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Por: António Manuel Neves

 AntónioMNeves

Dos 45 anos do Cabo Verde como País Independente, o PAICV já governou 30, (duas parcelas de 15!), sendo a primeira, de 1975 a 1990 para, com grande êxito, retirar o País do estado abismal em que foi recebido do colonialismo português pelo então Primeiro-ministro, Comandante Pedro Pires), e os segundos 15, de 2001 a 2016, dessa feita pelas mãos do então Primeiro-ministro, JM Neves, em que o PAICV fora obrigado a repetir a proeza em doses cavalares de trabalho abnegado para desencalhar o “barco”, depois da triste década de 90, em que o MpD e o então PM, Carlos Veiga, deixaram esta Terra de rastos e completamente desconsertada.

Estando o País agora no decurso do quinto e último ano do mandato pelas mãos de Ulisses Correia e Silva, considerado o pior PM que já passou pela governação de Cabo Verde, e que já é tido por muitos como o primeiro e último mandado do MpD, perfazendo o total de 14 anos de governação, todos feitos aos solavancos e praticamente ad hoc, mandato onde já terá acontecido tudo do ruim que nunca passaria pela cabeça dos eleitores ao depositarem o seu voto nas urnas em Março de 2016.

Mas entrando, parcialmente, nas peripécias do presente, direi que durante o debate Parlamentar do mês em curso com o PM que decorreu no plenário da AN do dia 27/05 depois de terem proferidos os habituais cobras e lagartos, o Deputado da linha da frente, Orlando Dias, muito conhecido pela sua desgarrada verbosidade e que julga ter a exclusividade da última palavra, saiu, com mais esta “triunfal tirada”, desinformativa: O MpD sempre governou melhor que o PAICV!

Devido a tão disparatada afirmação, limito-me a esclarecer aos menos atentos o seguinte: em relação aos primeiros 15 anos de governação, Chefiada pelo Comandante Pedro Pires, digam os tagarelas ventoinhas o que disserem, dada a especificidade de terem servido para se dar início à construção de um País que foi, à partida, considerado completamente inviável, e graças aos quais Cabo Verde atingira o tirocínio que o colocara na situação de País viável, não existem quaisquer termos de comparação, a não ser na cabeça de alguns desmemoriados e que se exprimem de cor.

Quanto aos primeiros 10 (dez anos) em que o MpD aparece em cena pela primeira vez como governante na década de 90, que foram incrivelmente escandalosos, escangalhando o País, delapidando os cofres do Estado a ponto de não conseguirem pagar os vencimentos a tempo e hora. Os salários eram pagos, por vezes, de 40 em 40 dias, quando os ventoinhas conseguiam algum dinheiro, especialmente através de expedientes de portas e travessas com empresas privadas e mistas; não havia dinheiro para pagarem aos estudantes bolseiros, tanto cá como no estrangeiro; não conseguiam transferir verbas às nossas Embaixadas e Consulados; o Governo de então perdera crédito no Comercio local, nos Restaurantes que até chegaram a exigir pronto pagamento, etc., etc.

Isso sem falar na credibilidade que o País perdera perante Instituições estrangeiras, nossos Parceiros de Desenvolvimento (PD) que, desanimados com tamanho nível de desnorte, se puseram em debandada, desanimados e incrédulos por tanta escandaleira, factos que acabaram por da um trabalho titânico em convencer os referidos PD a voltarem, depois que o MpD fora colocado, sine die, no devido lugar de reaprendizagem, ou seja, na Oposição onde, felizmente, os ventoinhas só conseguiram sair 15 anos depois, movidos pelo ódio e rancor (ao eleitorado e ao PAICV) por terem sido sujeitos há um longo lustro de travessia no deserto, de onde só saíram por benevolência do povo que pensou que tinham apreendido a lição. Afinal, ao contrário do que se esperava, os ventoinhas regressaram pior que nunca!!

P. S.: O PAN Jorge Santos, que nos surpreendeu desde o início do desempenho das atuais funções, pela incompetência, incapacidade, parcialidade descarada, falta de idoneidade demonstrada na qualidade de Presidente do Maior Órgão da nossa Soberania, ficou claro de que nunca viria estar talhado para ocupar tal função, especialmente devido à sua postura de agressiva imparcialidade, beneficiando os Deputados da Maioria, em detrimento dos Deputados. da Minoria, com um descaramento jamais visto em nenhuma outra parte.

Na sessão em apreço, um dos piores desta Legislatura, atingiu-se, tamanho grau de barafunda, em parte devido à postura do PAN, que não teve a capacidade de meter ordem aos trabalhos, antes pelo contrário, terá contribuído, deliberadamente para isso. Então, em se tratando da Presidente do PAICV, Janira Hopffer Almada, Jorge Santos fez tudo, a seu bel-prazer, tudo o lhe desse na telha e que estivesse ao seu alcance repito, sem um pingo de vergonha para desmoralizá-la e silenciá-la mesmo!! Sendo assim, ou o PA, se esqueceu que a função é passageira ou então é já o efeito do prelúdio da derrota que já se ente no ar. E depois!?

Artigo publicado pelo autor no facebook

Comentários  

+2 # Daniel Carvalho 29-05-2020 15:33
Pensava que a questão da década de noventa estivesse já arrumada, porquanto o povo já disse da sua justiça, pelo que não sei se é de interesse discutir. Mas falar de "...triste década de 90..." década da democracia e da liberdade é no mínimo um paradoxo.
Pessoalmente respeito o feito de todos os governos da república instituídos desde 1975. Tenho uma consideração especial pelo Comandante Pedro Pires,embora não seja da área política dele,mas convenhamos, Senhor António Neves:Se os governos e a governação da I República foram tão bons, como diz, como é que se explica que, 1º Ministro Pedro Pires anuncie a abertura Política em Fevereiro de 1990,abertura essa concretizada a 28 de Setembro do mesmo ano com a revisão constitucional e a consequente queda do famoso artigo 4º, dando espaço à formação e formalização do MPD, para em menos de quadro meses organizar-se e ganhar as Primeiras Eleições Livres, do dia 13 de Janeiro de 1991, com MAIORIA QUALIFICADA? Para de seguida, o mui prestigiado candidato às eleições presidências apoiado pelo PAICV, perder perante um ilustra Caboverdiano, mas até então politicamente desconhecido!? Agradecia que o Senhor António Neves me explicasse este facto marcante da nossa História recente, sem se esquecer que o MPD repetiu a proeza em 1996.
Do mesmo modo, eu coloco ao Senhor António Neves a seguinte questão: José Maria Neves é um um político igualmente da outra área, mas por quem tenho apreço e cujo mérito pessoal reconheço. Mas se durante o seu mandato o legado construído foi tão notável como V. Excelência o apresenta, que razões explicam que o partido que dirigia tenha sido tão humilhada nas urnas, nas últimas legislativas?
Conheço o Senhor António Neves pelos seus escritos, sei que é uma pessoa que não tem problemas em me elucidar sobre esses factos, pelo que agradeço antecipadamente, pois da minha parte, prefiro voltar ao assunto em 2021, quando as coisas estiverem melhor clarificadas, quem é quem, embora o cenário não seja difícil de antever.E
Em Democracia, todos temos de aprender continuamente a respeitar o povo,pois, pelo menos em Cabo verde, que julgo conhecer, sempre temos feito as melhores escolhas, resultantes da avaliação continua dos desempenhos e não de pura circunstância.
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+1 # Filme 30-05-2020 06:36
O Sr. Daniel Carvalho, vê filmes?
Pois as trapaças que os camaradas do MPD fazem para conseguirem o que querem, são de igual forma feitas, sendo única diferença, é que os camaradas agem por detráz das camaras e pisam no pé dos que tentarem atravessar-lhes o caminho.
Desde de as profanações a mandados de matanças e conloios com a máfia. Isso daria um filme, que esgitaria as bilheterias em um ápice. Se caso nunvmca fores, vá a um comício do MPD i ficas triste com o que sai da boca desses senhores. Insultos. Uma vez li algures, "só adjetivamos outras pessoas com as nossas próprias caraterísticas"... Nesse filme, é preciso saber muito bem representar porque uma simples falha, tudo vai por água. Vê o caso do Sr. De[censurado]do Vieira(R.I.P),...daqui a uns anos, esse mistério, será esquecido...só se compara com filmes.
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