Pub

francisco carvalho

1. O problema dos transportes tem sido um dos maiores desafios para a Câmara Municipal da Praia e continua sem solução à vista. Para piorar a situação a autoridade municipal resolveu criar da noite para o dia uma medida para acabar com essa circulação das carrinhas Toyota Hiace, às voltas, na busca de passageiros pela cidade. Mas, não haveria forma de resolver o problema da circulação de hiaces e, simultaneamente, conservar os postos de trabalho dos ajudantes? E não criar novas dificuldades aos utentes, praienses e outros, utilizadores desses transportes?

2. O argumento utilizado foi, mais uma vez, o da "ordem". O problema é que esse discurso da ordem é uma narrativa construída por aqueles que têm o poder da comunicação social e que são exatamente quem tem as suas necessidades básicas já garantidas. Um pouco na linha do ditado popular "farto ka tem dor de fomento". Paradoxalmente, quem está agora no lugar de tomar estas medidas foram colocados lá, precisamente, pelos hiacistas, ajudantes e rabidantes que sofrem diretamente com as medidas dessa "ordem". Em nome dessa "ordem", manifestações fervorosas de apoio sustentam a existência de uma empresa municipal de parquímetros a operar na ilegalidade, segundo o parecer do próprio Provedor de Justiça, e até a perseguição que a Guarda Municipal faz a mulheres rabidantes que dinamizam a economia da Praia e do país;

3. Sinto até medo de pensar que uma outra razão do sucesso dessa tal "ordem" seja a crescente 'falta de solidariedade' que tem vindo a tomar conta da nossa sociedade. Chegamos ao ponto de não emergirem vozes nenhumas em defesa desses caboverdeanos que - sem terem um emprego formal que deveria ter sido criado pelo Governo - vêem-se, de repente, sem o seu sustento e comida para os seus filhos. Tudo porque é mais alta a voz daqueles que - já com a garantia do pão na mesa da sua casa - agora, a sua preocupação é deslizar pela Avenida Cidade de Lisboa, suave, rotunda abaixo. Estão mais acima na pirâmide das necessidades de Maslow e esqueceram-se dos outros mais em baixo que ainda lidam com insegurança na comida, os tais fomentos;

4. Estimativas apontam para cerca de 60 ajudantes de hiace que a partir de agora viram desaparecer a sua única fonte de rendimento. Como é possível pensar em medidas que destroem postos de trabalho? Só quando são medidas desumanas, pois não colocam as pessoas no centro das decisões, e porque são medidas tomadas à pressa, de forma superficial e irrefletidas. São medidas desta natureza que vão contribuir para aumentar a destruição de postos de trabalho revelados pelo INE: 5960 empregos destruídos de 2016 para 2017!

5. Prova de serem medidas avulsas e de improviso, é o próprio estado desse "terminal para paragens de hiace"! São apenas filas para os hiaces que ocupam as bermas das estradas de um lado e de outro, nos espaços mais largos, como ao lado do mercado do Sucupira. Um exemplo dessa falta de preparação, é o caso de hiaces para a Cidade Velha. É sabido que há diferentes carros que vão para as diferentes zonas da Cidade Velha. Todavia, com esta distribuição de lugares, há apenas uma única paragem para a Cidade Velha. Problema: há carros na fila, atrás de outros, mas que se enchem primeiro. Fim do princípio "quem chega primeiro, carrega primeiro". Resultado: bate boca e polícia e guardas municipais a entreolharem-se, cheios de dúvidas. Coitados, foram mandados para ali;

6. A proibição de não se poder apanhar passageiros pelo caminho, depois do hiace sair do Sucupira, faz com que alguém que resida em Achada São Filipe tenha de pagar um táxi a 150$00 para - andar para trás - para ir apanhar um hiace no Sucupira e pagar mais 150$00 para se deslocar até Órgãos, passando por São Filipe, contou-me a mãe de uma amiga. Além do problema com os estudantes que já tinham os seus contratos mensais para as suas deslocações diárias. Vão ter de arranjar dinheiro para cobrir as deslocações entre as suas universidades e o Sucupira, único ponto de partida e de chegada de hiaces na cidade da Praia;

7. Ao invés de se homenagear os hiacistas, estes são perseguidos e injuriados. É preciso lembrar que grande parte constitui investimento de emigrantes e estão a cumprir uma função onde o Governo de Cabo Verde e a Câmara da Praia até ainda não tiveram capacidade: ligar os vales e cutelos destas nossas ilhas!

Comentários  

-1 # Conquista 13-06-2018 06:54
Caro Carvalho

Li esta sua mensagem devido a seu sorriso engraçado, mas acontece que sobre o assunto, opino oseuinte "em todas as partes civilizadas do Mundo há terminal de passageiros" e de certeza vê que é uma boa medida, no Mundo há tantas coisas feitas, que eliminam pessoas de trabalho, tal como informatização, mas é o Mundo que vivemos, por conseguinte quandoum lado chove o outro faz vento, o propietário ganha e o ajudante perde, é a lógica da vida.

Haja saco,há tanta coisa paraswer escrira,tal como pobreza que existe e que nenhum governo consegue ganhar a Batalha,há tantos meninos na rua, que precisame de que se formatar a granja para acolhê-los, há tantos cães vadios que precisam de ser castrados ou abatidos,não háninguem que fale sobre oassunto, Agora isso deperda de cargos, poxa!
Responder
0 # Maria Esteves 07-06-2018 15:21
Senhora Maria Lobo, antes, os hiaces não tinham um terminal. Ficavam âs voltas na busca de passageiros. Enquanto o motorista cnduzia, os ajudantes é que iam a procurar pessoas, dizendo em voz alta o nome do destino ou perguntando às pessoas se iam ao destino. Hei senhor, vai para o Tarrafal?
Com os hiaces fixos nu terminal, então ficam parados e os passegeros chegam e entram. Não há necessidade de ajudantes para ajudar a angariar paasgeiros.
Responder
-2 # Maria Lobo 06-06-2018 23:42
Não percebi a relação entre a criação do terminal com a perda de emprego dos ajudantes.
Responder
+2 # JJ Costa Pina 06-06-2018 14:40
Congratulo o companheiro Carvalho por mais um artigo que traz problemas que mexem muito com o normal funcionamento da nossa ilha. A solução para as estações de transportes interurbanos na Praia terá ser diferente daquela de outras urbes como Las Palmas de Grã Canárias ou de Lisboa onde se utilizou autocarros de grande porte que saem de hora a hora, com sistema central de pagamentos etc. Por cá há que viabilizar a atividade de centenas de hiaces já instalados com ajudantes e com algumas paragens nos perímetros da saída e da chegada... tem que ser... assim dita o estado de ordenamento de muita coisa não resolvida na nossas cidades e redondezas. A Pró-Praia fortou-se de lutar pela estruturação de duas centrais de transporte inter-urbanas, uma Praia- ST norte e uma Praia - Cidade Velha e redondezas, localizando-se, respetivamente, junto à rotunda Ponta d`Agua e junto a Ribeira Cobon. Infelizmente os terrenos todos foram desaparecendo e como sempre alguems se due bem e a cidade ficou sem equipamentos públicos como está acontecendo agora com a Cidadela. Hoje proporia a estruturação dessas estações em cima da ribeira Paiol-Fazenda (na faixa que vai do ponto de Vila nova á zona junto á oficina Patoti) ao lado da qual propomos tb a nova sucupira (dali até ponte de Paiol). As estações seriam complementadas com pequenas estações de paragem rápida ao longo das saídas e entradas das regiões/cidades de percurso. Os pagamentos continuariam a seu individuais e os ajudantes seriam enquadrados em vários serviços auxiliares que essas grandes estações necessitarão. Não tenham medo de construir sobe a Ribeira pois os holandeses fazem coisas muito mais complicadas com espaços para construções.
Responder
0 # Lito moreira 05-06-2018 20:21
Paragem para hiace valoriza o investimento, reduz risco de coima, diminuiu custo de exploração e viabiliza o negócio. Põe a nú a necessidade de proteger o mercado com suspensão de emissão de novas licenças, porque o mercado está saturado.

Em termos de saúde é menos poluição.

Que se faça os melhoramentos necessários.

Neste momento já há experiência em varios concelhos. Por que motivo tanto senão na Praia?
Responder
+3 # Nelson Alves 05-06-2018 10:26
Gostei do post Francisco Carvalho. Eu nao sou contra o terminal de hiaces, mas que as coisas dwvem ser repensadas isso sim. Pois é um aburdo uma pessoa em Achada Sao Filipe nas imediaçoes do estadio Naciomal querendo ir para o interior terá que se deslocar ao sucupira para puder continuar a viagem com o agravante de ter que custear essa deslocaçao. A CMP deveria e ou dwve criar condiçoes para essas deslocaçoes absurdas. Ca pra mim deveriam fazer o controlo dos hiaces em safende no entroncamento de acesso a vila nova. Ou quando muito wm rotunda de acesso a Ponta d' Agua. Mas mesmo assim a camara teria que ter um autocarro pago pwlos 150 dos hiacistas que iria levar os passageiros para o terminal de sucupira.
Responder
0 # Conquista 14-06-2018 07:14
Mas é facil colocar uma paragem aí.
Isso não é nenhum problema, criou-se uma terminal e à medida das necessidades cria-se paragens, na vila nova em s.filipe e assim por diante, que mais?
Responder
+3 # Atento di Picos 05-06-2018 08:54
Bem Visto meu caro. O grande problema é que a Câmara Municipal aldrabou os condutores. Eles nem tinham percebido que iriam colocar no desemprego os seus colaboradores que são os ajudantes. A Câmara está a faturar uma grana preta, ao cobrarem de 150$00 por cada que sair do "dito terminal" que nem condições tem. Aliás isto é um fileira à berma da estrada. Espero que este recurso seja bem usado e de preferência para a construção de um terminal de Hiace condigno.
Espero que o Srº PM, e o Srº PR, atuem, perante esta ilegalidade e que apontem SOLUÇÕES, perante este problema que ainda mais agravou a taxa de desemprego, que segundo eles diminuíram, mas que na realidade aumentaram significativamente.
Responder
+2 # Di Pico 05-06-2018 08:05
Subscrito na íntegra este ponto de vista.
Responder
+1 # Aurelio Febrony 05-06-2018 12:51
Bem; eu sou um dos que usa os hiaces como meio de transporte para me deslocar de e para Assomada. Embora não sou contra uma” civilização “a esse meio de transprte, comungo das opiniões aqui alencadas, sobretudo na questão dos moradores de Sfilipe e arredores, assim, opinaria que antes dessa medida deveria-se pensar nesses pais de familia que certamente não estavam a roubar, digo, se há roubo, vem da outra parte que justifica a cobrança dos 150 paus com pagamento de 100 para os guardas/polícias municipais e 50 para ajudantes ou contralodor.
Um outro problema tem a ver com a segurança do terminal e higine.
Pelo que sei, salvo erro, são os próprios condutores que dormem dentro dos hiaces para nao perderem a vez e ou pagam um guarda para tal.
O problema de higiene, muitos recorrem a um ponto mais perto para fazerem suas necessidades fisiológicas, em vez de usarem lugares próprios que diga-se, existe.
Responder