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Cabo Verde vai retomar voos comerciais internacionais na segunda quinzena de agosto e “muito provavelmente” vai exigir a apresentação de testes antecipados à covid-19 aos visitantes e turistas, disse esta quarta-feira, 29, à Lusa o ministro do Turismo.

“Nós estamos a trabalhar para durante o mês de agosto e, provavelmente, na segunda quinzena, fazer essa abertura gradual com outros países”, disse, em entrevista à agência Lusa, na cidade da Praia, o ministro do Turismo e Transportes de Cabo Verde, Carlos Santos.

Cabo Verde não recebe voos comerciais internacionais desde 19 de março, devido à pandemia da covid-19, tendo inicialmente anunciado a retoma em 30 de junho, sem obrigar à apresentação de testes antecipados à doença para quem chega do exterior.

Entretanto, com o recrudescer de casos, tanto na Europa como nas ilhas, a retoma dos voos comerciais foi adiada para agosto, mas ainda sem um dia exato, com o ministro a garantir que não será nos primeiros 15 dias do próximo mês. 

“Mas, tendo em conta os vários fatores que vão surgindo quase diariamente, nós queremos fazer esse anúncio com base em dados certos, corretos, para que consigamos apresentar as datas corretas. Muito provavelmente, até 15 de agosto, por enquanto não”, previu Carlos Santos.

Até lá, segundo o ministro, o Governo está a preparar um dossier com todas as medidas sanitárias e legislativas que estão a ser implementadas no país, e que serão apresentadas à União Europeia, maior mercado emissor de turistas ao arquipélago.

A União Europeia definiu como um dos critérios para abrir as suas portas a países terceiros terem pelo menos 20 casos por cada 100 mil habitantes em duas semanas seguidas, mas Cabo Verde tem atualmente 78 casos, um valor muito acima das exigências europeias.

Apesar dos critérios estabelecidos pela União Europeia, o ministro disse que uma das vantagens do arquipélago é que algumas ilhas têm uma incidência menor e outras já não têm casos ativos, como São Vicente ou Boa Vista, o que poderá levar a uma abertura gradual dos destinos.

“E aí há também uma hipótese de conseguirmos junto da União Europeia demonstrar que algumas ilhas têm uma incidência maior e outras nem por isso e pode ser uma saída para fazer uma abertura gradual, por ilhas”, sustentou o governante.

Carlos Santos disse que o dossier será “brevemente apresentado” junto da UE e dos embaixadores dos países que interessam a Cabo Verde, para o país demonstrar que “está a fazer o seu trabalho de casa” e que está em linha com aquilo que são as boas práticas internacionais.  

“Por isso, estamos a fazer esse trabalho e, muito brevemente, nós pretendemos apresentar esses dados. Creio que, conjugado essas medidas e apresentação das mesmas, nós conseguiremos chegar a bom porto, que é abertura do destino”, perspetivou.   

O ministro disse ainda que o Governo quer “ter a certeza” que a saúde dos cabo-verdianos e de quem visita o país não esteja em perigo, daí ter elaborado um plano de segurança sanitária, que já está na sua fase final, e que consiste em preparar os hotéis, aeroportos e restaurantes, com medidas que dizem respeito ao distanciamento físico e social e à higienização.

“Por isso é que há aqui a necessidade de sempre ir fazendo ajustamentos a nível das nossas decisões para que a decisão seja correta e segura e que possa dar alguma tranquilidade àquele que está cá, mas também para àquele que nos visita”, reforçou Carlos Santos.

Entretanto, a UE estima que a reabertura total das suas fronteiras externas aos países terceiros “demore algum tempo”, não esperando que isso aconteça ainda este ano, e aconselha os Estados-membros a não tomarem decisões unilaterais.

Se isso vier a acontecer, o ministro disse que poderá atrapalhar os planos do país, tendo em conta que o turismo é um setor “muito vulnerável” e que depende das decisões de outros países e não apenas do Governo. 

“Este tipo de declarações obviamente que introduz algum receio, algum medo naquilo que é o potencial turista, o potencial visitante. Por isso, hoje nós temos sim de fazer o nosso trabalho de casa, que é preparar o país, o destino com medidas sanitárias que deem tranquilidade e segurança aquele que nos irá visitar, e ir fazendo tudo a nível da promoção para que o país recebe os turistas”, disse. 

Se no primeiro anúncio para reabertura das fronteiras não era exigido teste à partida, o ministro disse que desta vez a “tendência é nesse sentido” de testes antes das viagens, tendo em conta que esta posição de obrigatoriedade foi evoluindo ao longo dos últimos meses, e agora é considerada essencial para impedir a cadeia de contágio. 

O ministro deu ainda como exemplo a exigência de testes de virologia nos dois sentidos no corredor aéreo aberto por Portugal e Cabo Verde, que começa a funcionar em 01 de agosto.

“O Governo foi evoluindo neste sentido e, mediante aquilo que é o aconselhamento, o parecer técnico do Ministério da Saúde, que também reflete aquilo que são os aconselhamentos da Organização Mundial de Saúde (OMS), vai fazendo também a sua avaliação, no sentido de ir tomando decisões conforme são as boas práticas internacionais”, disse.

Cabo Verde tem um acumulado desde 19 de março de 2.354 casos de covid-19 e 22 mortos.

Com Lusa

Comentários  

0 # REBELO DE SOUSA 29-07-2020 23:38
Meu caro, a reabertura das fronteiras não depende de si. Deixa de falar palermisses!
Isso depende da UE. Vocês so abrirão as fronteiras quando a UE permitir os voos de Cabo Verde entrarem ali.
E não será nem em Dezembro!
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+3 # Camilo 29-07-2020 09:10
Sr. Ministro a abertura das fronteiras não depende de si e nem do seu governo definir datas. depende da evolução da pandemia em Cabo Verde, cuja taxa de transmissão é das mais altas do mundo.
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+5 # Raul Mendonça 29-07-2020 08:43
Neste governo cada um fala o que vem na cabeça, sem ao menos pensar e refletir, o problema não está na abertura das fronteiras, o problema está na diminuição dos novos casos da covid19 no país, ate o mínimo de 9 casos dias durante pelo menos 2 semanas, segundo os critérios da união europeia donde provem a maioria dos turistas apenas entram nos espaço shenguem pessoas proveniente de países com menos de 20 casos por cada 100 mil habitantes durante duas semanas consecutivas e cabo verde está longe de atingir essa cifra, ninguém quer viajar e no retorno é barrado a entrada no seu país, a outra questão é que cabo verde tem muitas fragilidades nos hospitais, as maquinas de teste avariam frequentemente, ha escassez de reagentes, etc etc, ninguém quer adoecer en cabo verde e muito menos os turistas, esse rapaz que tutela o sector do turismo deve estudar mais e deixar de fazer propaganda mentirosa
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-1 # Simpatizante do PAIC 29-07-2020 07:56
O Dr. Carlos Jorge Santos è um dos melhores Ministros deste Governo. Sò è pena que ele teve azar de entrar para o Executivo semanas antes da OMS ter declared situaçao de Pandemia do COVID- 19, o que nao lhe deixou espaço de manobra tanto como Ministro do Turismo como Ministro do Transporte. Nòs que estudamos na Residencia Universitaria do Lumiar, Nòs que somos de Santo Antao, Ños que ja residimos no Sal, Os emigrante e todos os operadores turisticos de Cabo Verde sentem-se representados na pessoa do Dr. Carlos Jorge Santos. Cabo Verde ainda vai ouvir falar muito bem dele. Um abraço Camarada apesar dele ser militante e dirigente do MPD e eu ser simpatizante do PAICV.
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