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Por: José Gabriel Mariano

Pobreza e trabalho infantil, ambiente, educação, modernização tecnológica, igualdade de género, inclusão social de pessoas com deficiência, habitação e participação política das mulheres foram algumas das áreas em que as crianças e adolescentes cabo-verdianos fizeram recomendações. Acrescentaria o combate à prostituição e àquela que é vocacionada para os turistas.

“OS DEPUTADOS E O GOVERNO NÃO SE IMPORTAM EM RESOLVER OS PROBLEMAS, SÓ FAZEM PROMESSAS. HÁ MUITO TRABALHO INFANTIL, MUITO ABANDONO ESCOLAR E MUITAS CRIANÇAS VIVEM EM CASAS PRECÁRIAS». Foram essas as palavras da jovem Delany Vaz, 13 anos, São Salvador do Mundo, interior da ilha de Santiago durante a sua intervenção no Parlamento Infantil, evento que assinalou o 28.º aniversário da Convenção dos Direitos das Crianças. É aviltante. Repugnante. Humilhante... Depois, depois, depois... Cansados de nos repetirmos... Tem que se tomar medidas sérias a breve trecho (instituições internacionais, grupos de pressão, etc., etc…), caso contrário, nós sabemos como as coisas vão acontecer. Nós sabemos, infelizmente! Será que assistiremos a uma SODOMA e GOMORRA em pleno século XXI? Julgo que a todos os governantes de Cabo Verde impõe-se o dever moral e jurídico de explicar pormenorizadamente aos credores externos e internacionais, a Portugal, a outros países europeus, aos emigrantes cabo-verdianos que para o Arquipélago enviam os seus depósitos, bem como aos restantes países falantes da língua portuguesa como e onde aplicaram os dinheiros dos empréstimos sucessivos que se destinavam ao Povo, ao desenvolvimento social, económico e cultural do País. Julgo que é tempo, já tardio, de todos os cabverdianos e todas as cabverdianas refletirem sobre a realidade do Arquipélago e pensarem o que de facto querem dele, deles e delas.

Inexistem objetivos comuns. É um povo fortemente fraccionado que me parece ausente de direção e sentido na vida. É meu entendimento que a sociedade civil deve já mobilizar-se para debater os reais problemas que assolam, atormentam, angustiam as pessoas nas Ilhas. Não tomando as questões de frente, fugindo delas, devendo ao invés, pois, assumi-las publica e objetivamente, sem medos, receios ou vergonhas, a sociedade não mudará para melhor. Tenderá a continuar o seu sentido negativo e decadente, levando a estágios de existência ainda piores que os atuais.

Urge debater e alterar o rumo das coisas já! Todos os cidadãos e cidadãs, todas as pessoas cabverdianas, especialmente aqueles e aquelas que vivem no Arquipélago. Não é justo nem admissível que DINHEIROS EMPRESTADOS AO POVO DE CABO VERDE para a criação de infraestruturas básicas e fundamentais à vida de qualquer ser humano não tenham sido aí investidos. Desde:

  1. HABITAÇÃO
  2. SANEAMENTO BÁSICO
  3. EDUCAÇÃO
  4. ENSINO
  5. SEGURANÇA SOCIAL
  6. SAÚDE

Como e onde foram gastos os empréstimos externos e internacionais? Urge debater e urge pedir explicações detalhadas aos governantes atuais e anteriores, começando por José Maria das Neves e Ulisses Correia. Depois já será tarde! É continuar no afunilamento e no sufoco cada vez maiores.

José Gabriel Mariano, Lx, 21/11/2017

Comentários  

+2 # Hélio Brito 23-11-2017 07:06
Maior Gomorra e Sodoma reside no ADS, (Águas de Santiago) a fantoma criada para ceifar a vida dos caboverdianos, onde se constatou um chorudo rombo estimado em mais de 40 mil contos. Pergunta- se, a que destino teve esse montante? O preço da água para além de ser exagerado, a qualidade é péssima e chega com dificuldades as casas dos clientes. Falta de tudo um pouco como cita o articulista. A completar emergencia de uma cultura de perseguição partidária dos profissionais do estado, tentativa de silenciamento intimidação, favoritismo, arrogância etc. Os preços dos produtos a dispararem diariamente complicando a vida do povo das ilhas, o desemprego jovem a má gestão de coisa publica.
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