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Por: Augusto Borges

 

Santiago é a maior ilha do país, tanto a nível territorial como a nível populacional. Desde os tempos primórdios, os habitantes desta ilha têm sido corajosos, ousados e com objetivos previamente determinados. A agricultura, a pecuária e a pesca sempre foram atividades geradoras de rendimento para o povo desta ilha. Nestes últimos tempos, o turismo está a ganhar espaço paulatinamente. Todavia, o setor da educação precisa ser acarinhada e promovida.

O ano 2017 está sendo marcado pela ausência de chuvas, situação que constitui-se por si só um fator de desequilíbrio, afetando directamente o bem-estar das pessoas, tanto das zonas rurais como das zonas urbanas. O setor da pecuária ficou gravemente afetado, uma vez que a falta de pasto tem contribuído para que os criadores de gado desfaçam dos seus gados, vendendo-os a preço um muito baixo. Eu não sou especialista no setor da agricultura e nem no da pecuária, porém como cresci numa família que vivia da agricultura e da pecuária, ouso dizer alguma coisa relativamente a esses dois setores tão importantes ao desenvolvimento da ilha e do país.

Este ano houve uma produção de manga que na nossa visão míope foi exagerada. Como filho de agricultor fiquei muito triste, porque as mangas que deviam ser aproveitadas para produzir o sumo caseiro acabaram por estragar às moscas. Todavia, Cabo Verde importa uma grande quantidade de sumos para o consumo interno. Na ilha do Fogo, a produção de uvas acontece uma vez por ano, porém esse fruto da videira é aproveitado para produção de vinho com grande qualidade, através de cooperativa de produção.

Em Santiago, os agricultores armazenam grande quantidade de milho e de feijão, que na maioria das vezes com o passar do tempo perde qualidade, passando a ser usado como alimento para os animais. No entanto, importamos uma quantidade significativa de milho enlatado, ervilha e outros tipos de feijões. Podemos seguir o exemplo de Santo Antão e do Fogo que produzem queijo com melhor sabor que os importados. Os pastores e os agricultores precisam de mais apoios para poderem encarar a agricultura e pecuária não apenas como atividades de subsistência, mas sim que geram riquezas.

Alguns anos atrás, o Ministério da Agricultura disponibilizou técnicos, que saíram no terreno para sensibilizar os agricultores no sentido de não semearem nas encostas, reservando essas parcelas para o cultivo do pasto. Foi uma boa iniciativa, porém os agricultores não ficaram convencidos. Porque é que tal iniciativa não teve sucesso? Os agricultores precisam de ouvir testemunho de alguém cuja experiência foi um sucesso.

Tive informação que dois agricultores, um residente no conselho de São Lourenço dos Órgãos e outro no concelho de Santa Cruz têm alguma experiência que pode ser partilhada. O cultivo de pasto nas encostas exige que em cada Município seja criada infraestruturas para o armazenamento e a conservação do pasto.

 Ademais, há necessidade de fábricas não só para transformar frutas em sumo, mas também para conservar carne. Os proprietários dos hotéis e dos restaurantes devem valorizar muito mais os produtos nacionais. Tais proprietários precisam de saber que os turistas preferem consumir mais os produtos nacionais do que os que rotineiramente consomem nos seus países. Porque não oferecer aos turistas massa de milho associada à galinha de terra, etc? Os governos, central e municipal, devem criar incentivos para os proprietários que valorizam os produtos nacionais.

Ao longo dos tempos, a educação tem experimentado uma melhoria muito significativa. Todavia, há necessidade de um maior investimento neste setor nos diversos subsistemas. Isto é, do pré-escolar ao superior.

Há muita coisa para falar a respeito da educação, porém o que mais me inquieta é o facto de muitos alunos que frequentam instituições do ensino superior estão a ter insucesso porque têm dificuldades em pagar as propinas, o que tem culminado com a desistência de um número considerável de alunos.

O governo, através da FICASE, tem oferecido bolsas de estudos para os alunos do ensino superior. Não obstante o esforço dos sucessivos governos muitos alunos das camadas mais desfavorecidas ficam excluídos deste subsistema de ensino.

A VdS ou Associação Voz di Santiago, recentemente criada por um grupo de amigos de Santiago não tem pretende ser oposição aos governos centrais e municipais. Pelo contrário, pretende ser parceiro. Também não é e jamais será caixa-de-ressonância de nenhum partido político, mas sim voz dos santiaguenses residentes e dos dispersos nos quatro cantos do globo. Vai tocar a trompeta sempre que os interesses de Santiago estão a ser adulterados, por isso os dirigentes desta associação rejeitam qualquer dádiva cujo objetivo é silenciar a VdS.

Nesta fase, a VdS conta com a quota dos sócios, mas acredita que as suas ações vão ser visíveis a curto-médio prazo de tal forma que muitas instituições nacionais e internacionais vão ser suas parceiras, ajudando-a na promoção do desenvolvimento da ilha.

Os problemas de Santiago podem ser minimizados, caso os santiaguenses optarem pelo “djunta mó”, expressão utilizada pelos agricultores das diversas regiões da ilha. Por exemplo, o caso do abandono escolar no ensino superior pode ser resolvido caso os santiaguenses estiverem interessados.

A VdS pretende ser inclusiva, isto é, integra agricultores, pastores, empresários, técnicos médios e superiores, etc. Por isso propõe quota mínima de 300$00 e máxima de 1.000$00. A título de exemplo, se tiver 3.000 sócios que pagam 300$00 mensal vai arrecadar 900.000$00, que saldaria a dívida de 100 alunos da universidade pública. Tais alunos seriam acompanhados de modo a tirarem o maior proveito do investimento feito, na expetativa de que vão contribuir para a ajudar a VdS a aumentar o número de sócio e receitas.

Eu sou o tesoureiro da VdS. As pessoas que me conhecem sabem que aposto na seriedade e transparência, por isso vou apresentar trimestralmente o balancete através da página do facebook da VdS para que os sócios saibam qual é o destino das quotas. Creio que todos os membros fundadores da VdS estão em dívida para com ilha, por isso quero pedir uma oportunidade aos nossos patrícios para provarmos que é possível promover o desenvolvimento da ilha. Caso são amigos da ilha que nos viu nascer inscrevam-se.

Augusto Monteiro Borges

Tesoureiro e responsável pelo Pelouro da Educação da VdS

Comentários  

0 # adriano Cabral 05-12-2017 12:00
Grande apelo Sr. Augusto Borges, e muito obrigado desde ja pela inciativa. Quanto ao tal de Sr. Landim, lamentavelmente. Viva a ADS. Resido nos EUA e sou natural de Santiago. Contem comigo, alias, eu vou tomar esta inciativa aqui nos EUA para mobilizar. A communidade imigrante tem um poder de contribuicao incalculavel para CV, mas nao e bem aproveitada, melhor, o imigrante se sente desprezado pelos governos de Cabo Verde e pelos proprios supostos servidores publicos caboverdianos. Eu vejo que as contribuicoes podem ser canalizada atravez de inciativas sociais como a ADS, especificas e directas para a populacao como alternativa aos depositos e as formas de investimento, muitas vezes sem sucessos dos imigrantes e familiares.

Contem comigo, o meu email acima.
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0 # Torrea 21-11-2017 17:34
Prezado Augusto.
Gostei do artigo. Um mixa de ideias importantes, que mercece atencao,das autoridades e dos privados que queiram empreender nas áreas de de transformacao. Quem tem meios , por vezes carece de ideias, e quem não, tem ideias que abundam, infelizmente por uma questão cultural, entre esses a conciliação e difícil.
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0 # VISIONÁRIO 21-11-2017 00:26
Esse escumalha que aparece em nome de José Landim Tavares, apelido típico da magna e bonita ilha de Santiago, deve ser tarado mental e tribalista da laia dos parasitas de COXIM de Mindelo. Os tais que nunca trabalharam na vida, vagabundos, presunçosos e chulos, que vivem à custa do suor do Fogo, Santo Antão e Santiago. Go to Hel, fdp.
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0 # Elsa Furtado 20-11-2017 19:45
Caro amigo Augusto, gostei do artigo, mas deu apenas uma pincelada, nos aspetos que precisamos. Não o censuro, pois artigos muito extensos cansam a leitura. Santiago precisa principalmente de mudança de atitudes, a todos os níveis. Que possa refletir na forma de ser e estar, na forma de ver as coisas, um espírito mais consentâneo com a realidade atual. Precisamos de famílias que se responsabilizem pela educação dos filhos, de pessoas com "boas maneiras" e com ensino de qualidade a partir da base. E de união também. Que não significa desunir das outras ilhas. Quando uma família se une, não significa que deixa de ter união com comunidade onde esteja inserida. Quero fazer parte de VdS e dar o meu humilde contributo. Obrigada pelo artigo
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0 # SÓCRATES DE SANTIAGO 19-11-2017 12:19
Palhaço é o Senhor José Landim Tavares. Vê-se logo que o senhor é daqueles que são contra o desenvolvimento de Santiago e não gostam que Santiago se una porque conhecem a força que tem a GRANDE ILHA UNIDA. Por vezes, é melhor estar calado do que dizer palhas. Se o senhor não quer fazer parte da VdS, o problema é seu, mas, por favor, não desencoraja os outros que, voluntariamente, se dispõem para lutar para o desenvolvimento da ILHA DE SANTIAGO, ilha que alberga no seu seio mais de metade da população de Cabo Verde e,consequentemente, uma maior bolsa de pobreza a nível nacional. Portanto, DESENVOLVER SANTIAGO É, SEGURAMENTE, DESENVOLVER CABO VERDE. Bem haja a ASSOCIAÇÃO VOZ DE SANTIAGO e VIVA SANTIAGO UNIDO!
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0 # José Landim Tavares 19-11-2017 09:23
Deixe lá de ser palhaço. Ninguém é melhor que outro nesta terra. Todos têm o mesmo direito de usufruir dos benefícios económicos e sociais que a Nação dispõe para seus filhos. Mas todos têm de participar também, nos custos do desenvolvimento. Acho imensa estupidez essa de Santiago se unir com todos, São Vicente contra Santiago, Santo Antão contra não sei o quê. Uma coisa, porém deveria unir a todos: amor pelo trabalho, pela dedicação. Ao contrário, são esses bandos de idiotas que propõe união sempre contra alguém, mas nunca contra a preguiça, contra a intolerância, contra o odio, contra vingança, contra a corrupção, contra tudo o que nos afasta da perfeição. Querem união sim, contra alguém, contra uma ilha. Ninguém quer união contra a desunião. Vão pro carraças, vá trabalhar seu preguiçoso.
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+1 # Pedro Brito 18-11-2017 21:27
Força, caro amigo e conterrâneo Augusto. Santiago é nossa ilha e por ela devemos trabalhar, sem esquecer do todo que é o país. Portanto todos somos poucos para contribuirmos para a sua cada vez maior afirmação no todo nacional e na aldeia global.
Gostaria de conhecer os procedimentos para tornar membro dessa associação.
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+1 # João Baptista 18-11-2017 18:50
Como inscrever-me e onde fica a vossa sede? Estou interessado.
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0 # Dirceu 18-11-2017 15:41
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