, sobretudo, por um título que sintetiza de forma muito fiel, o verdadeiro estado por que passa este país. Este é artigo que todos devemos o ler para um posicionamento firme e patriótico.
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-1 # Santiaguense 15-12-2017 00:01
Excelente análise Sr. Silvino
Quanto a mim respondo presente para a primeira manifestação de rua contra a delapidação de tudo o que se pensava ser do povo de Cabo Verde, especialmente desta martirizada Ilha de Santiago, contra este governo do MPD, especialmente sobre as impensadas medidas que estão sendo tomadas contra a TACV, seus trabalhadores e a todos os residentes e emigrantes das Ilhas de Santiago, Fogo, Brava e Maio. Este governo do MPD está financiando uma experiência catastrófica com esta historia de HUB na Ilha do Sal, deixando a operação na Praia, capital do pais, S. Vicente e Boa Vista, especialmente na Praia já com bastantes passageiros fiéis à TACV para se ir aventurar com esta estória de hub na Ilha do Sal, sem probalidade alguma de conseguir passageiros para a viabilização desta aventura. Quero ver a TACV ir buscar passageiros na Nigéria, Gana, Senegal para levar para América do Norte e Europa, para ir competir com Companhia Europeias de renome que já operam nesta região. Outra questão pertinente é perguntar porque razão a Icelandair não participa com um centavo nesta aventura de montagem de hub no Sal. Todos os custos desta aventura são suportados pela Tacv/governo de Cabo Verde. O dinheiro que se está gastando neste projecto, dava para mandar reparar o motor do Boeing 757 da Tacv, alugar um outro Boeing 757, dry leasing por cerca de 200.000 dólares/mês e ainda reestruturar a empresa.
Mas tudo isto só é válido para um governo que defende os interesses do povo que o elegeu e não interesses privados dos seus militantes e amigos Europeus.
Se o povo, especialmente o de Santiago não sair para a rua para mostrar o grau da sua insatisfação, estamos fritos especialmente nós de Santiago. Para concluir queria parabenizar o Presidente da Camara da Praia pela posição ténue que tomou sobre o deslocamento da Tacv da Praia para o Sal. Valeu. Pelo menos neste aspecto mostrou defender os interesses da população da Praia em detrimento dos interesses do seu partido MPD. Onde andam os restantes Presidentes de Câmaras de Santiago?
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-1 # Vazando Vaz 15-12-2017 08:20
Bom artigo.
Quais Presidentes das Câmaras Municipais? Esses só estão preocupados com os seus interesses pessoais e familiares. Basta ver o que se passa nos municípios do interior de Santiago. Bando de incompetentes que não têm noção de nada. É uma tristeza o que se passa em Picos, Órgãos e Calheta por exemplo. Pessoas completamente despreparadas a comprometer o futuro do município e das pessoas de bem. Não sei onde vamos parar mas isto vai chegar a um ponto onde as coisas vão se arrebentar pelas costuras.
Mentirosos, incompetentes, leigos, desonestos, corruptos e assaltadores de errático público a fazerem-se de presidentes de câmaras, seguidos por bandos de vereadores néscios que envergonham o município e o país. Uma lástima!
Ignorar residência oficial para chupar o subsídio de renda em benefício próprio mostra de que casta de gente estamos a falar. Gerir uma câmara só com familiares é outra pista do que se está a passar nos Picos. Usam o subsídios de arrendamento em benefício próprio.
Os MPDistas não estão preocupados com este país. Desenganem-se os que estão enganados.
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